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Capítulo 3

مؤلف: Celebrant
Compareci ao que seria o meu último banquete de Meio de Outono em minha terra natal. Quando cheguei, o grande salão já estava vivo com música baixa e luz de velas, e com lágrimas. Elara estava no centro de um círculo de damas nobres, com os olhos marejados e a voz tremendo o suficiente para despertar simpatia sem se quebrar inteiramente. Ela apertava um lenço de seda como se fosse a única coisa que a mantivesse inteira.

— Então, após o festival, a Princesa Elara será enviada para além da fronteira norte… — uma dama suspirou alto.

— Que trágico — outra murmurou. — E a Princesa Herdeira não faz nada, absolutamente nada, além de perseguir o favor do General Adrian.

— Pelo menos Elara entende o dever — alguém acrescentou. — Tamanha devoção ao reino…

Os ombros de Elara tremeram. Por trás da manga que escondia seu rosto, um lampejo de algo diferente passou, breve, afiado, satisfeito. Então ela me viu. Sua respiração parou. Eu nunca gostara dessas reuniões. Em anos anteriores, raramente comparecia ao banquete de Meio de Outono. Ela contava com isso. Encontrei o olhar dela do outro lado do salão, curvei meus lábios em um sorriso fraco e indecifrável, e tomei meu lugar sem dizer uma palavra. Os murmúrios se tornaram agudos instantaneamente.

— O que aquele olhar deveria significar?

— Que sem coração, desprezando alguém prestes a ser enviada para longe.

— Se ela é tão orgulhosa, por que não vai se casar com o rei do norte?

— Só porque a mãe dela morreu jovem, ela age como se o reino inteiro lhe devesse algo…

Eu não respondi. Em minha vida anterior, quando o inimigo invadiu a capital, muitas dessas vozes gritaram com a mesma intensidade, só que, naquela época, ninguém viera para salvá-las. Algumas palavras cruéis agora eram mais leves que as cinzas e o sangue de depois. Deixei o salão sozinha, com o vinho intocado, e caminhei em direção ao lago sob o luar para clarear a mente.

— Elise.

Eu parei. Elara se aproximou de mim lentamente, com passos cuidadosos e uma expressão gentil de uma forma que nunca atingia seus olhos. O peito dela subia e descia bruscamente. Então, o olhar dela deslizou por cima do meu ombro, e se curvou. Antes que eu pudesse reagir, as mãos dela voaram para a minha garganta. Caímos juntas na água.

— Socorro! — ela gritou no momento em que atingimos a superfície.

— Elise, por que você me empurrou?!

Eu não sabia nadar. A água invadiu meus pulmões, roubando minha voz, minha força. Eu me debatia cegamente, e então o vi.

— Adrian…!

Tentei chamar. Apenas sons de engasgo escaparam. Ele não olhou para mim. Ele mergulhou direto em direção a Elara. Tentei alcançá-lo — meus dedos tocando a água vazia — enquanto ele a erguia sem esforço para a borda de pedra. Ela estava ilesa. Mal abalada. Só então minha criada gritou. Guardas mergulharam na água e me arrastaram para fora. Eu estava encharcada, tremendo, mal consciente. Elara soluçava contra o peito de Adrian. Ele tirou sua capa e a envolveu nos ombros dela sem hesitação, então se voltou para mim. O rosto dele estava rígido. Não era nojo. Não era ódio. Era raiva, bruta, contida, mal mantida no lugar.

— Você perdeu o juízo? — ele exigiu. — Matá-la, o que você acha que isso realizaria?

Sua voz baixou, afiada mais pela descrença do que pela crueldade.

— Se ela tivesse partido — disse ele —, você acredita sinceramente que não seria você quem seria enviada para o norte no lugar dela?

Como se o pensamento em si o ofendesse. Como se a ideia de eu ser enviada para lá fosse algo que ele não suportasse imaginar. Tossi violentamente, a água queimando meus pulmões.

— Adrian… eu-

— Basta.

Sua mandíbula se contraiu, o músculo saltando sob a pele.

— Eu pensei que você fosse meramente mimada — disse ele friamente. — Mas vejo agora, você é invejosa, cruel e perversa. Falta-lhe o senso de dever dela, mas você domina cada habilidade de uma megera.

Cada palavra golpeava com mais força que a anterior.

— Você desonra o seu título — ele continuou. — O povo merece algo melhor do que isso. E agradeça aos deuses que sua mãe não viveu para ver no que você se tornou.

— Adrian.

O aço ressoou. Saquei minha lâmina enquanto me levantava instavelmente. Ele respondeu da mesma forma, exatamente como fizera anos atrás, exatamente como faria novamente em um futuro que nenhum de nós ainda compreendia. Oito anos de casamento em outra vida. Oito anos sacando espadas por causa de Elara. Nunca golpeando. Nunca cedendo. Minha força falhou. Minhas pernas cederam, e eu caí para frente. Braços fortes me seguraram. Por um breve momento, o pânico surgiu no rosto dele.

— …Elise?

Agarrei o colarinho dele com o que restava das minhas forças.

— Você não tem o direito — sussurrei ferozmente — de falar da minha mãe.

O mundo girou. Senti-me ser erguida, carregada. Atrás de nós, a voz de Elara tremeu:

— General… eu -

Ele não parou. Não olhou para trás. Ele me carregou para fora do salão do banquete, deixando-a parada ali com sua simpatia emprestada, e uma verdade que ainda não o havia alcançado.
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