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O Ceo apostou na gordinha errada
O Ceo apostou na gordinha errada
Author: AneteSalvatore

O começo

last update publish date: 2026-10-31 05:57:21

Capítulo 1

Natasha Torres

Fazia uma semana que eu estava em Londres, hospedada no apartamento da minha melhor amiga, Camila, e ainda parecia impossível acreditar que tinha conseguido chegar tão longe.

Às vezes, eu acordava pela manhã, olhava pela janela e ficava alguns minutos observando a cidade, tentando convencer a mim mesma de que aquela era a minha nova realidade. Eu estava em outro país, longe de tudo o que conhecia, tentando recomeçar a vida depois de quatro anos desperdiçados ao lado de um homem que, no momento em que conseguiu dinheiro, decidiu que eu não era mais boa o suficiente para ele.

Denis havia ganhado na loteria e, junto com o prêmio, parecia ter adquirido o direito de me humilhar.

Disse que eu era gorda, feia e que merecia uma mulher mais bonita ao seu lado. Depois, colocou minhas coisas para fora de casa como se eu fosse um objeto velho que já não tinha utilidade.

Ainda me lembrava da chuva gelada, da mala arrebentada e dos táxis que passavam sem parar. Lembrava do desespero de descobrir que não tinha dinheiro para me proteger daquela situação e de como me senti pequena quando percebi que não tinha para onde ir.

Se Camila não tivesse me ajudado, eu nem sabia o que teria acontecido comigo.

Apertei os olhos por um instante, afastando aquelas lembranças. Não queria pensar em Denis. Não queria lembrar da voz dele, muito menos das palavras que ainda pareciam ecoar dentro da minha cabeça.

Eu tinha atravessado um oceano para começar de novo. Precisava parar de permitir que um homem que não me merecia continuasse controlando meus pensamentos.

— Terra chamando Nat! Natasha Torres, você está me ouvindo?

Abri os olhos e encontrei Camila parada diante do sofá, com as mãos na cintura e uma expressão de impaciência divertida.

— O quê?

Ela soltou um suspiro exagerado.

— Meu Deus, amiga! Você estava tão longe que achei que precisaria comprar uma passagem para trazer você de volta.

Revirei os olhos, puxando uma almofada para o colo.

— Muito engraçada.

— Eu sei. Agora levanta, porque nós vamos sair.

Franzi a testa.

— Sair para onde?

Camila abriu um sorriso enorme, daqueles que sempre anunciavam alguma ideia que provavelmente terminaria comigo fazendo algo que não estava nos meus planos.

— Para um bar de luxo. Preciso encontrar o Henrique, e você vai comigo.

Olhei para ela como se tivesse acabado de anunciar que pretendia me levar para conhecer a família real.

— Um bar de luxo? Camila, você está falando sério?

— Completamente. Já estou pronta, só falta você.

Ela deu uma voltinha, exibindo o vestido preto que abraçava sua silhueta. Os cabelos estavam perfeitamente arrumados, a maquiagem destacava seus olhos e o perfume que usava já havia tomado conta da sala.

Enquanto isso, eu continuava de camiseta larga e short, com os cabelos presos de qualquer jeito.

— Não sei se devo ir — murmurei.

— E por que não deveria?

Apontei para ela.

— Porque você vai namorar, eu vou ficar segurando vela e, no final, vou passar a noite inteira olhando para vocês dois trocando beijinhos. Prefiro ficar aqui, comer alguma coisa e assistir a um filme.

Camila arregalou os olhos.

— Você está me dizendo que prefere passar mais uma noite trancada neste apartamento, de pijama, pensando naquele desgraçado?

A almofada escorregou das minhas mãos.

— Eu não estou pensando nele!

Ela cruzou os braços e inclinou a cabeça.

Fiquei em silêncio.

— Está bem — resmunguei. — Talvez um pouquinho.

— Natasha!

— O quê? Não tenho um botão na cabeça para desligar meus pensamentos!

Ela se aproximou e se sentou ao meu lado. A expressão brincalhona deu lugar a uma mais carinhosa, e seus dedos encontraram minha mão.

— Eu sei que não é fácil, amiga. Sei que você passou por coisas horríveis e que ainda está tentando colocar tudo no lugar. Mas você não pode deixar o que aquele homem fez decidir como serão todos os seus dias daqui para a frente.

Engoli em seco.

— É difícil não acreditar em algumas coisas quando alguém passa anos fazendo você se sentir insuficiente.

Camila apertou meus dedos.

— Então vamos começar a mudar isso. Você não precisa esquecer tudo hoje, nem fingir que está maravilhosa quando não está se sentindo assim. Só precisa se permitir viver um pouco.

Baixei os olhos para nossas mãos.

Uma parte de mim queria aceitar o convite. Queria colocar uma roupa bonita, sair, rir de alguma bobagem e experimentar a sensação de que minha vida não havia terminado naquela noite chuvosa.

A outra parte ainda tinha medo de ser observada, comparada e julgada.

Depois de ouvir tantas vezes que meu corpo era um problema, eu havia começado a enxergar defeitos até onde antes não procurava.

— E se as mulheres de lá forem todas lindas, magras e perfeitas? — perguntei baixinho.

Camila soltou minha mão apenas para segurar meu rosto entre as palmas.

— Então elas serão lindas, magras e perfeitas. E você continuará sendo a Natasha que eu conheço. Uma mulher inteligente, engraçada, teimosa e dona de um coração enorme. Nenhuma dessas coisas desaparece porque alguém não soube enxergar o seu valor.

Meus olhos arderam.

— Você tinha que ser psicóloga, sabia?

— Não tenho paciência para ouvir os problemas dos outros o dia inteiro. Prefiro resolver os seus de graça e cobrar caro pelos meus.

Soltei uma gargalhada antes de conseguir me conter.

Camila sorriu, satisfeita por ter arrancado aquela reação de mim.

— Pronto! É essa risada que eu quero ouvir hoje. Agora vai tomar banho, escolher uma roupa bonita e parar de inventar desculpas.

— Você é insuportável.

— E você me ama.

Infelizmente, ela tinha razão.

Levantei do sofá e caminhei até o quarto, ainda resmungando sobre a falta de consideração das melhores amigas que obrigavam as pessoas a sair de casa quando elas queriam ficar deitadas.

Atrás de mim, Camila gritou:

— E nada de escolher aquela roupa enorme que você usa para dormir!

— Eu ouvi!

— Ótimo! Porque hoje você vai se arrumar para você mesma!

Fechei a porta do quarto, balançando a cabeça, mas um pequeno sorriso permaneceu no meu rosto.

Abri o armário e comecei a procurar alguma coisa para vestir. Minhas opções não eram muitas. A maior parte das minhas roupas havia ficado para trás, e as poucas que trouxera comigo ainda estavam sendo organizadas.

Depois de experimentar duas blusas e reclamar da iluminação do espelho, escolhi uma blusa preta que valorizava minhas curvas e uma calça de cintura alta. Soltei os cabelos, passei um pouco de maquiagem e coloquei brincos discretos.

Quando terminei, fiquei diante do espelho.

Não parecia outra pessoa. Continuava sendo eu, com minhas curvas, minhas inseguranças e as marcas de uma semana que preferia esquecer.

Mas havia algo diferente naquela imagem.

Eu estava tentando.

Respirei fundo, peguei a bolsa e saí do quarto.

Camila me examinou da cabeça aos pés e abriu um sorriso satisfeito.

— Está linda!

— Não começa.

— Não estou começando nada. Estou apenas constatando um fato.

— Você é suspeita. É minha amiga.

— E tenho olhos perfeitamente funcionais.

Ri, pegando meu casaco.

Pouco depois, estávamos no elevador, descendo para encontrar o carro que nos levaria ao bar. Meu estômago dava pequenas voltas, e eu tentava disfarçar a ansiedade observando os números mudarem acima da porta.

— Vai dar tudo certo — Camila disse, percebendo meu nervosismo.

— Você promete que não vai me abandonar por horas com o Henrique?

Ela levou a mão ao peito, fingindo indignação.

— Eu jamais faria isso.

Olhei para ela com desconfiança.

— Camila.

— Está bem! Talvez eu fique alguns minutos com ele, mas vou conferir se você está viva de tempos em tempos.

— Que generosa.

As portas se abriram, e nós duas começamos a rir enquanto caminhávamos para a saída.

O ar frio da noite tocou meu rosto assim que deixamos o prédio. Apertei o casaco contra o corpo e entrei no carro, tentando imaginar como seria aquele lugar e se eu conseguiria aproveitar a noite sem me sentir deslocada.

Não fazia ideia de quem encontraria ali.

Na verdade, tudo o que eu queria era passar algumas horas longe das lembranças que ainda me perseguiam.

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