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O Presente Tem Dona
O Presente Tem Dona
مؤلف: G.A.Maia

O Brinde Do Encerramento

مؤلف: G.A.Maia
last update تاريخ النشر: 2026-09-19 11:22:49

​Capítulo 1: O Brinde do Encerramento

O som das taças se chocando e o murmúrio alegre dos convidados atravessavam a pesada porta de vidro da varanda. Do lado de fora, a brisa fria da noite de Verona Heights, uma das metrópoles mais vibrantes de Verídia, movia suavemente os fios do cabelo castanho-escuro no elegante corte long bob de Valéria, que mantinha o olhar fixo na bebida avermelhada em sua taça. Aos seus vinte e quatro anos, com 1,70m de altura e uma postura impecável, ela exalava a presença de uma mulher forte e resolvida.

Lá dentro, sob as luzes douradas do salão, Mateo, de vinte e seis anos, ria abertamente ao lado de Natália, também de vinte e quatro. O tom castanho-claro do cabelo ondulado dele brilhava sob a iluminação enquanto segurava com delicadeza a mão da namorada, que exibia um sorriso radiante entre seus fios loiros. Era a festa de cinco anos do laboratório de biomedicina que Valéria e Mateo haviam erguido juntos, com muito suor e dedicação: a AuraBio Laboratórios.

​Valéria suspirou suavemente, sentindo um nó familiar no peito, mas que agora já não doía como antes. As memórias vieram como uma maré rápida: a infância correndo pelo quintal com Mateo e com a caçula Valentina, hoje com vinte e dois anos; os perrengues do ensino fundamental e médio; as noites em claro na faculdade alimentando-se de café frio; e aquele primeiro escritório improvisado onde prometeram vencer no mundo dos negócios.

​Durante todos aqueles anos, ela guardou o amor por ele em silêncio. A cada namoro que Mateo começava e terminava, uma pequena esperança renascia no coração dela. "Talvez um dia ele me enxergue além da amizade", pensava. Mas essa ilusão se desfez semanas atrás, quando ele a chamou no escritório com o olhar brilhando para confidenciar que pretendia pedir à Natália em casamento.

​— É o fim do ciclo, Valéria — ela sussurrou para si mesma, encarando o céu estrelado. — Chegou a hora de se libertar.

​O barulho do fecho da porta cortou o silêncio da noite. Mateo aproximou-se com passos leves, segurando duas taças. O sorriso radiante que ele ostentava no salão deu lugar a uma expressão mais calma e afetuosa ao ver a sócia ali sozinha.

​— Te achei — disse ele, encostando-se no parapeito ao lado dela e entregando-lhe uma das taças. — A festa lá dentro está incrível, e a aniversariante principal escondida aqui fora olhando para as estrelas?

​Valéria sorriu com carinho, pegando a taça.

​— Só estava respirando um pouco, Mateo. Olhando para tudo o que construímos na Aura nestes cinco anos — respondeu ela, com a voz serena.

​— Nem parece que há alguns anos estávamos dividindo uma pizza fria naquele escritório minúsculo — ele riu baixinho, contemplando o horizonte iluminado. Em seguida, a expressão dele mudou de um jeito diferente. — Sabe, Val... Ver a empresa dar certo assim me faz sentir que a minha vida finalmente está no rumo. Principalmente agora... com a Natália.

​Valéria segurou a taça com firmeza. Não havia mais dor amarga, apenas a certeza de que o momento era aquele.

​— Você realmente ama a Natália, não ama? — perguntou ela suavemente.

​— Como nunca amei ninguém — Mateo confessou, sem hesitar, transbordando sinceridade. — Eu pretendo pedir a mão dela em casamento no mês que vem. Você é a primeira pessoa para quem estou contando isso.

​Valéria olhou para o céu noturno uma última vez, tomou um gole da bebida e voltou-se para ele com uma expressão de pura serenidade.

​— Estou muito feliz por você, Mateo. De verdade — disse ela, com a voz firme. — E é exatamente por ver você pronto para dar esse passo que eu preciso te dizer uma coisa. Não para pedir nada, mas para me libertar e fechar esse ciclo em paz.

​Mateo franziu a testa de leve, curioso:

​— O que foi, Val?

​— Eu fui apaixonada por você durante anos — disse ela, direta e sem rodeios, mantendo o olhar fixo no dele. — Enquanto a gente crescia, enquanto erguíamos a AuraBio Laboratórios... eu te amei de um jeito que ia muito além da amizade.

​O sorriso de Mateo congelou. Ele piscou algumas vezes, tentando assimilar o que acabara de ouvir.

​— Val... o quê?

​— Não fala nada, só me escuta — interrompeu ela, com um sorriso acolhedor e calmo. — Você não tem culpa de absolutamente nada. A gente não manda no coração, e você sempre me viu como uma irmã, o que é um direito seu. Eu nunca te contei antes porque não queria estragar a nossa parceria, nossa amizade ou a relação com a Valentina. Mas hoje, vendo você pronto para construir uma família com a Natália, eu decidi que era hora de enterrar esse sentimento de vez.

​Mateo deu um passo à frente, com a voz embargada e um nó na garganta:

​— Val... eu não fazia ideia. Me desculpa se em algum momento eu te fiz sofrer sem saber, eu jamais quis...

​— Ei — ela colocou a mão suavemente no braço dele. — Você não tem pelo que pedir desculpas. Ninguém escolhe por quem se apaixona e você nunca me prometeu nada. Eu não estou te contando isso para ir embora da empresa, para mudar nossa amizade ou sumir da sua vida. Nós construímos tudo isso juntos e continuaremos firmes como os melhores sócios. Eu só precisava colocar isso para fora para que o meu coração ficasse limpo e pronto para o meu próprio futuro.

​Valéria abriu os braços de forma acolhedora.

​Mateo, ainda chocado, mas profundamente emocionado e grato pela nobreza dela, a envolveu em um abraço sincero e apertado. Era o abraço de dois irmãos de alma encerrando um capítulo silencioso para iniciar um novo tempo.

​Ao se afastarem, Valéria deu um leve tapinha no ombro dele, ajustou a postura e sorriu:

​— Pronto. Página virada. Agora vamos voltar para lá, porque a festa também é nossa.

​Mateo abriu a porta de vidro primeiro para que ela passasse. Ao retornar ao salão movimentado, Valéria distraiu-se por um segundo ao ajeitar a bolsa e acabou esbarrando sem querer no ombro de um homem que recém-chegava ao evento.

​A taça de champanhe oscilou em sua mão, mas antes que o líquido derramasse em seu vestido, uma mão firme e ágil segurou seu braço com precisão.

​— Cuidado — disse uma voz grave e aveludada, que fez a espinha de Valéria arrepiar no mesmo instante.

​Valéria ergueu o olhar para se desculpar:

​— Perdão, eu estava distraída...

​As palavras travaram em sua garganta. Tratava-se de Luca Del Toro. Aos vinte e quatro anos, com seus 1,85m de altura, ombros largos e um terno escuro feito sob medida, o CEO da Vortex Tecnologias exalava o magnetismo de um homem poderoso e extremamente seguro de si. Quando os marcantes olhos azul-esverdeados dele se cruzaram com os olhos tom de âmbar de Valéria, Luca não a encarou com a formalidade de um evento corporativo, nem como uma jovem a ser protegida — ele a olhou de homem para mulher, com uma admiração direta e avassaladora.

​— Não há pelo que se desculpar, Dra. Valéria — disse Luca, sustentando o olhar por um segundo a mais do que o estritamente social antes de soltar o braço dela com extrema elegância. — O erro foi meu por cruzar o seu caminho de forma tão repentina. É um prazer finalmente conhecê-la pessoalmente.

​Valéria recuperou o fôlego, sentindo um calor diferente subir por seu rosto:

​— O prazer é meu, Sr. Del Toro. Não sabia que contaria com a sua presença hoje.

​— Eu não perderia a oportunidade de conhecer de perto a mente brilhante por trás das pesquisas da AuraBio Laboratórios — respondeu Luca, exibindo um sorriso discreto e charmoso no canto dos lábios.

​Mateo, que vinha logo atrás, deu um passo à frente. Ao ver a proximidade entre os dois e a intensidade na expressão de Luca sobre a sua sócia, o maxilar de Mateo travou imperceptivelmente. Um ciúme protetor e instintivo — o sentimento de posse de um irmão mais velho que de repente vê a "irmã" ser notada por outro homem — acendeu em seu peito.

​— Luca — cumprimentou Mateo, colocando-se ao lado de Valéria com o corpo sutilmente fechado. — Não sabia que já tinha chegado.

​— Acabei de passar pela entrada, Castillo — respondeu Luca com serenidade, medindo a postura defensiva de Mateo, mas mantendo o foco do seu olhar em Valéria. — E vejo que a noite promete ótimas conversas.

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