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aposta cumprida

last update Petsa ng paglalathala: 2026-10-31 09:31:47

Capítulo 5

Matteo Cole

Natasha adormeceu primeiro.

O corpo dela estava quente e pesado contra o meu, uma perna jogada sobre a minha coxa, o rosto enterrado no meu peito. A respiração lenta e regular fazia o seio direito subir e descer num ritmo hipnótico. O cabelo bagunçado cobria parte do ombro dela, sentir o cheiro de sexo, perfume e suor misturados na nossa pele.

Eu fiquei parado por longos minutos, só olhando.

Nunca tinha ficado tanto tempo depois de transar com uma mulher. Normalmente eu já estaria no banheiro, vestindo a camisa, calculando quanto tempo levaria para chegar em casa sem parecer rude. Mas ali, com o calor dela colado em mim, eu não conseguia me mexer.

A noite tinha sido… diferente.

Eu fechei os olhos e revivei cada segundo. O jeito como ela montou em mim, mandando eu sentar. O gemido rouco quando eu a virei de quatro. A forma como ela pediu para eu gozar dentro. Nenhuma das modelos que eu tinha levado para a cama, mulheres magras, perfeitas, treinadas para agradar, tinha se entregado daquele jeito. Nenhuma tinha me olhado como se eu fosse a única coisa que importava naquele momento.

Levantei com cuidado para não acordá-la.

O chão frio do quarto contrastava com o calor que ainda queimava sob a pele. Peguei a cueca e vesti só ela. Depois comecei a andar de um lado para o outro, a mão passando pelo cabelo, o peito apertado de um jeito que eu não reconhecia.

“Foi só sexo”, eu repeti mentalmente.

“Uma aposta. Nada mais.”

Mas o corpo não colaborava. Cada vez que eu fechava os olhos, via o rosto dela contorcido de prazer. Sentia o aperto dela ao redor do meu pau. Ouvia o meu nome saindo daquela boca como se fosse uma oração suja.

Eu balancei a cabeça com força, tentando afastar as imagens.

É só uma aposta, Matteo.

Ela com certeza só quis transar.

Amanhã ela nem vai lembrar do seu nome.

Mulheres assim não ficam. Elas somem antes que você tenha tempo de se apegar.

A lógica era clara. Eu conhecia o jogo. Tinha inventado metade das regras.

Ainda assim, o peito doía.

Fui até o banheiro e abri o chuveiro no máximo quente. A água escorreu pelo corpo, lavando o cheiro dela, mas não a memória. Apoiei as mãos na parede de azulejo e deixei a cabeça cair para a frente. O vapor encheu o box. Eu respirei fundo, tentando organizar os pensamentos.

Quando saí, o corpo ainda estava tenso. Enrolei a toalha na cintura e abri a porta do banheiro.

O quarto estava diferente.

A cama estava arrumada de qualquer jeito, mas vazia. As roupas dela não estavam mais espalhadas no chão. A blusa preta, a calça verde, o sutiã… tudo sumiu. A bolsa que ela tinha deixado na poltrona também.

Natasha tinha ido embora.

Eu fiquei parado no meio do quarto, a toalha escorregando um pouco na cintura, o cabelo ainda molhado pingando no peito. O silêncio era ensurdecedor. Só o barulho distante da cidade entrava pela janela.

Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer arranhar a palma.

Eu estava certo.

Ela só tinha querido sexo.

Tinha gozado, se vestido e sumido antes que as coisas ficassem complicadas.

Exatamente o que eu faria.

Então por que o peito estava tão pesado?

Caminhei até a cama e sentei na beira. O lençol ainda estava quente no lugar onde ela tinha dormido. Eu passei a mão ali, sentindo o calor residual. O cheiro dela ainda pairava no ar, doce, misturado com o meu.

Levantei de novo e fui até a janela. Londres piscava lá embaixo, indiferente. Eu apoiei a testa no vidro frio e fechei os olhos.

“Foi só uma aposta.”

A frase soava cada vez mais falsa.

Porque, pela primeira vez em anos, eu não queria que a mulher tivesse ido embora.

E essa realização me assustava mais do que qualquer reunião de acionistas.

Eu voltei para a cama, deitei no lado que ainda carregava o cheiro dela e fiquei olhando para o teto.

Amanhã eu ia ligar para Scott e dizer que a aposta estava cumprida.

Amanhã eu ia fingir que nada daquilo tinha importado.

Mas naquela madrugada, sozinho num quarto de hotel que ainda cheirava a ela, eu já sabia que estava mentindo para mim mesmo.

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