LOGINMilena~
Uma substância queimando queima meus pulsos e tornozelos, fazendo minhas pálpebras pesadas tremularem. Tudo é um contorno embaçado. Sons ecoam enquanto lembranças batem. Uma lembrança do golpe brutal na minha cabeça e da poça de sangue de Mama.
“Mama,” eu sussurro, mas sou recebida com silêncio frio. Minhas têmporas latejam enquanto eu forço a lembrar o que aconteceu depois da escuridão.
Mas minha mente fica entorpecida.
Eu alcanço minha loba, a resposta dela vem como um gemido com respiração lenta e fraca. Minha loba está morrendo. Algo está nos matando.
Reunindo minha força, levanto a cabeça e observo o entorno. Por segundos, minha visão está embaçada, depois a clareza chega.
Estou ao ar livre — não, no meio da praça da matilha. O cheiro de sangue seco e ar empoeirado enche meu nariz.
Gritos da multidão ressoam na minha cabeça, me puxando mais fundo para a realidade.
Se estou certa, este é o terreno de leilão, um lugar onde Rogues e lobas Omega são vendidas para escravidão. Por que estou aqui? Por que aqueles homens feios me trouxeram aqui?
Minha garganta arrasta enquanto estudo os rostos felizes dos homens da nossa matilha, luxúria estampada em seus traços. Eles estão desesperados. Ansiosos para se envolver no que acontecer a seguir.
Apoiada no poste de aço, eu me encolho e sibilo enquanto a prata das correntes queima meus pulsos e tornozelos mais fundo. Meus pés descalços choram de dor.
O que aconteceu nos segundos em que estive inconsciente, e por quanto tempo eu apaguei?
“Três moedas de cobre.” Uma voz da multidão força minha cabeça a se virar naquela direção. É o açougueiro sujo da cidade. O ser nojento que constantemente me assediou desde que completei dezoito anos.
“Eu dou Dez,” ecoa outra voz.
Por que estão me leiloando? Eu sou a filha do Beta e não devo ser vendida. Se é sobre minha tentativa de fuga, existem outras punições. Por que isso?
“Alpha Vladimir, devo negociar sua mate por dez moedas de cobre?” o leiloeiro pergunta, e meu coração dispara em cem batidas.
Mate?
O que ele quer dizer? Como eu sou a mate do Alpha Vladimir? O leiloeiro está tropeçando na língua. Espero que ele não tenha esquecido as implicações de tal declaração. Já estou em uma tempestade. Ele não deveria criar outra.
Jogo a cabeça para trás para acalmar meu coração disparado, meus olhos percorrem a multidão, e eu ofego quando encontram os olhos cinza-água ofuscantes do Alpha Vladimir, o primeiro neto da família Ryders. Ele senta à minha direita, me encarando como se eu fosse a mulher mais estranha que ele já viu.
O cheiro dele, fumaça de madeira e patchouli, consome minhas narinas, fazendo minha boca salivar de uma forma proibida. Uma forma que eu nunca deveria sentir por nenhum homem. O monstro é de fato meu mate. Esta é uma confirmação; eu sou a pior criação da Deusa, e ela está atrás da minha vida.
Empurrando as lágrimas não derramadas que criam névoa, faço um esforço para desviar os olhos, mas um laço aquecido me mantém cativa, me forçando a notar o cabelo longo, escuro, tom de marrom do Alpha Vladimir, que sempre é brilhante e úmido.
O cabelo cai ao redor do rosto e ombros, emoldurando-os. Suas maçãs do rosto altas e a mandíbula forte são incrivelmente masculinas; ele é como uma criatura esculpida do ventre da Deusa em uma noite de lua perfeita. Nunca sei, eu vou passar a temer o fino cabelo no queixo dele. Costumava ser a coisa mais irritante nele.
Como um homem pode ser tão deliciosamente construído que até uma camisa preta curta molda seus músculos?
É inexplicável como ele é o homem mais atraente que eu já vi. Acredite em mim; esta não é a primeira vez que vejo este homem.
Mas hoje ele é diferente.
Lutando contra o impulso que conecta este monstro e eu, eu sibilo enquanto minha buceta lateja com uma doçura estranha. Meu sangue ferve enquanto meus mamilos endurecem, implorando pelo toque dele.
Eu quero este homem.
Não, eu não deveria querê-lo.
Por que meu corpo está me traindo? Isso é obra do laço de mate. Eu devo lutar contra isso. Eu nunca posso me entregar a um homem, especialmente um cruel como o Alpha Vladimir.
“Cinquenta moedas de cobre.” Uma voz ressoa da multidão, interrompendo o foco do Alpha Vladimir.
Se eu não conhecesse melhor este Alpha sem coração, eu diria que a mandíbula dele apertou quando a oferta foi feita.
“Cinquenta moedas de cobre! Final?” o leiloeiro anuncia, me trazendo de volta à realidade mais uma vez, e enchendo minha cabeça com os pensamentos certos.
Honestamente, por que estou sendo vendida? É porque eu queria fugir? Ou porque mudei na floresta Wilderdeep? O Alpha Vladimir veio me procurar sob a Árvore da Lua Cheia? Eu fiz o monstro todo-poderoso esperar?
Porque é traição fazer um Alpha esperar.
Se eu fiz, não é minha culpa. Eu não tinha ideia de que ele era meu mate ou que alguém da família Alpha se tornaria meu mate. Além disso, o Alpha Vladimir já está noivo de Lada Brooks, a princesa da Matilha Deadmoon.
Nós não podemos ficar juntos. Ele vai me rejeitar. Talvez seja por isso que ele me vendeu.
Ele deveria ter dito a linguagem da rejeição e me libertado para que eu pudesse seguir com minha vida. Mas sim, o monstro precisa mostrar por que é um monstro.
“Eu vou comprar a menina Beta por quinhentas barras de ouro,” um homem de capa preta fala em um tom baixo e rouco.
A oferta dispara ofegos da multidão. “Quinhentas barras? Ninguém nunca foi vendido por uma quantia dessas. E por que alguém compraria uma mulher por um preço tão alto?” Eles discutem.
O leiloeiro limpa a garganta enquanto o homem sai da multidão. O nariz mascarado com couro, deixando os olhos castanho-claros, que não revelam nada.
“Todos nós sabemos que ela é filha de um Beta,” o leiloeiro começa, “... mas ela continua sendo uma mulher e agora uma escrava. Nenhuma mulher deveria valer quinhentas barras de ouro.”
“Não cabe a você decidir. Deixe seu Alpha falar.” O homem se aproxima, jogando cinco sacos de ouro aos pés do leiloeiro.
“Mas quinhentas barras—”
“Negócio,” o Alpha Vladimir interrompe o leiloeiro.
“Alpha—”
“Você deseja a morte?” O Alpha Vladimir aperta a mandíbula.
“Perdoe-me, Alpha.” O leiloeiro se curva antes de se virar para a multidão. “Milena Blackwood é vendida por… por quinhentas… barras de ouro. Final!”
Quando o veredicto final rola, o Alpha Vladimir se levanta e sai furioso. Seu pai e o Tato fazem o mesmo sem olhar para mim.
Murmúrios de decepção enchem o ar enquanto a multidão se divide em todas as direções.
O leiloeiro franze o nariz. Seus olhos condescendentes pousam em mim. “Seja grata que o Alpha está de bom humor. Você teria pago mais caro por se tornar a mate dele.” Ele cospe, pega os sacos de ouro e sai furioso.
Isso é ridículo. Como os homens podem ser tão estúpidos? Eu deveria ser grata a um homem que me humilhou e arruinou meus planos. Ele poderia ter me rejeitado. Me vender é pior que a morte. Eu vou guardar isso contra ele para sempre.
O homem que me comprou, ou devo dizer, ‘meu mestre’… hmph! Isso é absurdo. Meu suposto mestre sobe no bloco de leilão.
“Hora de ir,” ele diz, desfazendo as correntes nos meus pulsos.
Por momentos, eu tinha esquecido o quão terrivelmente a prata estava comendo minha pele.
“Vamos esperar não encontrar nenhum rogue do mar.” Ele desenrola a corrente ao redor dos meus tornozelos.
Soltando um suspiro profundo, eu sussurro: “Por que você me comprou?”
“Eu nunca comprei.”
“Então quem comprou?”
“Alguém que se importa.”
“Quem?”
Ele pausa, encarando meus olhos. “Eu odeio perguntas.”
“Eu não me importo com o que você odeia.” Eu mordo a língua, engolindo de volta minha fala rude.
“Você deveria.” Ele examina meu corpo, sem soar ofendido. “Seus hematomas estão cicatrizando mais rápido. Estranho para uma Beta.”
Minha garganta arrasta enquanto eu mudo de pé. Eu tinha esquecido a identidade de Nana. Não posso arriscar suspense. Vou garantir que ela esteja segura. “Até onde vamos?”
Ele me encara de forma fria, e eu engulo o nó na garganta. “Por favor,” eu murmuro, a voz tremendo.
A informação é importante. Vai me ajudar a saber meu destino.
“Depende do capitão.” Ele desce do bloco. “Nosso tempo começa agora,” ele diz e se afasta.
Honestamente, eu quero fugir, não de volta para casa, porque seria facilmente encontrada. Talvez para a costa e embarcar no meu navio. Mas é impossível, especialmente cercada por guerreiros com olhares mortais, esperando você agir de forma tola.
Um protesto meu, e eu estou acabada, não posso deixar que eles acabem com minha vida. Pode haver chances de eu escapar como escrava. Eu rezo para não ser comprada por outro monstro como o Alpha Vladimir.
Eu rezo para que a Deusa me dê uma segunda chance de alcançar meus sonhos e algum dia voltar.
Eu rezo para que a vida à frente seja justa.
Eu rezo—
“Não temos muito tempo,” o homem grunhe, me dando um olhar mortal.
Eu aceno com a cabeça e desço depressa. Dando uma última olhada para a minha matilha enquanto caminho atrás do homem mascarado, lágrimas que eu não sabia que estava segurando escorrem pelas minhas bochechas.
Por mais que eu finja ser forte, não posso negar que meu coração dói terrivelmente. A dor cava fundo, sabendo que agora sou uma escrava, e minha identidade como Beta está perdida para sempre.
O pior é que não sei se Mama está viva ou se algum dia vou vê-la de novo.
E quanto ao Alpha Vladimir, o monstro deveria rezar para que nossos caminhos nunca se cruzem novamente.
Nunca.
Milena~Sons estranhos ressoam na minha cabeça acompanhados de uma dor insuportável. Eu gemo de miséria. Uma agonia esmagadora que força minhas lágrimas a descerem pelas bochechas. O peso na minha cabeça atinge quando o último nome que ouvi antes da escuridão me consumir se infiltra no meu subconsciente.Dragomir. Dragomir, a fera.Meu suspiro dispara mais alto que um grito que estilhaça vidros quando a realização me atinge. O homem errado foi o último ser que vi antes de eu desmaiar. Não, ele me bateu e me mandou para a escuridão. Um lugar que temo estar.Com a mão pressionada contra a madeira, meu corpo ganha apoio, e eu me sento ereta. Todo o meu ser treme de dor.“Bem-vinda de volta”, diz Dragomir, e eu o encaro de forma fraca.“Onde estamos?” Estou fraca demais para notar o que me cerca.“Minha carruagem.” Ele se inclina.“Carruagem?” Com os olhos pesados, eu examino em volta. É uma carruagem em movimento com Dragomir bem posicionado no seu assento, e eu sentada a seus pés.“Si
Milena~Folhas chicoteiam minha pele enquanto minhas pernas disparam mais rápido pela floresta do que nunca fizeram. A azedura dos meus pés nas sandálias aumenta enquanto eu escalo a primeira rocha.Esta rota é perigosa e mais difícil que a anterior. Mas é a melhor forma de prevenir que Vladimir ou seus homens me alcancem.O guarda deve ter acordado e notado que eu sumi. Vladimir e seus cães devem já estar à procura de mim.Eu abraço meu livro médico e a pequena bolsa de joias que eu roubei, perto do peito enquanto desacelero o ritmo, caminhando com cuidado de rocha em rocha. Mark me mostrou este caminho num dos dias em que caminhamos juntos.Ele disse que é o caminho mais curto que leva à praia. Da última vez que escapei, eu não tive tempo para preparação adequada. Mas desta vez, tudo foi disposto. Com as joias, eu posso pagar meu caminho.E com meu livro médico, será fácil encontrar Jovana.Deslizando pela rocha mais alta, eu aterriss o no solo literado com folhas mortas e raízes de
Lada~Eu sei de tudo.Eu vejo tudo.Mas como todos no mundo, Alfa Vlad pensa que eu sou estúpida. Que eu sou uma princesa mimada e burra, criada para entender nada além de estupidez, e eu só vivo pelas palavras dos outros, especialmente do meu pai.Num mundo onde os melhores jogadores têm sucesso, um deve ir por baixo e esconder a verdadeira natureza para ser capaz de vencer. Porque nesta batalha não há justiça. A justiça é servida aos que se destacam.Sentada firme no meu assento, meus lábios pressionam numa linha fina enquanto eu observo Alfa Vlad puxar o informante contra a parede. As garras dele pairam como uma ameaça. Os olhos blazeiam de raiva. O tipo que ele expressa quando é um assunto que concerne aquela escrava nojenta.Para Alfa Vlad, as emoções dele estão escondidas de mim—meus pensamentos não vão linger por muito sobre as ações dele. Mas ele esquece uma coisa; eu carrego a marca dele. O sangue dele está misturado no meu sistema.Meus sentidos estão alertas a coisas que o
Alfa Vlad~Eu estive longe dela por sete dias. Depois daquele ato, é a melhor decisão a fazer. Sete noites, e a única coisa que eu posso fazer é alcançar Mark, obtendo informações.Mark tem me mantido atualizado sobre o que ela faz. Todas as informações necessárias. Eu estou feliz que ela decidiu se misturar. Se familiarizar com o ambiente.Amanhã, eu planejo enviar algumas donzelas para lá que vão fazer companhia a ela também. Se possível, convidar a mãe e a irmã dela.Legal, certo? Mas na realidade, isto é só, mas um problema resolvido. O menor de todos os meus problemas paira no meu pescoço como grilhões.Mais sete dias antes de Drago vir por Milena. Ainda assim, eu sou incapaz de encontrar uma solução de como ajudá-la. Nenhum campo bom foi criado de como salvá-la do meu irmão e pai.Mais uma vez, eu sou um fracasso.O mesmo fracasso que eu era anos atrás que a colocou nas mãos de monstros. Mesmo fracasso que eu exibi meses atrás que a terminou nas mãos do meu irmão.O fracasso jaz
Milena~O sono foi perfeito. O pesadelo, belo. Faz um tempo desde que eu dormi tão bem e por tanto tempo. O que quer que me tenha colocado para dormir é meu novo medicamento perfeito encontrado.Com os braços abertos em cada extremidade, um bocejo escapa da boca enquanto eu me sento ereta. O raio do sol da manhã brilha belamente.Eu rolo o edredom para longe do corpo. Plantando os pés no mármore, eu caminho para o banheiro e me lavo. Água fria chove na minha pele enquanto eu canto uma melodia perfeita.Um dia belo de fato.Depois de me lavar, eu volto para o quarto. Abro o armário e puxo um belo vestido verde Vitória. Um vestido perfeito para um dia perfeito.Eu saio do meu quarto. Fora da minha porta, o guarda fica como uma estátua. Batendo no braço dele, eu pergunto, “Onde está o Alfa?” Eu não deveria estar perguntando por ele, mas estou num bom espaço de mente. Um espaço que está pronto para acolher todos.“O Alfa voltou para a casa da matilha,” ele responde. “Você precisa de a
Alfa Drago~Eu não falho.Mesmo em batalhas mais difíceis, eu preferiria espetar a própria carne do que deixar os inimigos de baixa vida vencerem.Eu não me curvo. Não para ninguém. Nem sequer meu pai ou irmão me farão me render. Eu amo vencer. Amo ser escolhido. Amo porra liderar enquanto meu irmão segue.Essa é a minha natureza e deveria ser a natureza da Deusa só se a Moça tivesse escolhido fazer o trabalho dela.Vladimir provou o quanto ele ama me desafiar em batalha. Eu sempre deixo. Não porque sou incompetente, mas porque quero fazer nosso pai feliz.O velho tolo sempre usa um sorriso quando o filho favorito vence. A reação dele mandava ansiedade para o meu estômago a maior parte do tempo, me fazendo ficar para trás. Não empurrar mais e provar o quão fraco o filho favorito dele pode ser.Ele nunca me deu a oportunidade. Agora, a oportunidade foi apresentada. Algo que eu tenho certeza fará meu pai acreditar em mim. E essa possibilidade é Lena. Eu preciso pegá-la antes dos dias qu







