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Capítulo 02

Penulis: Celebrant
Na manhã seguinte, vesti-me de forma simples e saí de meus aposentos, apenas para ser lançada de volta contra a parede de pedra.

— Por que você está tão determinada — ele exigiu com a voz rouca — a forçar o rei a enviar Elara para o norte?

Uma dor aguda atravessou meu ombro enquanto o aperto dele se intensificava. Lina, minha dama de companhia, correu para frente, em pânico, mas ele lançou a ela um único olhar.

— Saia.

Ela paralisou, e fugiu.

O cheiro de álcool impregnava-o pesadamente. Ele claramente não havia dormido.

— Você a quer morta tanto assim? — ele rosnou. — É disso que se trata?

— Adrian, solte-me! — Eu disse entre dentes.

Em vez disso, seus dedos cravaram-se com mais força.

— É isso quem você é? — ele cuspiu. — Invejosa, cruel, disposta a sacrificar seu próprio sangue apenas para conseguir o que quer?

Ele se inclinou mais perto, sua voz baixa e venenosa.

— Você realmente acha que, ao implorar por um casamento real, eu algum dia me submeteria a você?

Meu corpo ficou rígido. A fúria em seu rosto — o ódio bruto e sem filtros — não era diferente do homem que enfrentei em minha vida anterior, quando estávamos em lados opostos de cada lâmina.

O som ecoou bruscamente.

Eu o esbofeteei.

— General Vale — eu disse friamente — lembre-se com quem está falando.

Meu pescoço ardia onde os dedos dele haviam deixado marcas vermelhas de raiva. Pressionei a mão no meu ombro, respirando com dificuldade.

O golpe pareceu deixá-lo sóbrio. O olhar dele baixou, para minha pele machucada, para as marcas que ele havia deixado. Sua garganta se moveu. Por um momento fugaz, o arrependimento cruzou seus olhos.

— ...Sinto muito — disse ele baixinho. — Eu estava bêbado.

Virei as costas para ele.

— O casamento na fronteira é uma questão de estado — eu disse. — O rei já decidiu. O resultado será exatamente o que você deseja.

As últimas palavras cortaram minha própria língua enquanto eu as proferia. Atrás de mim, ele deu uma risada amarga.

— Com você ainda aqui — disse ele —, que futuro Elara poderia ter?

Eu me virei rapidamente, mas ele já estava indo embora. Minhas mãos se fecharam firmemente dentro das minhas mangas.

"Não se preocupe, Adrian", pensei. "Desta vez, não vou me prender a você."

Menos de uma hora depois, um servo chegou com uma pequena caixa de madeira. Dentro havia um bálsamo, uma pomada de campo de batalha, preparada especialmente para soldados estancarem sangramentos. Eu não toquei nela.

Eu sabia que esse cuidado não vinha do amor. Ele fora criado na casa de minha mãe depois que a família Vale foi quase aniquilada a serviço da coroa. Para ele, eu não passava de uma irmã mais velha por circunstância. Somente eu havia confundido aquela obrigação com algo mais, por uma vida inteira.

Fechei a caixa.

Eu poderia ter lhe contado a verdade. Poderia ter interrompido sua raiva, acabado com seu ressentimento, poupado a nós dois desta amargura. Mas não o fiz. Parte de mim era teimosa. Mesquinha, até. Se ele ia me acusar de qualquer maneira, que permanecesse zangado por mais um tempo.

Três dias.

Em três dias, o enviado do norte chegaria. Em três dias, a noiva seria revelada. E então, ele saberia.

Eu disse a mim mesma que já o havia deixado ir. Que havia escolhido este caminho de forma limpa, sem hesitação ou arrependimento. No entanto, naquela noite, deitada e encarando a escuridão, compreendi, mesmo após decidir deixá-lo para trás, alguma parte de mim ainda estava esperando.

Não por seu amor. Nem por um pedido de desculpas. Mas pelo momento em que ele finalmente descobriria a verdade, e por qualquer expressão que cruzaria seu rosto quando o fizesse.

Seria alívio, acreditando que este era o melhor final — que Elara seria poupada, que ele finalmente poderia proteger aquela que pensava amar? Ou seria arrependimento — pelos dias em que voltou sua raiva contra mim, pelas acusações proferidas sem misericórdia, pela frieza que nunca questionou?

Eu não sabia qual doeria mais. Apenas que, ao imaginar qualquer um dos dois, havia uma dor silenciosa que eu não conseguia extinguir.

Eu disse a mim mesma que não importava mais. Que a felicidade dele, ou o seu remorso, não eram mais fardos meus para carregar.
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