Share

CAPÍTULO 5

Author: Fogo Selvagem
Quando a enfermeira estava prestes a responder, Lírio passou por ali e disse com um sorriso:

— Foi uma grávida do quarto de cima, expulsa do hospital onde estava antes.

— Lucas, nem dá ouvidos pra elas. Ouviram fofoca demais e acabam confundindo tudo.

Lucas acreditou nas palavras de Lírio sem hesitar.

Afinal, todos aqueles anos ele e Estela sempre se cuidaram, era quase impossível ela engravidar.

Falou num tom despreocupado:

— E a Estela? Ouvi dizer que ela também veio pro hospital.

Lírio desviou o olhar, nervoso.

— Ah, ela? Tá bem. Só uns arranhões de leve.

— Acho que ouviu que você veio ver a Jéssica e resolveu fingir estar machucada pra chamar a atenção.

Enquanto falava, lançou um olhar rápido pra Lucas.

Ele não desconfiou de nada, apenas franziu levemente a testa, soltou um riso frio e virou-se pra sair.

Lírio respirou aliviado.

Assim que Lucas foi embora, virou-se para as duas enfermeiras e advertiu:

— Ninguém comenta nada sobre a paciente deste quarto.

Ele sabia o quanto fora difícil pra Lucas e Jéssica se reconciliarem e não queria que nada atrapalhasse isso.

Mesmo ciente de que Lucas não gostava de Estela, não podia garantir que ele não se abalaria ao saber do bebê, ou que a pena e a culpa não falariam mais alto.

De um jeito ou de outro, com ele ali, Estela jamais teria sucesso no que planejava.

Dois dias depois, Estela recebeu alta e foi comprar um túmulo para o bebê.

Aquela criança nunca foi esperada, por isso ela não havia preparado roupinhas nem brinquedos.

Foi até o shopping e, seguindo as sugestões da vendedora, comprou tudo o que achou bonito.

No fim, até a própria vendedora tentou convencê-la:

— Senhora, bebê cresce rápido, não precisa comprar tanta coisa, vai acabar desperdiçando.

O nariz de Estela ardeu.

Balançou a cabeça.

Seu filho nunca teria a chance de crescer.

Mesmo tendo se preparado, ao ver o pequeno corpo sendo colocado no túmulo e a última pá de terra cobrindo tudo, as lágrimas caíram sem controle.

Aquela criança talvez fosse um bebê adorável, travesso como ela quando pequena, ou esperto e frio como Lucas, ou simplesmente quieto e obediente.

Talvez gostasse de cantar, talvez de dançar, ou talvez tivesse herdado do pai o talento para os negócios.

O futuro de uma criança sempre tem infinitas possibilidades.

Ela até tinha imaginado inúmeras reações de Lucas ao descobrir a existência desse bebê, mas nunca pensou que, antes mesmo de ele saber, o bebê perderia até o direito de nascer.

Ela e esse bebê tinham destino cruzado, mas não tinham destino junto.

O bebê escolheu ela com todo o coração para ser mãe, mas ela não teve força… nem conseguiu proteger a vida dele.

— Senhora, qual é o nome que vai na lápide?

O funcionário ao lado perguntou em voz baixa.

Só então Estela se lembrou de que o bebê nem nome tinha.

Ela pensou um pouco e, com um gosto amargo, respondeu:

— Esperança Silveira.

Seria para sempre o filho dela, e não importa quem o bebê escolha como pais na próxima vida, ele vai ter sempre a esperança de continuar vivendo.

De repente, o celular começou a tocar.

Estela tirou o aparelho do bolso e viu o nome da mãe de Lucas, sua sogra, Célia Guimarães.

— Estela, eu soube que você já faz três dias que não volta pra casa. Heh… tá ficando bem corajosa, né?

— Me diz, o que você pensa que está fazendo?

Assim que atendeu, Célia soltou a pergunta com um riso frio.

Desta vez, Estela não se apressou em explicar suas dificuldades como fazia antes.

Ela só falou com a voz calma:

— Nada demais.

Célia ficou sem reação por um segundo, e a irritação veio de imediato:

— Estela, que atitude é essa?

Como sempre, não importa o que Estela dissesse, Célia achava defeito e encontrava motivo pra acusá-la.

Célia desprezava Estela e vivia colocando lenha na fogueira entre ela e Lucas.

Logo no início do casamento, Lucas já detestava Estela, vivia passando noite fora, e Célia fazia questão de mandar Estela ligar pra ele, ou até ir atrás dele.
Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • O Dia em que Ele Aprende a Te Perder   CAPÍTULO 100

    A recepcionista ainda completou, com sinceridade:— O namorado da Sra. Estela é muito bonito.Os passos de Evandro pararam.O sorriso congelou.Pouco tempo depois de sair do escritório de Evandro, Estela recebeu uma ligação de Lucas.— Hoje à noite, venha à casa da família.O tom de Lucas continuava curto e direto, como sempre.Desta vez, Estela não concordou de imediato.Perguntou:— A Jéssica vai estar lá?Lucas hesitou por um segundo e respondeu:— Não. Hoje ela tem algo para resolver.Pelo jeito que ele disse, parecia que quem sempre estava sem nada para fazer era ela.Estela não se aprofundou nisso.Se Jéssica não ia, ela não recusaria voltar à casa para ver a avó.Ela respondeu que sim.Achou que Lucas fosse desligar na hora, como de costume.Mas, dois segundos se passaram, e a ligação continuava aberta, como se ele estivesse esperando algo.— Tem mais alguma coisa? — Estela perguntou.Lucas parou por um instante.Em seguida, a voz saiu fria:— Ingrata.Logo depois, a ligação foi

  • O Dia em que Ele Aprende a Te Perder   CAPÍTULO 99

    Estela não levou as palavras dele a sério.De cabeça baixa, carimbou o contrato, organizou as duas vias e se levantou.Entregou uma delas a ele:— Cooperação fechada.Rafael estendeu a mão.Estela achou que ele fosse pegar o contrato e chegou a aproximá-lo ainda mais.Mas Rafael segurou a mão dela.A palma grande envolveu os dedos dela.Um toque levemente frio veio pelas pontas dos dedos.Estela se sobressaltou e puxou a mão de volta, por instinto.— Cooperação fechada. — Rafael pegou o contrato com firmeza e sorriu de leve. — O que eu propus antes não era brincadeira. A Srta. Estela pode pensar a respeito.— Até mais.Depois de falar com educação, ele se virou e saiu com elegância.Ao passar pela recepção, ainda agradeceu com toda a cortesia.Por um instante, Estela ficou parada.Se não fosse a sensação real nos dedos, quase teria achado que tudo aquilo tinha sido imaginação.Ela chegou a pensar se Rafael não teria algum objetivo ao procurá-la.Mas, por mais que pensasse, não encontra

  • O Dia em que Ele Aprende a Te Perder   CAPÍTULO 98

    — Um dia? — Tiago soltou um riso frio e olhou para ela. — Tá bom. Vou te dar um dia. Se amanhã você não resolver isso, não me culpe quando eu não for mais educado.Depois de falar, ele se virou e saiu irritado, sem dar a Estela a chance de dizer uma palavra.Estela ficou sem reação. Ela até queria conversar direito com Tiago.Mas, depois da "ajudinha" de Paula, a chance tinha ido embora.Quando Tiago saiu, Paula olhou para Estela com uma expressão de quem fez o bem e disse:— Sra. Estela, vai pedir desculpa pro Sr. Lucas. Convence o Sr. Evandro a aceitar o investimento da Farias. Ouvi dizer que o Lucas sempre quis cooperar com a UME. E você é tão bonita… se ele te vir, com certeza vai mudar de ideia.O canto da boca de Estela se mexeu.Ela ficou um pouco irritada.Mas tinha acabado de chegar, ainda não conhecia bem todo mundo.Não sabia se Paula tinha falado por ingenuidade ou se estava provocando de propósito.No fim, não perdeu a calma.Respondeu com educação:— Isso não precisa da

  • O Dia em que Ele Aprende a Te Perder   CAPÍTULO 97

    Na memória dela, Lucas nunca batia na porta.Sempre que precisava falar com ela, entrava direto.Ele tinha mudado?Ou… não era ele?Enquanto pensava nisso, Estela ainda respondeu:— Pode entrar.Assim que terminou de falar, viu Evandro empurrar a porta e entrar.Ele segurava um copo, ainda soltando vapor:— Bebe um pouco. Vai se sentir melhor.Estela ficou um instante parada.Quando entendeu, acabou travando por um segundo.De fato, na lembrança dela, Evandro sempre foi alguém extremamente paciente.O que tinha acontecido na noite anterior, se fosse com ele, não pareceria estranho.Será que ela tinha confundido Evandro com Lucas?Então… a noite passada…O pensamento caiu como um raio.Ela não conseguiu se segurar e perguntou:— Você ficou aqui a noite inteira?Evandro percebeu o que ela estava pensando e assentiu:— Foi uma situação de emergência.Na noite anterior, depois de comparecer à noite beneficente a convite, ele saiu e não conseguiu encontrá-la.Quando estava prestes a ligar p

  • O Dia em que Ele Aprende a Te Perder   CAPÍTULO 96

    Ela falou de forma direta, sem rodeios, e isso fez Célia ficar um pouco surpresa.Ela se lembrava de como Jéssica era antes. Orgulhosa, cheia de si. Nunca teria dito algo tão suave.Célia soltou um riso curto:— Não pense que falando assim eu vou amolecer. O Lucas já é casado. Você não devia se meter no casamento deles.Jéssica fez uma pausa:— Eu sei que a senhora vai pensar assim. Mas a Estela ter saído da mansão realmente não foi coisa minha. Antes de eu me mudar pra lá, a Estela já tinha ido embora.— Se não acredita, pode perguntar pra Dona Vera.Dona Vera percebeu que, antes, não tinha entendido direito a situação e tinha avaliado mal a relação entre Jéssica e Célia.Agora, ela e Jéssica estavam no mesmo barco.Se Célia descobrisse que ela tinha ajudado Jéssica a pressionar Estela, o futuro dela ali não ia ser nada bom.Ao ouvir Jéssica, Dona Vera se apressou, quase em lágrimas:— É verdade, Sra. Célia. Naquela época, a Estela e o Lucas tiveram alguns atritos, e a Estela chorou e

  • O Dia em que Ele Aprende a Te Perder   CAPÍTULO 95

    Na mansão, era sempre Dona Vera quem cozinhava.Lucas nem sabia se Estela sabia fazer comida.No começo, chegou a se preocupar se aquilo ia ser um desastre.Mas, para sua surpresa, o sabor era bom.Quanto àquela sensação de familiaridade, ele não pensou muito.Atribuiu ao fato de estar com fome demais, achando que o paladar estava enganando.Nesse momento, veio uma batida na porta.Lucas se levantou e abriu.Gonçalo apareceu do lado de fora, suando da testa ao queixo.— Desculpe, Sr. Lucas. Teve um acidente com dois carros no elevado. O trânsito travou completamente.Por dentro, Gonçalo estava tenso.Imaginou que Lucas fosse explodir de raiva.Mas, desta vez, a reação foi fria.Lucas apenas estendeu a mão:— A roupa.Depois de ser arrastado por Estela o tempo inteiro, ele já não tinha energia para se irritar.Depois de trocar de roupa, os passos de Lucas, quase sem perceber, o levaram até o quarto.Ele empurrou a porta.Estela ainda não tinha acordado. Estava deitada na cama, as sobran

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status