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Capítulo 2

Author: Desire steve
last update publish date: 2026-09-18 16:30:45

Milena~

Mudando o peso de um pé para o outro, aperto a bolsa com as palmas suadas.  

Mamãe abre a boca para falar. Minha alma quase deixa o corpo, mas visto minha compostura como um vestido fino. “Onde está seu mate?” ela pergunta, o olhar curioso saltando para a porta, esperando alguém entrar de repente.  

Eu me enrijeci quando o peso da pergunta a atinge, ecoando na minha cabeça como o sino da alcateia.  

Ela não pergunta sobre a bolsa; em vez disso, o foco está no meu mate desconhecido. Isso é nojento. Neste ponto, seria melhor se ela falasse da bolsa, porque a pergunta fez meu estômago se contrair.  

Como ela pode não se importar se a filha mais nova está prestes a tomar uma decisão estranha? Como a preocupação dela pode ser meu mate?  

Um homem! … Ser destrutivo!  

“Você não voltou para casa com ele?” Ela estica o pescoço ainda mais.  

Resmungando, reviro os olhos. Obviamente não.  

Sim, a tradição exige trazer o mate para casa no primeiro shift. Mas eu não sigo tradições.  

Eu amo e desfruto da minha força de vontade.  

Pigarreando, mudo de assunto. “Por que você está em casa?” Ela não deveria estar em casa.  

Ninguém deveria.  

“Seu pai cancelou nossa visita. Algo importante surgiu para ele.” Batendo as mãos com um sorriso espalhado no rosto, ela pega meu braço. “Venha, Mil. Sente-se. Vamos celebrar antes do seu pai voltar.” Mamãe nos leva até a sala de jantar e se ocupa com o grande bolo de velvet vermelho na mesa.  

Meu pé tamborila no mármore enquanto me agarro à bolsa como a uma melhor amiga; meus olhos continuam saltando para a saída. Está custando tudo não me levantar e fugir.  

O navio que eu vou embarcar não vai ficar esperando.  

E aqui estou eu.  

Mordendo o lábio inferior, me impedindo de derramar lágrimas ao olhar para Mamãe. Ela corta o bolo com um sorriso caloroso e vive o melhor momento da vida, enquanto minha bexiga ameaça estourar da tensão de perder o navio.  

Minha oportunidade de carreira única. Eu economizei com unhas e dentes por quatro anos, juntando a passagem.  

Eu me recuso a perder isso.  

Eu não posso.  

Levantando-me de súbito da cadeira, pego um pedaço de bolo. Como, antes de puxá-la para um abraço. “O bolo está ótimo,” sussurro, deixando um beijo na bochecha dela.  

Ela começa a falar, mas eu giro nos calcanhares, correndo em direção à porta sem me importar com o espanto no rosto dela. Ao ir empurrar a porta, ela se abre com força, batendo em mim.  

Eu tropeço para trás; minha visão embaca enquanto uma dor aguda irradia da testa.  

“Cerquem a casa!” Um comando ecoa, mandando arrepios subirem e descerem pela minha espinha.  

Esfregando os olhos e acalmando a dor, recupero a visão. Eles pousam na expressão cruel de seis guerreiros robustos que invadiram nossa sala de estar.  

Um sorriso malicioso estica uma linha fina na boca do que parece ser o líder enquanto ele me encara de volta.  

Meu coração dá cambalhotas em batidas diferentes, e dou um passo trêmulo em direção a Mamãe, agarrando o braço dela. Um após o outro, os guerreiros rosnam antes de se aproximarem. A aura deles emana caos, predatória.  

O sorriso astuto do líder se alarga. Ele balança uma corrente com bola de ferro como se estivesse aqui para pegar um Rogue.  

“O Beta Blackwood não está em casa,” Mamãe informa, deixando o prato de bolo na mesa.  

“Não viemos pelo Beta; viemos pela sua Kerko,” ele responde, apontando para mim.  

Minhas sobrancelhas se franzem. Mamãe e eu nos olhamos de boca aberta.  

“O que você fez de novo?” Ela murmura a palavra enquanto me protege.  

“Eu não causei nenhuma confusão.” Agarro as laterais do avental dela, me escondendo atrás. O que esses homens querem de mim? Eu não entrei no centro médico hoje. Não fui lá depois da última surra que levei de dois guerreiros.  

O Sr. Transporter? Ele denunciou que eu ousei fugir da alcateia para a alcateia humana?  

Ele me traiu?  

“Você não tem o direito de proteger uma ofensora. Saia da frente, mulher,” o líder troveja.  

“Perdoe-me. Mas preciso saber por que querem minha menina preciosa.” Mamãe aperta meu pulso com força.  

Ela está tremendo. Assustada. Como mulheres da casa Blackhood, não temos o direito de questionar um homem, comum ou poderoso.  

Ele franze o nariz, nojo se espalhando pelas feições enquanto examina Mamãe. “Último aviso,” ele grunhe, girando a corrente e golpeando.  

A bola de ferro aterrissa aos pés de Mamãe, quebrando o mármore. Nós saltamos para trás, agarradas uma à outra.  

Meu coração afunda no estômago, disparando mais rápido que uma maratona.  

Os guerreiros trocam olhares. Em uníssono, a risada sarcástica deles ecoa pelas paredes da sala.  

Suor quente se forma na minha testa, lágrimas brotando nos olhos. Por que estão fazendo isso conosco?  

“Afaste-se da ofensora.” O que empunha a corrente arranca a bola de ferro do mármore, girando-a no ar mais uma vez.  

“Mil,” Mamãe sussurra. “Você precisa correr. Encontre segurança. Vá e avise seu pai.”  

Eu aceno com a cabeça. “Não posso te deixar aqui.” Lágrimas escorrem pelas minhas bochechas.  

Não posso correr. Se eu correr, eles vão matar Mamãe. Essas criaturas são impiedosas. Não têm valor pela vida de uma mulher.  

“A vadia quer brincar conosco. Peguem a garota,” ele ordena.  

“Corra, Mil!” Mamãe me empurra para o lado.  

Sem hesitação, corro em direção à porta como um vento em movimento, mas paro quando ouço um baque nauseante. Depois Mamãe grita. Os golpes se repetem uma vez após a outra, e a cada um os gritos de Mamãe se transformam em gemidos.  

Os homens riem em vitória.  

Meu coração b**e violentamente enquanto me viro. Minha garganta está pesada demais, e as palavras saem estranguladas. “Mamãe.” O medo cria arrepios na minha pele quando meu olhar a encontra. Ela está deitada de lado numa poça do próprio sangue, sangrando pela cabeça.

A bola de ferro cravada na lateral do crânio, os olhos arregalados e sem piscar. Morta. Ela se foi? É…?  

Com pernas trêmulas, corro, os joelhos batendo no chão quando alcanço ela com as mãos tremendo. O peito dela não se move. Eles a mataram. Monstros.  

“Porra, peguem a garota. O Alpha Vladimir está esperando.” Eu ouço a ordem, mas estou num demais para me mexer. Para processar. Para correr para a segurança, ou compreender.  

Mamãe não pode morrer. Ela sofreu o bastante sem se beneficiar de mim. Ela tem que acordar. Eu não posso…  

“Mil.” A voz fraca dela volta à vida, a mão trêmula tentando tocar minha bochecha.  

Ela está viva! Graças aos céus. Eu rastejo mais perto; minha mão paira em volta da bola no crânio dela. Para ela se curar, preciso tirar a arma.  

Embora eu seja novata em medicina, posso salvá-la.  

Ao tentar puxá-la para fora, os dedos carmesins dela me seguram. Os lábios se abrem, revelando dentes manchados de coágulos. “Corra.” Ela luta para formar a conversa.  

“Você… Você está sangrando muito.”  

“Vá. Chame ajuda—”  

“Peguem a garota, idiotas,” o líder interrompe, a raiva evidente.  

Seguindo as instruções, um guerreiro puxa meu cabelo, me arrastando pelo chão ensanguentado.  

Eu grito, chutando o ar enquanto luto para me soltar. O guerreiro ruge e me puxa para os pés. Meu couro cabeludo queima com o impacto, mas continuo protestando, batendo no ombro dele com os punhos.  

A condição de Mamãe é crítica. Preciso salvá-la.  

Por instinto, me lanço no guerreiro, cravando os dentes no peito dele. Nana ruge quando minhas presas se alongam, enterrando mais fundo. Fluido metálico cobre e quente jorra na minha boca. Eu engulo.  

O homem ferido grita e me solta, mas aperta meu pescoço. O fluxo de ar se corta, mas eu não me afasto. Minhas presas afundam mais, mas param quando algo duro b**e na nuca.

Eu congelo. Entorpeço. Sem som, dor ou fraqueza. Depois vem, escorrendo das têmporas pelo queixo como um riacho. Carmesim. Quente.  

Eu me afasto do homem enquanto o chão sob mim se move, fazendo minha cabeça girar. A dor se agita quando o golpe acerta pela segunda vez.  

Meu sangue esfria. Tudo embaca. A luz some enquanto minhas pernas cedem sob mim.  

Eu desabo para a frente.  

A escuridão toma conta.

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