ログインTrês anos antes…
Catherine passou demasiado tempo diante do espelho. Desde que Máximo a convidara para jantar, sentia uma inquietação que não conseguia afastar. Aquilo já não parecia apenas uma aventura de férias para ele. E muito menos para ela. Catherine respirou fundo antes de sair de casa. Máximo estava no fim da rua. Vestia um fato escuro, sem gravata, com a camisa branca ligeiramente aberta no colarinho. Trazia uma pequena caixa nas mãos. Quando a viu, ficou alguns segundos sem dizer nada. Catherine sorriu, constrangida. — O que foi? – perguntou ela — Estava a tentar encontrar uma palavra – disse ele — E encontraste? – perguntou ela — Não – disse ele e ela riu. — Entra – disse ele ao abrir a porta do carro Máximo estendeu-lhe a caixa, assim que ela entrou no carro — É para ti – disse ele Catherine abriu-a. Dentro havia um pequeno ramo de flores delicadas, acompanhado por uma garrafa de vinho. — Máximo... – disse ela — Não sabia quais eram as tuas flores preferidas – disse ele — São lindas – disse ela e levantou os olhos para ele. — Obrigada – disse ela — De nada – disse ele Por alguns segundos, ficaram simplesmente a olhar um para o outro. Então Máximo aproximou-se e beijou-lhe suavemente a face. Um gesto simples. Mas suficiente para fazer o coração dela acelerar. O restaurante escolhido por Máximo ficava numa rua tranquila, afastada do movimento turístico. Era pequeno, elegante e acolhedor. Uma mesa junto à janela estava reservada para eles. Catherine olhou em redor. — É lindo – disse ela — Ainda bem que gostas – respondeu ele a sorrir — Como encontraste este lugar? – perguntou ela — Donatello – disse ele — Claro – respondeu ela e Máximo sorriu. — Ele conhece metade dos restaurantes de Bordeaux – disse ele e sentaram-se frente a frente. Durante os primeiros minutos, falaram sobre coisas banais. O trabalho dele. A faculdade dela. A comida. O vinho. Mas, pouco a pouco, a conversa tornou-se mais pessoal. — Tens irmãos? — perguntou Catherine — Não – disse ele Ela percebeu uma sombra atravessar-lhe o rosto. — Gostavas de ter tido irmãos? – perguntou ela e Máximo pensou por alguns segundos. — Quando era criança, sim – disse ele — E agora? – perguntou ela — Agora acho que já não importa – respondeu ele Catherine ficou a observá-lo. — A tua família é complicada, não é? – perguntou ela e Máximo pousou o copo. — É – disse ele — Queres falar sobre isso? – perguntou ela curiosa e ele sorriu. — Talvez um dia – respondeu ele e ela assentiu. — Está bem – respondeu ela e não insistiu. E foi precisamente isso que fez Máximo sorrir. Catherine não tentava arrancar-lhe respostas. Não estava interessada no dinheiro da família Santoro. Estava interessada nele. E isso era algo a que Máximo não estava habituado. Depois do jantar, caminharam pelas ruas de Bordeaux. O ar estava fresco e Catherine segurou o braço dele. Máximo olhou para a mão dela entrelaçada no seu braço. Sorriu. Catherine baixou os olhos. — Estás muito romântico hoje – disse ela — Tenho uma reputação a manter – disse ele — Que reputação? – perguntou ela — A de homem encantador – disse ele e ela riu. — Convencido – disse ela e Máximo parou. Máximo não respondeu. Apenas aproximou-se lentamente. O beijo começou devagar. Os lábios tocaram-se com delicadeza, Catherine não se afastou. Passou os braços à volta do pescoço dele. Máximo segurou-lhe a cintura. O beijo tornou-se mais demorado, mais intenso, mas ainda assim cuidadoso. Quando se separaram, Catherine manteve os olhos fechados por alguns segundos. — Acho que estou a começar a gostar demasiado disto — confessou disse ela e Máximo sorriu. — Ainda bem – disse ele — Não devias estar tão contente – disse ela — Porquê? – perguntou ele — Porque isto pode acabar por ser perigoso – respondeu ela e ele acariciou-lhe o rosto. — Para mim já é – disse ele Continuaram a caminhar até chegarem a um pequeno jardim. Sentaram-se num banco. Catherine encostou-se a ele. Máximo passou o braço pelos seus ombros. Durante alguns minutos, ficaram em silêncio. Não era um silêncio desconfortável. Era daqueles que não precisam de ser preenchidos. Catherine levantou o rosto. — Máximo? – chamou ela — Sim? – respondeu ele — Porque estás realmente interessado em mim? – perguntou ela e ele franziu ligeiramente a testa. — Porque me perguntas isso? – perguntou ele — Porque não sou como as mulheres que conheces – disse ela — Não – disse ele — E a tua vida é tão diferente da minha... – disse ela e Máximo segurou-lhe a mão — Talvez seja precisamente por isso – disse ele — Não entendo – disse ela — Quando estou contigo, não tenho de ser Máximo Santoro – disse ele e ela olhou para ele. — E quem és? – perguntou ela e ele sorriu. — Apenas Máximo – disse ele e Catherine sentiu o peito apertar. Aquela resposta significava mais do que ele provavelmente imaginava. Ela aproximou-se e beijou-o. Desta vez, foi ela quem tomou a iniciativa. Máximo pareceu surpreendido durante um instante, antes de a envolver nos braços. O beijo terminou lentamente. Ele encostou a testa à dela. — Estás a deixar-me completamente louco – disse ele — Isso é mau? – perguntou ela — Muito – disse ele — Então talvez deva parar – disse ela e Máximo apertou-a contra si. — Nem penses nisso – disse ele e ela riu. Mais tarde, Máximo levou-a até à porta de casa. Quando chegaram lá, nenhum dos dois parecia disposto a despedir-se. Catherine ficou de frente para ele. — Obrigada pelo jantar – disse ela — Eu é que agradeço – disse ele — Foi uma noite bonita – disse ela — Foi – disse ele e tocou-lhe suavemente no cabelo. — Posso entrar? – perguntou ele e a pergunta fez Catherine ficar em silêncio. Não havia pressão na voz dele. Apenas uma pergunta. Ela olhou para a porta. Depois para ele. — Pode – disse ela Máximo entrou. O pequeno apartamento de uma estudante estava silencioso. Catherine pousou a mala sobre uma cadeira. — Queres beber alguma coisa? – perguntou ela — Água – disse ele e ela foi até à cozinha. Quando voltou, encontrou-o junto à janela. — Aqui – disse ela e Máximo pegou no copo. — Obrigado – disse ele e ficaram próximos. Muito próximos. Ele tocou-lhe na mão. Depois entrelaçou os dedos nos dela. Catherine sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. Máximo aproximou-se e beijou-a novamente. Desta vez, o beijo foi mais profundo. Catherine passou os braços à volta dele. Ele segurou-lhe o rosto, interrompendo o beijo por um instante. — Estás bem? – perguntou ele e ela assentiu. — Sim – disse ela — Tens a certeza? – perguntou ele — Tenho – reforçou ela e voltaram a beijar-se. Devagar. Com carinho. Sem pressa. Quando Máximo a abraçou, Catherine encostou a cabeça ao peito dele. Ficaram assim durante algum tempo. Ela conseguia ouvir o coração dele. Forte. Acelerado. — Acho que não quero que esta noite termine — murmurou ela Máximo beijou-lhe o cabelo. — Nem eu – disse ele e Catherine levantou o rosto. — Mas não quero fazer nada de que possa arrepender-me – disse ela e ele ficou sério. — Então não faremos – disse ele Ela olhou-o surpreendida. Máximo acariciou-lhe a face. — Quero conhecer-te, quero que confies em mim, não tenho pressa – disse ele e Catherine sentiu uma emoção inesperada. Encostou-se novamente a ele. — Obrigada – disse ela Máximo beijou-lhe a testa. Depois os lábios. Um beijo breve. Terno. Diferente dos anteriores. Naquela noite, ficaram apenas assim. Entre beijos, abraços e conversas sussurradas no sofá, descobriram uma intimidade que não precisava de ir mais longe. Quando Máximo finalmente se levantou para partir, já passava da meia-noite. Na porta, segurou-lhe a mão. — Amanhã? – perguntou ele e Catherine sorriu. — Amanhã – disse ela e ele beijou-a uma última vez, antes de sair. Catherine fechou a porta e encostou-se a ela. Levou os dedos aos próprios lábios. Sorria. Não tinha acontecido nada que devesse assustá-la. E, ainda assim, sentia que alguma coisa tinha mudado. Naquela noite, tinha deixado de ser apenas uma rapariga curiosa sobre um italiano misterioso. Começava a apaixonar-se por ele. E Máximo, enquanto caminhava pelas ruas silenciosas de Bordeaux, tinha exatamente a mesma certeza.Um ano antes…Andreia e Máximo não viviam um casamento feliz.E já nem tentavam mostrar o contrário.Principalmente ele.- Filha tens de dar um filho a ele – dizia Guida, a mãe de Andreia- Sim… - dizia Andreia não querendo admitir que o marido mal lhe tocava e sempre que isso acontecia era sempre com preservativos que ele mesmo trazia, recusando usar os que ela comprava – Estamos a trabalhar nisso – acrescentava ela ao ver o olhar inquisidor da mãe sobre elaA vida deles era completamente oposta.Ela vivia para compromissos sociais, compras, almoços e lanches com as amigas.Ele vivia para o trabalho.Apenas isso importava para ele.- Temos um problema no hotel em Florença – dizia Mário ao entrar no gabinete de Máximo depois de bater apressadamente na porta e Máximo encarou-o de imediato- Fala – dizia ele e Mário contava o que se estava a passar – Preparem o meu jato – dizia ele e fechava o seu laptop e foi para o closet que tinha no gabinete sempre preparado com roupas e malas feita
Dois anos antes…Em Bordeaux, a vida seguia.Catherine não sabia o que tinha acontecido na vida de Máximo, e aos poucos ele foi desaparecendo do seu coração, ou pelo menos era isso que ela acreditava por não pensar tanto nele, e aos poucos o amor que ela sentia por ele virava rancor.Mágoa.Ela tinha muita mágoa dele.E jurou fechar para sempre o seu coração ao amor.Ela não queria mais voltar a sofrer por amor.Ela não queria mais confiar em mais nenhum homem.Ao contrário do que se passava na sua vida amorosa, a vida profissional corria muito bem.Ela era uma excelente profissional, e mesmo grávida, ela foi promovida a diretora de marketing da vinícola.Há medida que os meses passavam e a gravidez avançava, ela ficava cada vez mais próxima de Olivier.Não tanto como ele queria.E demasiado próxima segundo ela.- Gosto muito de ti – dizia Olivier a olhar para Catherine e ela apenas baixava a cabeçaOlivier era apaixonado por Catherine.Ele não escondia.Ela não era correspondida na m
Três anos antes…O casamento de Máximo e Catherine aconteceu de forma muito rápida e de forma muito glamorosa.Foi tudo preparado por equipas especializadas e a pedido dos pais dos noivos que não se privaram de nada e de poupar para que os filhos tivessem um casamento inesquecível e muito feliz.Andreia, estava uma noiva deslumbrante. O vestido dela tinha sido desenhado pelo estilista mais conceituado de toda a Europa. Todo ele bordado à mão e com diamantes cuidadosamente cravejados no tecido.Máximo estava vestido com um fato de três peças, feito por medida como todos os seus fatos.Nos dias que antecederam o casamento, o casal fez várias capas de revistas.Tudo o que eles faziam era tema.A mudança dos pertences para a casa onde viveriam.A ida de Andreia ao SPA com as madrinhas.O fato de Máximo trabalhar até ao último dia.A ausência de despedidas de solteiro, ou pelo menos que alguém soubesse que elas tinham acontecido.No dia do casamento, foi a loucura.Jornalistas nos portões
Três anos antes…Logo após o noivado mais esperado e falado de Itália, Máximo e Andreia começam a comparecer juntos em público.- Avisa Andreia que temos um jantar hoje – diz Máximo para Donatello – Ela que esteja pronta às dezanove – continua ele sem levantar a cabeça para o tio- Mais alguma coisa? – perguntou Donatello- Não – diz Máximo e Donatello sai do gabinete deleAndreia era a noiva perfeita, sempre bem-comportada, sempre bem vestida, sem causar transtornos e principalmente muito obediente.Ela sabia como estar nos eventos, como ficar apenas ao lado dele, sem se intrometer nas conversas.Dias mais tarde, Máximo vai a uma boate com os seus amigos.- Máximo – chama Romeu – A sua noiva – diz ele e aponta para o canto da zona VIP onde estava Andreia com duas amigas a conversar de forma muito discretaMáximo não respondeu.Apenas olhou.Andreia não demorou muito para o ver e foi até ele.- Querido – diz ela ao chegar junto dele e Máximo forçou um sorriso- Andreia – respondeu el
Três anos antes…Os primeiros dias em casa, não foram os melhores.Catherine estava triste, muito triste.Sem vontade de viver.Ela mal saía do quarto.Isso preocupava os pais dela. Muito, mesmo muito.Antoine olhava para Rose, como que procurasse uma resposta para o estado da filha, mas, ninguém tinha o poder de animar Catherine.Eles faziam de tudo para animar a filha, mas nada era o suficiente para que ela voltasse a sorrir, voltasse a ser a menina sorridente que sempre fora.- Ela aos poucos vai melhorar – dizia Rose para o marido, confiante que a deceção amorosa da filha passasse com o tempo- Se eu pudesse ia a Itália buscar aquele moleque sem vergonha – dizia Antoine revoltado com a forma como a filha tinha sido abandonada por Máximo, ou pelo menos era isso que todos pensavam, pois, a carta que ele escreveu nunca foi entregue a Catherine- De que isso adiantaria, ele se a amasse tinha ficado – dizia Rose e Antoine dava de ombros.Duas semanas depois, Catherine começava a sair d
Três anos antes…Já que tinha de se casar com Andreia, Máximo decidiu que iria ser tudo muito rápido.Assim que Pietro anunciou que o filho se iria casar com Andreia, foi marcado o jantar de noivado deles.- A única coisa boa disto tudo é eu saber que mais uma vez te ganhei – sussurra Máximo ao ouvido de Mário que fica furioso por dentro- E quem disse que eu queria ganhar um casamento forçado? – disse Mário depois de respirar fundo para se conter- Não é preciso dizeres eu sei que sim – diz Máximo mantendo a postura séria deleNo dia do noivado, Máximo não estava com o melhor humor e isso era claro para todos.Já Andreia, estava feliz, muito feliz.- Mãeeeee – gritava ela no quarto dela para a mãe- Fala filha – diz Guida, a mãe dela- Este ou este? – pergunta ela à mãe que a olha com uma cara muito séria- Andreia, pouco importa a roupa interior hoje, tu não vais dormir com ele – diz Guida- E se ele quiser? – pergunta ela- Tu não vais permitir, tens de chegar ao casamento ou perto







