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08

last update Date de publication: 2026-11-05 19:22:43

Rio de Janeiro

— Vidigal, 21h15

Vanessa

Eu ainda ia acabar ficando maluca por causa daquele homem!

Olhei para Rafael, que estava sentado ao meu lado, tranquilamente, como se não tivesse acabado de me dar uma das piores notícias da noite.

— Você está de brincadeira comigo, né?

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Sobre o quê, mulher?

— Sobre eu não poder contar para Helena quem é aquele homem!

Rafael soltou um suspiro e tomou um gole da bebida.

— Vanessa, já conversamos sobre isso.

— Conversamos nada! Você falou, falou, falou e terminou dizendo que eu tenho que ficar de boca fechada. Isso não é conversa, é uma ameaça à minha liberdade de expressão!

Ele riu, balançando a cabeça.

— Você não consegue passar cinco minutos sem falar?

— Consigo. Mas não quero!

Olhei discretamente para a mesa onde Helena estava. Minha amiga parecia estar se divertindo, mas eu não era cega. Desde que chegamos, ela já tinha olhado umas dez vezes na direção de Miguel.

E como não olharia? O homem era bonito, disso ninguém podia discordar. Mas, se ela soubesse quem ele realmente era, talvez até esquecesse como se respirava.

— Ela está olhando para ele de novo — murmurei.

Rafael acompanhou meu olhar e depois voltou a atenção para mim.

— Deixa a menina.

— Deixar? Rafael, você tem noção de quem é aquele homem? A Helena está lá, toda interessada, achando que encontrou um bonitão misterioso no bar. Se soubesse metade do que existe por trás daquele olhar, já teria pedido a conta!

— E é justamente por isso que você não vai falar nada.

Revirei os olhos.

— Eu odeio quando você tem razão.

Ele aproximou a cadeira da minha e segurou minha mão.

— Miguel sabe o que está fazendo. Ele quer conhecer Helena sem que ela saiba da posição que ocupa. Se ela descobrir agora, nunca vamos saber se está interessada nele ou no que ele representa.

— Sinceramente , ela não ta interessada nesse negocio de posição e se ela souber quem ele é , o brilho acaba na hora . E ela é minha amiga , não quero esconder uma coisa tão seria assim

— E eu sei disso. Mas esse segredo não é seu para contar.

Fiquei quieta por alguns segundos.

Odeio admitir, mas Rafael tinha razão. Miguel era um homem complicado, e aquela história não era algo que eu pudesse sair contando por aí. Além disso, conhecia Helena. Minha amiga não era mulher de aceitar mentiras com facilidade.

— Só espero que ele saiba onde está se metendo — falei, cruzando os braços. — Porque aquela ali não é qualquer mulherzinha que vai abaixar a cabeça para ele.

Rafael sorriu.

— Acho que é justamente isso que chamou a atenção dele.

Olhei novamente para Helena. Ela estava sorrindo de alguma coisa que o garçom tinha falado, completamente alheia à conversa que acontecia a poucos metros dali.

— E outra coisa — voltei a falar, apontando o dedo para Rafael. — Se esse homem fizer minha amiga sofrer, eu mesma vou até aquela sala dele e digo umas poucas e boas.

Rafael começou a rir.

— Você vai fazer o quê?

— O que ouviu!

— Vanessa, você sabe que está falando do Miguel, né?

— Sei muito bem! E daí? Ele pode mandar em um monte de gente, mas não manda na minha língua.

Ele me puxou pela cintura e depositou um beijo na minha testa.

— Você ainda vai me matar de preocupação.

— Então trate de se comportar, porque eu tenho muita coisa para reclamar.

Antes que ele respondesse, Helena apareceu ao nosso lado com a taça na mão.

— Posso saber o que vocês estão cochichando tanto?

Olhei para Rafael imediatamente. Ele, o miserável, manteve a maior tranquilidade do mundo.

— Nada demais, amiga. Estava reclamando que meu namorado não me dá atenção.

Helena estreitou os olhos.

— Sei… E eu nasci ontem.

Sorri, tentando parecer convincente.

— Deixa de ser curiosa e vem sentar. Seu drink está ficando quente!

Ela se acomodou, mas percebi que seus olhos procuraram Miguel mais uma vez.

Meu Deus, aquela noite ainda ia render!

Inclinei-me na direção dela e perguntei baixinho:

— Está interessada em alguém, amiga?

Helena quase engasgou com a bebida.

— Vanessa!

Comecei a rir.

— Ué, só perguntei!

— Você não presta!

E não prestava mesmo. Mas, naquela noite, pela primeira vez, eu estava torcendo para que uma história desse certo.

Só precisava descobrir se Miguel seria capaz de fazer minha amiga feliz sem destruir a paz que ela tanto lutou para encontrar.

E, principalmente, se aquele homem poderoso estava preparado para lidar com uma mulher que não tinha medo de abrir a boca.

Porque Helena podia até se apaixonar por ele.

Mas eu conhecia minha amiga.

E, se descobrisse que tinha sido enganada, o problema de Miguel seria muito maior do que qualquer inimigo que ele já tivesse enfrentado.

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