LOGIN“Algumas distâncias só parecem impossíveis até encontrarmos, do outro lado, alguém estendendo a mão.”
Nikolai Romanov
A expressão de Irina se suavizou depois da minha resposta, mas percebi em seus olhos que dizer que precisava vê-la não seria suficiente.
“Talvez a parte mais assustadora de viver algo inesquecível seja descobrir que nunca saberemos se o outro guardou a mesma lembrança.”Irina PetrovaAs portas do elevador se fecharam entre nós.E eu continuei olhando para o lugar onde Nikolai estava até que o metal refletisse apenas o meu rosto.Não chorei.Embora alguma coisa dentro do meu peito doesse de uma maneira que eu não conseguia explicar, mantive os olhos abertos e respirei fundo enquanto os números diminuíam lentamente acima da porta.Dezessete.Dezesseis.Quinze.
“Às vezes, não é a ausência de sentimento que cria distância, mas o medo de confiar naquilo que ainda não conseguimos compreender.”Nikolai RomanovA mudança não aconteceu de repente e talvez esse fosse justamente o problema.Não havia nada naquela cozinha que justificasse a inquietação que começava a crescer dentro de mim. Irina continuava exatamente onde esteve segundos antes, tomando café na minha cozinha, usando minha camisa e falando sobre alguma coisa que eu deveria estar ouvindo.Quem havia mudado era eu.Meu olhar permaneceu sobre Irina.Era a primeira manhã em qu
“Algumas coisas assustam menos enquanto pertencem à noite; o verdadeiro medo começa quando amanhece e elas continuam parecendo igualmente verdadeiras.”Nikolai RomanovA primeira coisa que percebi ao acordar foi que Irina ainda estava ali.A segunda foi que gostei disso mais do que deveria.Permaneci imóvel por alguns segundos, observando os cabelos vermelhos espalhados pelo travesseiro e parte do rosto escondida por eles, enquanto a luz da manhã atravessava as cortinas do quarto.Ela dormia de lado, tranquila, voltada para mim.Minha mão se moveu antes mesmo que eu pensasse no gesto e afastou uma mecha de seu rosto.Irina franziu levemente o nariz.Sorri.— Irina — chamei baixinho.Ela se mexeu sob o lençol, mas não abriu os olhos.— Katy… só mais cinco minutos.Minha sobrancelha se ergueu.— Katy?— Ainda não preciso levantar — murmurou, com a voz rouca de sono. — Desliga o alarme.— Não há nenhum alarme.Irina franziu levemente a testa. Abriu um olho, pronta para protestar, mas par
“Talvez algumas pessoas se tornem inesquecíveis não porque nos lembrem algo que já vivemos, mas porque despertam em nós uma sensação que, inexplicavelmente, parece ter estado ali a vida inteira.”Nikolai RomanovA noite poderia ter terminado ali. Talvez devesse.Mas, enquanto Irina permanecia deitada contra mim e o silêncio voltava a ocupar o quarto, percebi que alguma coisa dentro de mim continuava desperta.Passei os dedos lentamente por seus cabelos. Ela estava quieta, com a cabeça apoiada sobre meu peito.— Está acordada?— Hum.Sorri.— Isso não é uma resposta.Irina levantou um pouco o rosto.— Estou.Observei sua expressão por alguns segundos.— Eu machuquei você?A pergunta pareceu surpreendê-la.— O quê?— Está sentindo alguma dor?Ela ficou me olhando antes de desviar os olhos.— Um pouco. Só estou um pouco dolorida. Acho que é normal.Minha mão parou em seus cabelos.— Muito?— Não, Nikolai.— Eu deveria ter sido mais cuidadoso.Seus olhos voltaram imediatamente para os meu
“Há encontros que não apagam nada do que vivemos antes; apenas nos revelam que o coração ainda era capaz de conhecer alguma coisa inteiramente nova.”Nikolai RomanovDessa vez, não tentei conter o que aquela resposta fez comigo.Inclinei-me e a beijei com uma intensidade que fez Irina prender a respiração por um instante antes de seus braços envolverem meu pescoço e seu corpo se aproximar ainda mais do meu.Ainda havia cuidado.Haveria cuidado enquanto ela precisasse dele.Mas já não existia a mesma necessidade de esconder o quanto eu a desejava.
“Talvez algumas primeiras vezes não sejam determinadas pelo que nunca vivemos, mas por aquilo que, mesmo conhecido, alguém consegue fazer parecer inteiramente novo.”Nikolai RomanovFoi apenas um segundo.Mas, para Irina, pareceu suficiente.Vi a vulnerabilidade atravessar seus olhos antes mesmo que sua expressão mudasse e, quando sua mão se moveu, entendi imediatamente o que ela pretendia fazer.Esconder-se de mim.Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Irina levou a mão até a cicatriz numa tentativa instintiva de escondê-la, fazendo meu olhar retornar imediatamente ao seu rosto.







