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Capítulo 3

Author: Runa Thorne
last update publish date: 2025-11-19 22:53:57

POV — Daniel

A porta da sala de reuniões fechou-se atrás de mim.

Por alguns segundos, permaneci parado no corredor, olhando para o celular que ainda estava na minha mão.

A chamada tinha durado menos de um minuto.

Tempo suficiente para mudar completamente o meu humor.

Não era o tipo de ligação que eu recebia durante uma reunião. Não naquele número. Não daquela forma.

Desbloqueei a tela e olhei novamente para o registro da chamada.

Número desconhecido.

Tentei retornar.

Chamou uma vez.

Duas.

Na terceira, caiu na caixa postal.

— Ótimo...

Passei a mão pelo rosto e respirei fundo.

Eu deveria voltar para a sala.

Mayla provavelmente estava me esperando.

E eu conhecia aquele olhar dela. Não precisava de palavras para saber que, assim que eu entrasse, ela perguntaria o que tinha acontecido.

Ela sempre percebia.

Talvez fosse uma das coisas que eu mais amava nela.

Mayla podia passar horas analisando contratos, números e relatórios, mas comigo bastava um segundo.

Ela me conhecia.

Olhei através do vidro da sala.

Ela estava sentada à cabeceira da mesa, ouvindo um dos diretores falar. A postura impecável, os cabelos presos de maneira elegante, uma das mãos apoiada sobre o documento enquanto a outra girava distraidamente uma caneta entre os dedos.

Minha esposa.

Ainda era estranho pensar naquela palavra.

Não porque eu não a amasse.

Mas porque, às vezes, eu ainda me pegava olhando para ela e pensando que tinha sido a melhor coisa que já havia acontecido comigo.

Sorri sozinho.

O celular vibrou novamente.

Dessa vez, uma mensagem.

Precisamos conversar. Pessoalmente. É importante.

Fiquei olhando para aquelas palavras.

Não havia nome.

Apenas a mensagem.

Meu primeiro impulso foi ignorar.

Meu segundo foi lembrar que a pessoa conhecia meu número particular.

E isso não era normal.

Digitei:

Quem é?

A resposta veio quase imediatamente.

Venha sozinho.

Franzi a testa.

Aquilo estava ficando estranho.

Guardei o celular no bolso.

Eu poderia chamar alguém.

Poderia pedir para a segurança verificar o número.

Poderia simplesmente não ir.

Mas havia alguma coisa naquela mensagem que me incomodava.

Não medo.

Curiosidade.

E talvez tenha sido esse o meu erro.

Voltei para a sala.

Mayla levantou os olhos assim que entrei.

— Está tudo bem?

A pergunta veio baixa, apenas para mim.

Aproximei-me dela e me inclinei discretamente.

— Preciso sair por alguns minutos.

Ela estreitou os olhos.

— Agora?

— Agora.

— Daniel...

Segurei a mão dela por baixo da mesa.

— Eu volto logo.

O olhar dela suavizou.

— Promete?

Sorri.

— Prometo.

Inclinei-me e beijei sua testa.

Foi um gesto simples.

Tão simples que, naquele momento, eu não poderia imaginar que seria a última vez que faria aquilo.

— Termina a reunião sem mim — murmurei.

— Você vai me contar o que aconteceu?

Hesitei por um instante.

— Quando eu voltar.

Ela não gostou da resposta.

Eu sabia.

Mas soltou minha mão.

— Então volta rápido.

— Sempre.

Saí.

---

Quarenta minutos depois, eu estava dirigindo pela rodovia.

O céu havia escurecido.

A chuva começava a cair, fina no início, aumentando aos poucos.

Meu celular permanecia no banco ao lado.

Nenhuma nova mensagem.

Tentei ligar novamente para o número desconhecido.

Nada.

— Quem diabos é você?

A estrada estava relativamente vazia.

Aumentei o volume do rádio, tentando afastar a sensação incômoda que havia se instalado no meu peito.

Foi quando percebi os faróis.

Um carro vinha atrás de mim.

Rápido demais.

Olhei pelo retrovisor.

O veículo se aproximou.

Não reduzi.

Ele continuou vindo.

— O que você está fazendo?

O carro entrou na faixa ao lado.

Por um instante, pensei que fosse apenas ultrapassar.

Então ele voltou para a minha frente.

Bruscamente.

Pisei no freio.

O pneu perdeu aderência no asfalto molhado.

— Merda!

Girei o volante.

O carro derrapou.

A traseira bateu na proteção lateral da ponte.

O metal rangeu.

Meu coração disparou.

Tentei recuperar o controle.

Não consegui.

O carro atravessou a barreira.

Por uma fração de segundo, tudo ficou silencioso.

Eu vi a chuva.

As luzes distantes da cidade.

O vazio abaixo de mim.

E pensei em Mayla.

Mayla.

Meu carro despencou.

O impacto contra a água apagou tudo.

E, depois...

silêncio.

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