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07

last update publish date: 2026-11-04 21:04:19

Rio de Janeiro

— Vidigal, 20h00

— Olha, conversei com algumas pessoas que conheço. Pode ter certeza de que logo, logo esse emprego vai bater à sua porta. Agora, por favor, hoje é sábado e amanhã estarei de folga. Vamos sair! — Vanessa implorou, me olhando com aqueles olhos de cachorrinho abandonado.

Segurei o riso.

— Tudo bem! Vou me arrumar rapidinho e a gente vai. Você nem precisa, já veio pronta.

— ÓBVIO! Se você não fosse, eu iria sozinha. E hoje não vou aguentar chororô, não, hein!

Ela gritou da sala, mas nem precisava. Aquela casa era tão pequena que eu conseguia ouvir até quando alguém se sentava no sofá.

Segui para o quarto e comecei a escolher uma roupa. Separei uma calça jeans, uma papete e um body com decote em V. Entrei no banheiro e tomei uma ducha rápida, porque, para mim, não existia sair de casa sem tomar banho antes.

Aproveitei para fazer uma maquiagem básica, vesti a roupa, passei meu perfume favorito e peguei uma jaqueta, caso esfriasse. Finalizei com um pouco de gloss, coloquei minha bolsinha de lado e fui para a sala.

— Terminei! Vamos? Estou morrendo de fome.

Vanessa me olhou de cima a baixo e começou a soltar vários elogios enquanto saíamos de casa.

— Caramba! Se eu não gostasse tanto de piroca, casaria com você facinho, facinho.

Revirei os olhos, rindo.

Essa menina tinha uma boca que eu não dava conta!

— Vamos naquele barzinho que te mostrei outro dia. A gente toma uns litrões e janta.

— Sabe que agora que saí, e já faz um tempão que não faço isso, estou com vontade de tomar um gin e comer uns aperitivos. Será que lá tem aquela tábua de frios maravilhosa?

Vanessa me encarou com uma expressão de deboche.

— Amiga, aquilo ali é um barzinho de esquina. Tem essas coisas, não!

— Poxa! Mas era justamente o que eu queria hoje. Não tem nenhum lugar por aqui que venda?

Ela negou com a cabeça.

— Pera aí, deixa eu olhar no grupo se vai ter movimento no Verão. É um bar maravilhoso, você vai gostar. Aquele outro era mais para uma saidinha casual, sabe? Vamos voltar em casa, colocar um salto e chamar um mototáxi. Não chego lá de rasteirinha nunca neste Brasil!

Olhei para ela, segurando o riso.

— Você é muito exagerada.

— E você está uma princesa do ébano, mas vamos colocar um saltinho e um batom vermelho. Tem?

— Tenho, e tenho um salto que vai combinar perfeitamente com você também.

Voltamos para casa, que nem ficava tão longe. Troquei a papete pelo meu scarpin preto, passei o babyliss no cabelo e finalizei a maquiagem com um batom vermelho.

Enquanto guardava o batom na bolsa, escutei uma buzina do lado de fora.

Quando saímos, encontramos Jonas acompanhado de outro rapaz que eu ainda não conhecia. Ele tirou o capacete assim que nos aproximamos e chamou Vanessa.

— Amiga, esse é o Rafael, meu boy. Vai, sobe aí para a gente ir logo!

Cumprimentei o rapaz com um sorriso discreto e um aceno. Depois subi na moto de Jonas, que acelerou sem nem perguntar para onde iríamos. Provavelmente Vanessa já tinha passado o endereço.

— Um perfume desses apaixona qualquer um — Jonas comentou quando paramos em frente a um bar muito bonito e movimentado.

— Está tentando me iludir, garoto?

Entreguei o capacete enquanto arrumava o cabelo. Ele negou com a cabeça, sorrindo.

— Eu não iludo, não, pô. Sou o cara mais verdadeiro que você poderia conhecer " na minha vida"

Soltei uma risada.

— Aham! Na sua vida mesmo, porque na minha eu conheço muito bem a lábia dos homens. Tchau, Jonas!

Me despedi e acompanhei Vanessa até a entrada.

Rafael não ficou com a gente. Segundo Vanessa, ele não queria me deixar de vela. Gostei da atitude. Pelo menos era um namorado consciente!

O lugar era ainda mais bonito por dentro. Havia mesas espalhadas, iluminação aconchegante e um pagodinho gostoso tocando ao fundo. O movimento era grande, mas conseguimos uma mesa com uma vista privilegiada.

Um dos garçons veio nos atender, entregou o cardápio e fiz meu pedido: um Sex on the Beach, preparado com vodca, licor de pêssego e suco de laranja, além de uma tábua de frios que parecia maravilhosa.

Eu não costumava passar da segunda taça, mas naquela noite queria aproveitar.

Enquanto Vanessa falava sobre alguma coisa do trabalho, meus olhos passearam pelo ambiente.

E foi aí que o encontrei.

Do outro lado do salão, um homem me encarava.

Não sei explicar exatamente o que chamou minha atenção primeiro. Talvez o olhar misterioso, o cavanhaque perfeitamente desenhado ou o corte de cabelo que combinava muito bem com seu rosto.

Era bonito. Muito bonito.

Fiquei alguns segundos observando, tentando disfarçar, até Vanessa estalar os dedos na minha frente.

— Ei! Está encarando demais, menina. Pode parando!

Desviei os olhos imediatamente, sentindo minhas bochechas esquentarem.

— Não estou encarando ninguém!

— Sei… E eu sou a rainha da Inglaterra.

Sorri, fazendo minhas covinhas aparecerem.

Estava prestes a perguntar se ela conhecia o homem quando Rafael apareceu ao nosso lado, chamando sua atenção. Os dois começaram a conversar, e aproveitei para olhar discretamente na direção daquele desconhecido outra vez.

Ele ainda estava lá.

E, pelo visto, também não tinha perdido o interesse.

Resolvi não perguntar quem era. Se Vanessa o conhecesse, provavelmente teria comentado alguma coisa. Além disso, eu não precisava saber o nome de todo homem bonito que cruzasse meu caminho.

Pelo menos era o que eu tentava convencer a mim mesma.

Voltei a atenção para minha bebida, mas, de vez em quando, meus olhos escapavam na direção dele.

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