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A aposta.

last update Petsa ng paglalathala: 2026-10-31 06:36:02

Capítulo 3

Matteo Cole

Eu nunca precisei me esforçar muito para conseguir a atenção de uma mulher.

Bastava entrar em um restaurante, atravessar o salão de uma festa ou me sentar em um bar para perceber os olhares acompanhando meus movimentos. Algumas mulheres sorriam descaradamente. Outras inventavam desculpas para passar perto da minha mesa. Havia aquelas que fingiam não me reconhecer, embora seus olhos entregassem a curiosidade.

Eu conhecia aquele jogo. E, para ser sincero, gostava de jogá-lo.

Aos trinta e cinco anos, dono de uma das empresas de tecnologia mais rentáveis de Londres, eu tinha dinheiro, influência e uma aparência que, segundo Scott, era uma combinação injusta para o restante da população masculina.

Nunca me faltaram opções. Relacionamentos sérios, entretanto, não faziam parte dos meus planos. Gostava da conquista, da novidade e da liberdade de ir embora pela manhã sem precisar explicar a ninguém por que não ligaria no dia seguinte.

Naquela noite, eu só queria beber alguma coisa, relaxar depois de uma semana de reuniões intermináveis e ouvir Scott reclamar de algum problema que, provavelmente, ele mesmo havia criado.

Cheguei ao bar pouco depois das nove. Entreguei o casaco a um funcionário e encontrei meu sócio em uma mesa reservada, perto das janelas que davam para a cidade iluminada.

— Finalmente! — ele reclamou quando me aproximei. — Pensei que tivesse decidido passar a noite trabalhando.

Afrouxei discretamente o nó da gravata antes de me sentar.

— Se dependesse de você, eu deveria trabalhar até aos domingos.

— Alguém precisa garantir que você não transforme a empresa em um clube particular para executivos entediados.

Soltei uma risada e fiz sinal para o garçom.

— Uísque. Sem gelo.

Scott pediu outra bebida e voltou a falar sobre o trabalho. Escutei metade do que ele disse, respondi ao que considerei importante e, quando finalmente encerramos o assunto, deixei meu olhar passear pelo salão.

O lugar estava cheio. Música baixa, conversas animadas, mulheres elegantes e homens convencidos de que seus relógios caros eram suficientes para impressionar alguém.

Nada que eu já não tivesse visto.

— Lá está você outra vez — Scott comentou.

Voltei os olhos para ele.

— Estou aqui há menos de meia hora. Do que está falando?

— Desse seu olhar de quem está escolhendo a próxima conquista.

Apoiei o copo na mesa.

— Não sabia que precisava da sua autorização para olhar ao redor.

— Não precisa. Mas é engraçado como você consegue transformar qualquer saída entre amigos em uma competição para ver quantas mulheres consegue levar para casa.

— E qual é o problema? Sou solteiro.

Scott balançou a cabeça, divertido.

— Nenhum. Só acho que você se tornou previsível.

Minha sobrancelha se ergueu.

— Cuidado com o que diz.

— Você ouviu. Sempre escolhe mulheres que correspondem ao mesmo padrão: magras, bonitas, impecavelmente vestidas. Mulheres que provavelmente já sabem seu nome antes mesmo de você se apresentar.

Dei um gole no uísque.

— E você está sugerindo que eu deveria escolher alguém de quem não gosto?

— Estou sugerindo que talvez sua confiança não seja tão impressionante quanto você pensa.

Soltei uma gargalhada curta.

— Scott, por favor. Nunca tive dificuldade para conquistar uma mulher.

— É justamente isso que quero descobrir.

Ele se inclinou sobre a mesa, com aquele sorriso que eu conhecia bem. Era o sorriso de quem estava prestes a fazer alguma idiotice e pretendia me arrastar junto.

— Aposto que você não conseguiria levar para a cama uma mulher acima do peso, fora do seu tipo habitual.

Parei com o copo a poucos centímetros da boca.

— Você está falando sério?

— Completamente.

Olhei para ele, esperando que desistisse da provocação. Scott, porém, parecia cada vez mais satisfeito consigo mesmo.

— Você quer apostar que não consigo conquistar uma mulher?

— Quero apostar que você não consegue sair da sua zona de conforto. Você se acha irresistível porque está acostumado a receber atenção de mulheres que já se interessam pelo seu dinheiro, pelo seu rosto ou pelo seu sobrenome.

Minha mandíbula se contraiu.

Eu detestava que alguém duvidasse de mim, principalmente quando essa pessoa me conhecia havia anos.

— E qual seria o desafio?

Scott abriu um sorriso.

— Escolho a mulher. Você se aproxima, conversa com ela e a conquista. Sem usar seu cargo ou se gabar do que possui.

— Só isso?

— Se é tão fácil, não vejo por que está demorando para aceitar.

Estendi a mão sobre a mesa.

— Fechado.

Scott apertou minha mão, satisfeito.

Foi então que seu olhar se desviou para o balcão.

— Aquela ali.

Acompanhei a direção indicada por ele.

Uma mulher estava sentada sozinha em um dos bancos, segurando um copo rosado entre os dedos. Usava uma blusa preta e uma calça que valorizava suas curvas. Os cabelos caíam sobre os ombros, e ela parecia observar o salão com a cautela de quem ainda não estava inteiramente à vontade naquele ambiente.

Era uma mulher de corpo cheio, diferente do padrão que eu costumava procurar.

Mas não foi isso que me fez continuar olhando.

Ela tinha uma expressão curiosa, quase desconfiada, enquanto examinava o próprio copo. Em determinado momento, fez uma careta depois de experimentar a bebida e murmurou alguma coisa para si mesma.

Aquilo me arrancou um sorriso.

— Está brincando comigo? — perguntei a Scott.

— De jeito nenhum. Aquela é a sua oportunidade.

— Você escolheu a mulher mais próxima do balcão?

— Escolhi a mulher que você está tentando fingir que não achou interessante.

Lancei-lhe um olhar de advertência.

— Você vai se arrepender dessa aposta.

— Espero que não seja você quem se arrependa.

Terminei minha bebida e me levantei.

Antes de me afastar, Scott ainda acrescentou:

— E tente não mencionar quantas mulheres já passaram pela sua cama. Talvez não seja a melhor maneira de começar.

Mostrei-lhe o dedo do meio sem olhar para trás e atravessei o salão.

A mulher não percebeu minha aproximação. Estava concentrada no cardápio, franzindo a testa como se tentasse resolver uma equação complicada.

Parei ao lado dela.

— Essa é uma escolha interessante.

Ela virou o rosto, e seus olhos encontraram os meus.

Por um instante, pareceu surpresa. Logo depois, porém, ergueu o queixo e perguntou se eu estava falando da bebida.

Gostei da resposta.

A maioria das mulheres teria aproveitado a oportunidade para sorrir, fazer um elogio ou demonstrar que sabia exatamente quem eu era. Ela, ao contrário, parecia preparada para discutir comigo por causa de um simples coquetel.

Sentei-me ao seu lado.

A conversa começou com provocações, mas logo percebi que ela tinha um humor inesperado. Natasha não tentava parecer sofisticada, não fingia conhecer bebidas caras e tampouco parecia preocupada em me impressionar.

Quando me contou que, com o preço de um dos coquetéis daquele lugar, conseguiria comprar comida para uma semana inteira, não consegui conter a risada.

— Você tem uma maneira peculiar de avaliar as coisas — comentei.

— E você tem uma maneira peculiar de iniciar conversas.

Sorri.

Ela me devolveu o sorriso, e alguma coisa naquela reação espontânea me fez querer continuar ali.

Perguntei sobre Londres, e Natasha explicou que havia chegado recentemente para ficar na casa de uma amiga. Estava procurando trabalho e tentando se adaptar à cidade.

Não perguntou sobre minha profissão, meu dinheiro ou minha vida. Quando mencionei meu nome, limitou-se a se apresentar como se estivéssemos em qualquer bar, em qualquer noite.

Eu não disse que era o CEO da Cole Enterprises.

A aposta exigia que eu a conquistasse sem recorrer ao meu cargo, e, naquele momento, não vi motivo para estragar a conversa com informações que ela não havia pedido.

Com o passar dos minutos, Natasha foi relaxando. Seus ombros perderam a rigidez, suas respostas ficaram mais rápidas e seu riso passou a surgir com facilidade.

Ela contou uma piada sobre entrevistas de emprego que me fez rir tanto que precisei apoiar o copo no balcão.

— Você está rindo porque a piada foi boa ou porque está com pena de mim? — perguntou, estreitando os olhos.

— Ainda estou decidindo.

Ela me deu um leve empurrão no braço.

— Convencido!

A palavra saiu acompanhada de uma gargalhada, e eu me peguei observando seu rosto por tempo demais.

Não era apenas a aparência dela que me chamava a atenção. Era a maneira como falava, como gesticulava e como parecia esquecer as próprias inseguranças quando se sentia confortável.

— E a sua amiga? — perguntei quando ela olhou pela terceira vez na direção das mesas.

Natasha suspirou dramaticamente.

— Camila me trouxe para cá porque precisava encontrar o namorado. Prometeu que não me abandonaria, mas acho que já se esqueceu de que eu existo.

Olhei discretamente ao redor e identifiquei a amiga dela abraçada a um homem do outro lado do salão.

— Parece que ela está bastante ocupada.

Natasha acompanhou meu olhar e soltou uma risada.

— Está vendo? É por isso que não se deve confiar em melhores amigas apaixonadas.

— E o que pretende fazer agora?

Ela ergueu o copo vazio.

— Acho que vou aproveitar a noite. Já que fui abandonada, pelo menos quero ter uma história engraçada para contar amanhã.

Chamei o garçom e perguntei se ela queria outra bebida. Natasha aceitou um coquetel leve, e eu pedi mais um uísque para mim.

Continuamos conversando. Ela falou sobre filmes, sobre os costumes que ainda achava estranhos em Londres e sobre a dificuldade de entender algumas expressões dos ingleses. Eu contei histórias de viagens e de reuniões que teriam sido muito mais produtivas se determinadas pessoas soubessem permanecer caladas.

— Você está falando de si mesmo? — ela perguntou.

— Eu jamais admitiria isso.

Ela caiu na gargalhada.

Quando sugeri que nos afastássemos do balcão para conversar em um lugar mais tranquilo, Natasha olhou para o salão e depois para mim.

— Você conhece algum lugar melhor?

— Existe uma área reservada no andar de cima. Podemos conversar sem precisar competir com a música.

Ela hesitou por um instante, avaliando minha expressão.

— Tudo bem. Mas, se você tentar me convencer de que bebidas caras são melhores só porque custam uma fortuna, vou embora.

Estendi o braço, divertido.

— Prometo me comportar.

Natasha aceitou meu convite e caminhou ao meu lado até a escada que levava à área VIP.

Enquanto subíamos, ela começou a contar outra piada, gesticulando tanto que quase perdeu o equilíbrio no último degrau. Segurei seu braço por reflexo, e ela se apoiou em mim por um breve instante.

Nossos olhares se encontraram.

O sorriso dela diminuiu, mas não desapareceu.

— Obrigada — murmurou.

— Cuidado. Ainda nem chegamos ao andar de cima.

Ela riu e voltou a caminhar.

Eu deveria estar pensando na aposta, no sorriso satisfeito de Scott e na facilidade com que havia aceitado aquele desafio.

Em vez disso, estava curioso para descobrir o que mais faria Natasha rir daquela maneira.

E essa curiosidade, percebi, poderia tornar a noite muito mais interessante do que eu havia planejado.

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