LOGINCapítulo 3: Laços, Conversas e o Primeiro Passo
A luz da manhã entrava suavemente pela janela da cafeteria próxima ao centro empresarial. Sobre a mesa, duas xícaras de café fumegavam, mas nenhuma das duas amigas havia tocado na bebida ainda. Valentina segurava as mãos de Valéria sobre a mesa, encarando-a com uma mistura de carinho, choque e profunda admiração. — Meu irmão chegou em casa de madrugada com a cabeça nas nuvens, Val... — disse Valentina, em tom baixo e acolhedor. — Quando ele nos contou o que você disse na varanda da festa, eu custei a acreditar. Você guardou tudo isso por anos? Do lado do meu irmão, convivendo comigo todos os dias... e nunca deixou transparecer nada? Valéria deu um sorriso calmo e sereno, apertando os dedos da amiga. — Eu precisava guardar, Tina. O Mateo te ama como irmã e é o meu melhor amigo e sócio. Se eu falasse antes, ia criar um clima estranho nas nossas famílias e no trabalho. E o seu irmão nunca me viu como mulher. Eu não queria transformar algo que era meu em um drama para vocês. Valentina soltou um suspiro emocionado e balançou a cabeça: — Você é a mulher mais nobre que eu conheço. Mas guardar esse peso sozinha por tanto tempo... Meu Deus. Eu estou aqui para você, Val. Sempre estive e sempre vou estar. — Eu sei — Valéria sorriu com sinceridade. — Mas eu não estou triste, de verdade. Tirar isso do meu peito na noite da festa me deu uma leveza que eu não sentia há anos. Eu fechei o ciclo com o Mateo em paz. Estou pronta para viver a minha vida. Valentina enxugou o canto do olho e abriu um sorriso radiante e cúmplice: — Que bom! Porque se você acha que vai passar o resto do ano focada apenas nos relatórios de biomedicina da Aura, está muito enganada! Eu vou te ajudar a renovar esse guarda-roupa, nós vamos sair, e eu vou te fazer enxergar o quanto você é linda, inteligente e desejável. O mundo precisa conhecer a nova Valéria! As duas riram juntas, selando com um abraço apertado o início daquela nova fase. Mais tarde, ao cair da noite, a meia-luz de um bar calmo no centro da cidade oferecia um contraste relaxante após o expediente. Numa mesa discreta, Mateo e Luca seguravam suas taças de cerveja enquanto o ambiente calmo permitia uma conversa sem pressa. — A reunião de hoje foi excelente. A fusão das nossas pesquisas em biomedicina com a inteligência artificial da Vortex Tecnologias vai revolucionar nossos diagnósticos — comentou Mateo, dando um gole em sua bebida antes de encarar o amigo. — Mas preciso confessar que ando um pouco disperso por conta de algo pessoal... Algo que aconteceu na noite da festa de cinco anos. Luca manteve a postura calma, escutando com atenção. — A Valéria me fez uma confissão na varanda — continuou Mateo, respirando fundo. — Ela me contou que foi apaixonada por mim durante todos esses anos. Guardou isso em silêncio para não prejudicar nossa amizade nem a Aura. Me contou apenas para virar a página, já que agora vou me casar com a Natália. Ela nos deu um abraço, disse que continuamos os melhores sócios e amigos, e cumpriu a palavra. Nos últimos dias, ela está com uma leveza e uma energia no trabalho que eu nunca tinha visto. Luca ouviu cada palavra em silêncio, sentindo o peito desacelerar. O encerramento definitivo daquele ciclo significava que a mulher que ele admirava em silêncio há tanto tempo estava finalmente livre de coração e alma. Enquanto Mateo tomava mais um gole em silêncio, a mente de Luca viajou alguns meses no tempo, resgatando a memória de como aquele sentimento havia nascido. A primeira vez que a vira fora em um simpósio de biotecnologia em Verona Heights, quando a Vortex ensaiava seus primeiros passos fora de Silver Creek. Valéria estava no palco apresentando uma pesquisa complexa. Naquele dia, o que prendeu a atenção de Luca foi o rigor científico, a eloquência e a autoridade com que ela dominava o assunto. Mas a admiração não tinha parado ali. Quando as duas empresas fecharam a parceria, vieram as semanas de reuniões intensas. Foi no convívio direto do dia a dia — observando a postura ética de Valéria, a nobreza com que tratava a equipe, a inteligência cirúrgica para resolver problemas e a maturidade firme da sua personalidade — que a admiração profissional de Luca se transformou em algo muito mais profundo. Ele havia se apaixonado pela mulher que ela era em cada detalhe. De volta ao presente, em vez de se apressar ou declarar seus sentimentos de imediato, Luca ajeitou a postura na cadeira, tomou um gole de sua bebida e encarou o amigo com uma expressão calma e curiosa, decidindo sondar o terreno primeiro. — É uma atitude de muita nobreza da parte dela — comentou Luca, com a voz pausada. — Mas me diz uma coisa, Mateo... Como você se sente em relação ao futuro? Mateo piscou, sem entender direito: — Como assim? — Ela fechou o ciclo com você para poder seguir em frente — explicou Luca, medindo as palavras com sutileza. — Se amanhã ou depois a Valéria decidir aceitar convites, frequentar novos lugares e encontrar um novo amor... Você está realmente preparado para ver a sua sócia e irmã apaixonada por outro homem? Mateo ficou pensativo por alguns segundos, olhando para a própria taça. Em seguida, deu um sorriso sincero, sem qualquer traço de hesitação. — Sinceramente? Eu torço muito por isso, Luca — respondeu Mateo, com firmeza no olhar. — A Valéria passou anos guardando esse sentimento em silêncio enquanto me via namorar. Ela merece alguém que olhe para ela como prioridade, que a ame por inteiro e que a valorize como a mulher incrível que ela é. Se esse homem aparecer, ele vai ter o meu total apoio. Luca captou cada nuance da resposta. Ele percebeu a honestidade no tom do amigo e soube, naquele instante, que o caminho estava limpo e que ele faria as coisas no tempo certo — com a calma, o respeito e o charme que Valéria merecia. — É bom ouvir isso de você — disse Luca, mantendo o tom neutro e um sorriso discreto no canto dos lábios. — A Valéria realmente merece o melhor. Ele ergueu sua taça de forma descontraída: — Um brinde ao futuro das nossas empresas e aos novos ciclos. — Ao futuro — concordou Mateo, chocando seu copo ao dele.Capítulo 9: O Retorno dos Pais e o Olhar de FamíliaO saguão do aeroporto internacional de Verona Heights estava movimentado na noite de terça-feira. Entre o fluxo constante de passageiros e o som das malas rolando pelo piso polido, Valéria aguardava perto da saída do desembarque. Ela vestia um jeans ajustado, uma blusa de gola alta e um casaco leve, mantendo a postura serena e elegante que lhe era natural.Quando as portas automáticas se abriram mais uma vez, ela avistou os pais caminhando juntos.Roberto e Cecília vinham de mãos dadas, trocando risadas e cumplicidade. Tinham acabado de passar dez dias nas praias paradisíacas do Caribe, celebrando mais um aniversário de casamento na chamada "quinta lua de mel" do casal.— Minha filha! — Cecília abriu os braços com um sorriso iluminado assim que os olhos encontraram Valéria.As duas se abraçaram com calor e saudade. Em seguida, Roberto envolveu as duas em um abraço protetor e acolhedor, beijando o topo da cabeça da filha com cari
Capítulo 8: O Aroma das Flores e o Convite Pessoal Na manhã de sábado, o sol brilhava suavemente através da varanda do apartamento. Valéria ainda estava de roupão de seda e xícara de café na mão quando a campainha tocou. Era Valentina, de vinte e dois anos, que havia saído cedo da mansão de seus pais e trazia uma sacola com croissants frescos de uma padaria artesanal. — Eu nem esperei dar dez horas da manhã! — disse Valentina, entrando radiante e deixando os pães na bancada da cozinha. — A sua carona ontem com o Luca... Como foi? Me conta tudo! Valéria riu, servindo mais uma xícara de café para a amiga. — Foi tranquila, Tina. Ele me deixou na portaria do prédio, conversamos um pouco... — "Conversamos um pouco"? Valéria, eu vi o jeito que ele te olhava durante todo o jantar no restaurante! — provocou Valentina, sentando-se na banqueta da bancada. — O Luca é lindo, comanda uma empresa gigante e não tirou os olhos de você por um segundo sequer. Valéria olhou para a própri
Capítulo 7: O Percurso, a Intimidade e o Despertar do Corpo O jantar comemorativo havia se encerrado sob risos e um clima de dever cumprido. Pouco antes de solicitarem a conta, enquanto Mateo e Luca ajustavam alguns detalhes do transporte com o garçom, Natália levantou-se discretamente da mesa para ir ao toucador. Valéria olhou para Valentina, que lhe deu um leve aceno de aprovação com a cabeça. Sentindo que aquele era o momento perfeito para ter a conversa que havia planejado, Valéria levantou-se com passos tranquilos e seguiu até o lounge reservado que antecedia a entrada dos banheiros do restaurante. Natália estava retocando o batom diante do espelho quando percebeu a presença de Valéria através do reflexo. Ela virou-se com um sorriso gentil: — A noite foi maravilhosa, não foi, Valéria? A integração das equipes foi um sucesso. — Foi impecável, Natália — respondeu Valéria com suavidade, aproximando-se um passo. Ela manteve a postura elegante, mas seu olhar expressava tota
Capítulo 6 O café da manhã na cozinha do apartamento de Valéria começou sob o olhar curioso e o interrogatório animado de Valentina. — Sem relatórios na mesa? Um bistrô reservado? Carta de vinhos? — Valentina apoiava os queixos nas mãos, com os olhos castanho-esverdeados brilhando de empolgação. Aos seus vinte e dois anos, ela vibrava com cada novidade na vida da amiga. — Valéria, isso não foi um jantar comum de trabalho. Foi um encontro impecável! Valéria sorriu, ajeitando a xícara de chá sobre a mesa. Suas bochechas coraram levemente, mas seu olhar expressava a serenidade de quem estava aproveitando aquela nova fase. — Foi apenas uma conversa agradável entre dois profissionais que se admiram, Val — explicou Valéria com serenidade. — O Luca é extremamente inteligente e tem uma visão de mundo incrível. Ele não me tratou como "a sócia do Mateo". Ele conversou comigo de igual para igual. — E é exatamente assim que você merece ser tratada! — Valentina levantou-se da cadeira e de
Capítulo 5 O bistrô escolhido por Luca tinha uma iluminação acolhedora e meia-luz, com mesas de madeira escura separadas por biombos sutis que garantiam total privacidade. Ao fundo, um instrumental suave tocava baixinho, criando uma atmosfera a anos-luz da agitação do laboratório. Assim que se acomodaram em um canto reservado perto da adega, Luca puxou a cadeira para Valéria com um gesto natural de cavalheirismo. — Obrigado por aceitar o convite — disse ele, sentando-se à frente dela e ajeitando o guardanapo de pano sobre o colo. — Eu prometi zero relatórios, então a primeira regra da noite é proibir palavras como "algoritmo", "diagnóstico" e "biomedicina". Valéria soltou uma risada sincera, ajeitando uma mecha do cabelo castanho-escuro atrás da orelha. Seus olhos castanho-dourados brilhavam com uma descontração que raramente transparecia durante o expediente. — Você está propondo um desafio difícil para duas pessoas que vivem em função disso doze horas por dia, Sr. Del Tor
Capítulo 4: A Nova Rotina e o Convite do Luca Se a conversa na varanda havia sido a porta de saída de um passado silencioso, as semanas seguintes tornaram-se o portal de entrada para a nova vida de Valéria. Cumprindo a promessa que fizera no café, Valentina arrastou a amiga para shopping centers, renovou peças do seu guarda-roupa de trabalho e a incentivou a aceitar convites sociais. Valéria voltou a frequentar jantares, eventos do setor de biotecnologia e até aceitou dois encontros casuais organizados por conhecidas em comum. Nenhum daqueles homens fez seu coração acelerar — a maioria parecia intimidada pela sua independência ou focada em conversas superficiais —, mas o simples ato de se arrumar, sair e ser vista como uma mulher livre trouxe um brilho radiante à sua fisionomia. No entanto, o último desses encontros, em especial, rendeu uma história que arrancaria gargalhadas de Valentina no dia seguinte. O pretendente, um executivo do setor financeiro chamado Gustavo, pareci







