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Olhares e Percepções

مؤلف: G.A.Maia
last update تاريخ النشر: 2026-09-19 11:38:38

​Capítulo 2: Olhares e Percepções

​A festa de cinco anos da empresa havia acabado, mas a sala da casa de Mateo ainda estava movimentada. Seus pais, Marcos e Beatriz, que sempre foram a base de tudo, conversavam no sofá enquanto Valentina lia um livro na poltrona.

​Ao passar pela porta, Mateo soltou a gravata e suspirou, visivelmente absorto em pensamentos.

​— Filho? Aconteceu alguma coisa na festa? — perguntou a mãe, Beatriz, franzindo a testa com preocupação maternal.

​O pai de Mateo, Marcos, tirou os óculos de leitura, observando o filho com atenção:

​— É verdade, Mateo. Você está com a cabeça longe desde que colocou os pés em casa. Aconteceu algum problema na empresa?

​— Não, pai... Na empresa está tudo perfeito — respondeu Mateo, sentando-se entre eles. Ele olhou para a irmã e para os pais, sabendo que não havia segredos entre uma família tão unida. — A Valéria me contou uma coisa hoje na varanda. Ela me confessou que... foi apaixonada por mim durante todos esses anos. Desde quando éramos mais jovens.

​Valentina arregalou os olhos, chocada:

​— A Val?! Como assim? Ela nunca me deu nem um sinal!

​O pai de Mateo encostou-se no sofá, surpreso, mas com um olhar compreensivo. A mãe, no entanto, apenas soltou um suspiro suave e deu um sorriso acolhedor.

​— Eu sabia... No fundo, eu sempre desconfiei — disse Beatriz carinhosamente. — Um olhar de mãe não engana. Eu via o jeito que a Valéria olhava para você quando você não estava prestando atenção. Mas eu nunca disse nada porque sabia que você a via apenas como uma irmã, e não queria criar expectativas nem estragar a amizade de vocês.

​— Ela foi muito mulher e muito corajosa — comentou Marcos, balançando a cabeça com orgulho da sobrinha de consideração. — O pai dela, Roberto, e eu nos conhecemos há mais de trinta anos. Vi a Valéria crescer como se fosse minha própria filha. Guardar um sentimento desse por anos para não atrapalhar a empresa nem a família mostra o tamanho do caráter que ela tem.

​Marcos inclinou-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos e encarando o filho de forma profunda:

​— Mas me diga uma coisa, Mateo... E você? Em algum momento da sua vida, por menor que fosse, você olhou para a Valéria de outra forma? Em algum instante você começou a gostar dela como mulher?

​A pergunta do pai fez a sala mergulhar em um silêncio absoluto.

​Mateo travou por alguns segundos. Fechou os olhos e permitiu-se olhar profundamente para dentro de si, buscando no fundo do seu coração e da sua memória cada ano, cada fase e cada momento que compartilhou com Valéria. Ele buscou qualquer faísca, qualquer dúvida ou resquício de sentimento romântico que pudesse ter passado despercebido ao longo dos anos.

​Mas não havia nada. Quando abriu os olhos, a expressão de Mateo era límpida, segura e transparente. Ele encarou o pai e respondeu de forma firme e convicta:

​— Não, pai. Nunca. Eu busquei agora no fundo do meu peito e tenho certeza absoluta: eu nunca gostei da Valéria dessa forma. Para mim, ela sempre foi e sempre será uma irmã. O amor que sinto por ela é puro, de proteção, de amizade e de parceria profissional. Nada mais do que isso.

​— Ela me disse exatamente isso hoje, pai — completou Mateo, aliviado ao verbalizar sua certeza. — Disse que me ama como amigo e sócio, mas que precisava colocar isso para fora para virar a página. Nos abraçamos e ela deixou claro que o nosso futuro e a nossa amizade continuam firmes.

​— A Val é incrível — sorriu Valentina. — Poucas pessoas teriam a nobreza de fazer o que ela fez.

​Os dias seguintes no escritório provaram que Valéria falava a verdade. Ela caminhava pelos corredores com uma leveza contagiante, conduzindo as reuniões com brilho e mantendo a mesma parceria impecável de sempre com Mateo.

​Uma semana depois, Luca teve uma rotina corrida na sede da empresa devido a uma nova assinatura e importante parceria de negócios entre a AuraBio Laboratórios e a Vortex Tecnologias.

​A reunião na sala de conferências foi um sucesso. Valéria conduziu a apresentação dos números com maestria, enquanto Luca, com seu terno impecável e postura imponente, acompanhava cada movimento dela com admiração contida.

​Porém, ao longo da explicação, Luca percebeu que Mateo parecia disperso em alguns momentos. Quando a reunião terminou e Valéria desceu para atender um cliente, Luca aproximou-se da mesa de Mateo.

​— A apresentação foi excelente. A Valéria é realmente impressionante na liderança desses projetos — comentou Luca, antes de abaixar o tom de voz. — Mas notei você um pouco distante hoje, Mateo. Está tudo bem com os negócios?

​Mateo sorriu fraco, balançando a cabeça.

​— Está tudo perfeito com o contrato, Luca. É só um assunto pessoal. Mas aqui no escritório não é o momento certo para conversar sobre isso.

​Luca assentiu com respeito:

​— Entendo perfeitamente.

​— Que tal um drink mais tarde? — sugeriu Mateo. — A gente toma uma cerveja naquele bar mais calmo perto do centro e eu te conto com calma.

​— Combinado — aceitou Luca, com um breve aceno de cabeça. — Te vejo lá às oito.

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