LOGINEm Milão, naquela manhã, a discussão começou antes mesmo do pequeno-almoço.Milena entrou no gabinete de Pietro sem bater.Ele estava junto à janela, com o telefone na mão, a observar os jardins da propriedade.— Temos de falar – diz ela ao maridoPietro nem se virou.— Já percebi – diz ele— Não, Pietro, desta vez vais ouvir-me – diz ela e ele pousou o telefone sobre a secretária e finalmente olhou para a mulher.— Estou a ouvir – diz ele e Milena aproximou-se.— O que estás a fazer com esta situação? – perguntou elaPietro franziu o sobrolho.— Que situação? – respondeu ele com uma pergunta— O teu filho – diz ela e aquelas duas palavras foram suficientes para alterar a expressão dele.— O Máximo sabe perfeitamente o que está a fazer – responde ele— Não sabe! – diz ela e Milena bateu com a mão sobre a secretária.— Está a destruir o casamento, está a humilhar Andreia, está a pôr em risco os acordos com os D’Angelo e tu estás simplesmente a assistir! – grita ela com o maridoPietro
Catherine estava sentada diante do computador quando ouviu duas pancadas suaves na porta.— Catherine? – chamou a responsável pelos recursos humanos da empresa— Sim? – disse Catherine e ela entrouA mulher entrou com uma expressão ligeiramente hesitante.— Desculpa incomodar-te, mas preciso de falar contigo – disse ela e Catherine afastou as mãos do teclado.— Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela— Hoje de manhã esteve aqui um homem à tua procura – disse e o coração de Catherine parou por um instante.Não precisou de perguntar quem era.Ainda assim, a pergunta saiu-lhe num fio de voz.— Que homem? – perguntou ela— Disse que precisava de falar contigo, não me deu muitos detalhes, mas parecia conhecer-te – disse a colega e Catherine sentiu o estômago apertar.Ele tinha vindo.Tinha realmente vindo.Durante alguns segundos, ficou imóvel, incapaz de reagir.Na noite anterior, tinha tentado convencer-se de que talvez tudo terminasse ali. Que Máximo regressaria a Itália depois de perce
Máximo chegou a Bordeaux já de madrugada.A cidade estava quase adormecida, iluminada apenas pelas luzes amareladas das ruas e pelo reflexo dos candeeiros nas estradas húmidas. Durante toda a viagem, tinha alimentado uma única certeza: encontraria Catherine.Mas, quando estacionou o carro diante do hotel, percebeu que havia um problema que não tinha considerado.Não sabia onde ela vivia.Sabia onde trabalhava. Sabia onde tinha estudado. Sabia os nomes dos pais. Sabia tantas coisas sobre Catherine que, durante aqueles três anos, chegara a convencer-se de que ainda a conhecia.Mas não sabia onde ela morava.E isso, de repente, pareceu-lhe absurdo.Entrou no hotel sozinho, com o rosto cansado e os olhos carregados de uma determinação que nem mesmo a longa viagem conseguira apagar.— Boa noite, preciso de um quarto – disse Máximo na receção do hotelO funcionário da receção confirmou a reserva e entregou-lhe o cartão.— Vai ficar muitos dias, senhor? – perguntou o funcionárioMáximo hesit
Donatello fechou a porta do escritório atrás de si.Durante alguns segundos, permaneceu imóvel.Tinha acabado de falar com Ítalo.Tinha ouvido a ameaça.Tinha percebido a posição de Pietro.E, apesar da tensão que pairava sobre a família Santoro, Donatello sentia algo completamente diferente.Satisfação.Porque, pela primeira vez, o futuro que durante tantos anos parecera impossível começava a aproximar-se.Máximo tinha reencontrado Catherine.Andreia estava magoada.Ítalo estava furioso.Pietro recusava-se a interferir.E o casamento estava à beira do fim.Tudo aquilo significava uma coisa.O lugar de Máximo estava vulnerável.Donatello pegou no telemóvel.Ligou ao filho.— Mário, vem ter comigo – disse Donatello— Agora? – perguntou Mário— Agora – respondeu DonatelloMário chegou pouco depois.Encontrou o pai junto à janela, com um copo na mão.— O que aconteceu? – perguntou MárioDonatello virou-se.Um sorriso apareceu-lhe no rosto.— As coisas estão a correr melhor do que esperáv
Ítalo D’Angelo não dormiu naquela noite.Desde que Andreia lhe contara o que acontecera no hotel, uma única imagem permanecia na sua cabeça.A filha.A sua filha, humilhada diante de todos.E tudo por causa de uma mulher que tinha aparecido do nada e conseguido despertar em Máximo sentimentos que, segundo Ítalo, deveriam ter morrido há três anos.Andreia tinha tentado manter a dignidade.Mas Ítalo conhecia-a.Conhecia a dor escondida por trás daquele silêncio.E não estava disposto a permitir que a filha fosse tratada como uma opção descartável.Na manhã seguinte, tomou uma decisão.Ia falar com Pietro.Pietro estava no escritório quando recebeu a notícia de que Ítalo D’Angelo tinha chegado.Não ficou surpreendido.No fundo, sabia que aquela conversa aconteceria.A porta abriu-se pouco depois.Ítalo entrou com o rosto fechado.Não cumprimentou Pietro imediatamente.Caminhou até à secretária.— Temos um problema – diz ÍtaloPietro levantou os olhos dos documentos.— Eu sei – respondeu
A casa estava mergulhada no silêncio quando Catherine chegou.Passava da meia-noite.Rodou a chave devagar, tentando não fazer barulho, mas assim que abriu a porta percebeu que não conseguiria entrar sem ser vista.A luz da cozinha estava acesa.Catherine parou.— Catherine? – chamou a Rose e a voz da mãe fez-lhe o coração apertar.Rose apareceu no corredor, seguida por Antoine.Os dois ficaram imóveis ao vê-la.Catherine ainda segurava a mala.O rosto estava cansado.Os olhos vermelhos.E havia qualquer coisa na expressão dela que os fez perceber imediatamente que alguma coisa tinha acontecido.— O que estás a fazer em casa? — perguntou Rose.Catherine tentou responder.Não conseguiu.Rose aproximou-se.— Filha? – chamou a mãeFoi suficiente.Catherine deixou a mala cair no chão e abraçou a mãe.Rose apertou-a contra o peito.— O que aconteceu? – perguntou Rose e Catherine começou a chorar.Antoine aproximou-se e colocou uma mão no ombro da filha.— Catherine, fala connosco – pergunt







