Mag-log inCapítulo 2
Natasha Torres Eu ainda não acreditava que tinha aceitado sair com Camila para aquele lugar. O bar parecia ter sido criado para pessoas que nasceram cercadas de dinheiro. Lustres dourados iluminavam o teto, as paredes escuras refletiam a luz suave das luminárias, e o balcão de mármore se estendia por quase todo o salão. Havia sofás de veludo, mesas elegantes e pessoas vestidas com roupas que provavelmente custavam mais do que tudo o que eu tinha levado comigo para Londres. O ar estava impregnado de perfumes caros, bebidas e uma fragrância amadeirada que tornava o ambiente ainda mais sofisticado. Olhei para minha blusa preta e minha calça de cintura alta. Será que eu deveria ter escolhido outra roupa? Antes que pudesse me arrepender de ter saído de casa, Camila segurou meu braço e me puxou para dentro. — Vamos, mulher! Você está andando como se estivesse entrando em um tribunal. — Talvez porque eu esteja me sentindo julgada por todas as pessoas daqui. Ela soltou uma gargalhada. — Ninguém está olhando para você, Natasha. Olhei discretamente para uma mulher sentada perto da entrada. Ela usava um vestido justo, salto alto e brincos que brilhavam sempre que virava a cabeça. — Aquela mulher parece ter saído de uma revista de moda. — E você parece estar procurando defeitos em todo mundo para encontrar um em si mesma — Camila rebateu, apertando meu braço. — Pare com isso. Você está bonita. Abri a boca para responder, mas ela já havia avistado Henrique do outro lado do salão. O rosto de minha amiga se iluminou. — Ai, meu Deus, ele chegou! — Camila, nem pense em me deixar sozinha por muito tempo. Ela me deu um beijo rápido na bochecha. — Vou ficar ali com ele. Qualquer coisa, me liga. E, por favor, tente se divertir! Antes que eu pudesse lembrá-la de sua promessa de não me abandonar, Camila atravessou o salão praticamente correndo. Fiquei olhando para ela até que Henrique a envolveu pela cintura e a beijou. Suspirei. — Ótimo, Natasha. Você veio segurar vela em um bar onde até os guardanapos devem custar uma fortuna. Decidi procurar um lugar onde pudesse ficar sem chamar atenção. Caminhei até o balcão e me acomodei em um dos bancos altos, ajeitando a bolsa no colo. O barman se aproximou com um sorriso profissional. — Boa noite, senhorita. Já sabe o que vai pedir? Peguei o cardápio de bebidas que estava sobre o balcão e comecei a examiná-lo como se estivesse analisando um contrato importante. Os nomes eram complicados, os preços eram absurdos e algumas descrições pareciam escritas em outro idioma. Eu conhecia vinho, cerveja e alguns coquetéis comuns. Mas aquelas combinações sofisticadas, com nomes franceses e ingredientes que eu nunca tinha ouvido mencionar, eram um território desconhecido. — Estou decidindo — respondi, tentando parecer tranquila. O barman assentiu e se afastou para atender outro cliente. Continuei olhando o cardápio por mais alguns segundos, até perceber que estava apenas fingindo ler. — Muito bem, Natasha. Você tem duas opções: pedir alguma coisa ou passar a noite inteira estudando a lista de bebidas. Fechei o menu. — Uma bebida leve, por favor. Algo com pouco álcool. Quando o barman voltou, expliquei minha preferência. Ele sugeriu um coquetel suave de frutas cítricas, com uma pequena quantidade de bebida destilada, e aceitei. Pouco depois, um copo elegante apareceu diante de mim. O líquido tinha um tom rosado, e uma fatia fina de limão decorava a borda. Experimentei um gole. Era doce, refrescante e um pouco azedo no final. Gostei. Apoiei o cotovelo no balcão e deixei os olhos passearem pelo salão. Pessoas conversavam, riam e brindavam como se não tivessem nenhuma preocupação no mundo. Um casal dançava perto de uma das mesas, enquanto um homem de terno contava alguma história que fazia seus amigos gargalharem. Por alguns minutos, consegui relaxar. Talvez Camila tivesse razão. Talvez eu precisasse mesmo sair um pouco, conhecer lugares novos e parar de me comportar como se o mundo inteiro estivesse esperando uma oportunidade para me machucar. Levei o copo aos lábios novamente. — Essa é uma escolha interessante. A voz masculina surgiu ao meu lado, baixa e segura. Virei a cabeça. O homem que havia se aproximado era alto, de ombros largos, cabelos escuros cuidadosamente penteados e uma barba bem aparada que destacava a linha firme do maxilar. O terno preto ajustava-se perfeitamente ao corpo, e o relógio no pulso parecia tão caro quanto todo o ambiente ao nosso redor. Mas foram os olhos que me prenderam por um instante. Escuros, atentos e acompanhados de uma expressão que sugeria que ele estava acostumado a conseguir o que queria. Desviei o olhar primeiro. — A bebida? — perguntei, apontando discretamente para meu copo. Ele puxou o banco ao meu lado, mas não se sentou imediatamente. — Sim. Não é exatamente o que eu esperava encontrar alguém pedindo em um lugar como este. Franzi a testa. — E o que você esperava? Que eu pedisse alguma coisa com um nome impossível de pronunciar e fingisse entender o sabor? O homem soltou uma risada baixa. Uma risada de verdade, não aquele sorriso educado que as pessoas ofereciam por obrigação. — Você sempre responde assim às pessoas que acabou de conhecer? — Só quando elas começam uma conversa criticando minha bebida. — Eu não critiquei. — Ainda não. Mas estou preparada. Ele finalmente se sentou, apoiando um braço sobre o balcão. — Nesse caso, vou precisar escolher melhor as minhas palavras. — Seria um ótimo começo. O canto de sua boca se ergueu. Meu Deus, ele era bonito. Bonito de um jeito irritante, daqueles homens que pareciam saber exatamente o efeito que causavam. O tipo de homem que provavelmente nunca precisou se perguntar se uma mulher aceitaria conversar com ele. E, por alguma razão, estava ali, conversando comigo. Tentei não pensar muito nisso. — Então, qual é o seu nome? — ele perguntou. — Natasha. — Natasha — repetiu, como se estivesse experimentando o som. — Prazer. Matteo. Estendeu a mão. Olhei para ela por um segundo antes de apertá-la. Sua palma era quente, e o contato durou apenas o necessário, embora eu tenha percebido a firmeza de seus dedos. — Você vem sempre aqui, Matteo? — Às vezes. E você? Soltei uma risada curta. — É tão evidente assim que esta é a minha primeira vez? Ele olhou ao redor, depois voltou a atenção para mim. — Você está observando tudo como se estivesse tentando descobrir quanto custa cada coisa. Arregalei os olhos. — Eu não estava fazendo isso! Ele ergueu as sobrancelhas. Cruzei os braços, fingindo indignação. — Está bem. Talvez estivesse tentando descobrir quanto custa algumas coisas. Você viu o preço das bebidas? Com esse dinheiro, eu compraria comida para uma semana inteira. Matteo riu novamente. — Você tem uma maneira peculiar de avaliar as coisas. — E você tem uma maneira peculiar de iniciar conversas. — Estamos quites, então. Não consegui evitar o sorriso que surgiu nos meus lábios. A conversa começou a fluir com uma facilidade que eu não esperava. Ele fez algumas perguntas sobre Londres, e contei que estava na cidade havia apenas uma semana, hospedada na casa de uma amiga enquanto tentava organizar minha vida e encontrar um emprego. Não entrei em detalhes sobre Denis. Ainda não estava pronta para transformar uma conversa agradável em um relato das coisas que preferia esquecer. Matteo pareceu perceber minha reserva e não insistiu. Em vez disso, perguntou o que eu gostava de fazer quando não estava procurando trabalho. Pisquei, surpresa. Fazia tanto tempo que ninguém me perguntava algo assim que precisei pensar antes de responder. — Gosto de cozinhar. De assistir a filmes ruins e reclamar deles como se eu fosse uma crítica profissional. E gosto de conversar quando estou à vontade. — E quando não está? Olhei para o copo. — Faço perguntas demais para disfarçar o nervosismo. Ele inclinou a cabeça, e seus olhos permaneceram nos meus por um instante. — Não percebi. Soltei uma gargalhada. — Mentiroso! O sorriso dele se alargou. E, pela primeira vez em muito tempo, ri sem me preocupar com a aparência do meu rosto, com o tamanho do meu corpo ou com a possibilidade de alguém estar me julgando. Quando percebi, minha bebida já estava quase no fim. Olhei para o copo e depois para Matteo, que continuava me observando com aquela expressão divertida. — O quê? — perguntei. — Nada. — Você está olhando para mim. — Tenho olhos, Natasha. Revirei os meus. — Você é sempre convencido assim? — Só quando a conversa vale a pena. Meu coração deu uma batida inesperadamente forte. Baixei os olhos, fingindo interesse pela fatia de limão no fundo do copo. Eu não sabia quem Matteo era, de onde vinha ou o que fazia da vida. Não sabia sequer se voltaria a encontrá-lo depois daquela noite. Mas, enquanto ele se inclinava ligeiramente na minha direção e perguntava se eu aceitaria outra bebida, percebi que já não estava pensando em Denis. E isso, por si só, parecia um pequeno milagre. Talvez Camila tivesse razão. Talvez aquela noite pudesse me oferecer algo confundiralém de lembranças ruins. Eu só precisava ter cuidado para não uma conversa agradável com algo que ainda não estava preparada para viver. Porque, naquele momento, o desconhecido sentado ao meu lado parecia perigosamente capaz de fazer com que eu baixasse a guarda.Capítulo 7 Matteo Cole O último andar da Cole Empresas de Tecnologia era o meu território. As paredes de vidro ofereciam uma vista privilegiada de Londres, enquanto os móveis escuros, os detalhes em metal e a iluminação discreta davam à minha sala um ar sofisticado. Atrás da minha mesa de madeira maciça, uma estante exibia alguns prêmios da empresa, e uma pequena sala de reuniões separada por portas de vidro ocupava o lado oposto do ambiente. Tudo estava exatamente como eu gostava: organizado, silencioso e sob controle. Ou quase tudo. — Quantas candidatas ainda faltam? — perguntei, sem tirar os olhos do currículo que estava sobre a mesa. Minha secretária, Victoria, consultou o tablet. — Mais duas, senhor Cole. A última está aguardando na recepção. Soltei um suspiro impaciente e larguei a caneta. Aquela manhã estava sendo um verdadeiro teste de resistência. Eu precisava de uma assistente pessoal competente, discreta e capaz de lidar com a minha agenda sem transformar cada co
Capítulo 6 Natasha Torres O céu de Londres começava a clarear quando cheguei ao apartamento de Camila. Meus pés doíam dentro dos sapatos, meu cabelo estava uma bagunça e eu sentia o corpo inteiro reclamar depois de uma noite que, definitivamente, não estava nos meus planos. Ainda assim, havia um sorriso insistente nos meus lábios, daqueles que a gente tenta esconder, mas que teimam em aparecer a cada lembrança. A noite anterior tinha sido uma loucura. Uma loucura deliciosa, diga-se de passagem. Girei a chave na fechadura com o máximo de cuidado, segurando a respiração quando a porta rangeu baixinho. A última coisa que eu queria era acordar Camila naquele horário e ter que responder a um interrogatório antes mesmo de tomar um banho. Entrei na ponta dos pés, tirei os sapatos e os segurei pelas tiras. O apartamento estava silencioso, iluminado apenas pela claridade azulada que atravessava as cortinas da sala. Dei um suspiro aliviado. — Finalmente em casa... — Ah, então
Capítulo 5 Matteo Cole Natasha adormeceu primeiro.O corpo dela estava quente e pesado contra o meu, uma perna jogada sobre a minha coxa, o rosto enterrado no meu peito. A respiração lenta e regular fazia o seio direito subir e descer num ritmo hipnótico. O cabelo bagunçado cobria parte do ombro dela, sentir o cheiro de sexo, perfume e suor misturados na nossa pele. Eu fiquei parado por longos minutos, só olhando. Nunca tinha ficado tanto tempo depois de transar com uma mulher. Normalmente eu já estaria no banheiro, vestindo a camisa, calculando quanto tempo levaria para chegar em casa sem parecer rude. Mas ali, com o calor dela colado em mim, eu não conseguia me mexer. A noite tinha sido… diferente. Eu fechei os olhos e revivei cada segundo. O jeito como ela montou em mim, mandando eu sentar. O gemido rouco quando eu a virei de quatro. A forma como ela pediu para eu gozar dentro. Nenhuma das modelos que eu tinha levado para a cama, mulheres magras, perfeitas, treinadas para agr
Capítulo 4 Matteo Cole A porta do quarto se fechou atrás de nós com um clique suave. Natasha ficou parada no meio do espaço amplo, a luz baixa da cidade entrando pelas cortinas semiabertas. A blusa preta marcava cada curva, o decote profundo revelando o começo da tatuagem no peito. Eu tirei o paletó sem tirar os olhos dela e joguei sobre a poltrona. — Vem cá — eu disse, a voz mais baixa do que o normal. Ela veio ainda receosa. Os saltos dela ecoaram no chão de madeira até parar na minha frente. Eu passei os polegares pelas laterais do rosto dela, sentindo a pele quente, e desci a boca até a dela. O beijo começou lento, mas em segundos se transformou em algo faminto. Natasha abriu os lábios para mim, a língua quente e doce do coquetel. Eu puxei o corpo dela contra o meu e senti os seios macios pressionarem o peito. As mãos dela subiram pelo meu peito, desfazendo os botões da camisa social com pressa. Quando a peça caiu no chão, ela passou as palmas pelas minhas costas nuas e sol
Capítulo 3 Matteo Cole Eu nunca precisei me esforçar muito para conseguir a atenção de uma mulher. Bastava entrar em um restaurante, atravessar o salão de uma festa ou me sentar em um bar para perceber os olhares acompanhando meus movimentos. Algumas mulheres sorriam descaradamente. Outras inventavam desculpas para passar perto da minha mesa. Havia aquelas que fingiam não me reconhecer, embora seus olhos entregassem a curiosidade. Eu conhecia aquele jogo. E, para ser sincero, gostava de jogá-lo. Aos trinta e cinco anos, dono de uma das empresas de tecnologia mais rentáveis de Londres, eu tinha dinheiro, influência e uma aparência que, segundo Scott, era uma combinação injusta para o restante da população masculina. Nunca me faltaram opções. Relacionamentos sérios, entretanto, não faziam parte dos meus planos. Gostava da conquista, da novidade e da liberdade de ir embora pela manhã sem precisar explicar a ninguém por que não ligaria no dia seguinte. Naquela noite, eu só queria b
Capítulo 2 Natasha Torres Eu ainda não acreditava que tinha aceitado sair com Camila para aquele lugar. O bar parecia ter sido criado para pessoas que nasceram cercadas de dinheiro. Lustres dourados iluminavam o teto, as paredes escuras refletiam a luz suave das luminárias, e o balcão de mármore se estendia por quase todo o salão. Havia sofás de veludo, mesas elegantes e pessoas vestidas com roupas que provavelmente custavam mais do que tudo o que eu tinha levado comigo para Londres. O ar estava impregnado de perfumes caros, bebidas e uma fragrância amadeirada que tornava o ambiente ainda mais sofisticado. Olhei para minha blusa preta e minha calça de cintura alta. Será que eu deveria ter escolhido outra roupa? Antes que pudesse me arrepender de ter saído de casa, Camila segurou meu braço e me puxou para dentro. — Vamos, mulher! Você está andando como se estivesse entrando em um tribunal. — Talvez porque eu esteja me sentindo julgada por todas as pessoas daqui. Ela soltou um







