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Regan entrou na Floresta Noctérnia comigo nos braços.Naquela floresta não havia luar, apenas escuridão sem fim e feras mágicas à espreita.Para um lobisomem exilado, aquele lugar era o inferno.Mas Regan não se importava.Ele encontrou uma caverna e me colocou com cuidado sobre uma pedra lisa.Depois se sentou ao meu lado.E ficou ali, me olhando em silêncio.Um dia inteiro.Seu lobo, destruído pela perda da companheira, se desintegrava aos poucos.Sua força se esvaía. Sua consciência se desfazia.Então as alucinações começaram.Ele parecia me ver sorrindo para ele.Parecia me ver como antes, seguindo seus passos em silêncio, sempre ao seu lado.— Vera.Regan estendeu a mão para tocar a ilusão, mas seus dedos só encontraram o vazio.Então ele sorriu.Um sorriso mais doloroso que choro.— Olha só. Esse é o meu castigo.— Eu te perdi.— E agora nunca mais vou te encontrar.Enquanto isso, Adrian e Matthew construíram um túmulo vazio para mim na montanha atrás da alcateia.Não colocaram l
Entre os gritos desesperados de Sylvia, Regan forçou sua boca a se abrir e despejou nela uma poção roxa-escura.Era o remédio da bruxa.Todos ouviram um uivo agudo e miserável sair de dentro do corpo de Sylvia.A loba dela caiu em sono profundo.Sylvia revirou os olhos de dor. Seu corpo entrou em convulsão, e a pele antes viçosa murchou depressa, ficando seca e acinzentada, como se ela envelhecesse décadas em um único instante.Logo depois, os dedos ensanguentados de Regan deslizaram até o rosto dela.Uma força devastadora caiu sobre aquela face bonita, da qual ela tanto se orgulhava, a mesma face que usou para enganar todos ao seu redor.E a destruiu por completo.A carne se abriu, queimada e retorcida. Daquele momento em diante, Sylvia só podia viver com aquele rosto de pesadelo.Regan soltou a mão, deixando Sylvia desabar no chão como lama.— Sylvia, você enganou o Alfa, roubou méritos que não eram seus e armou contra uma irmã de alcateia.— Todos os seus poderes estão abolidos. A p
O tempo pareceu parar.A praça do julgamento ficou tão silenciosa que até uma agulha caindo podia ser ouvida.Todos olhavam para o palco.Para a garota presa pelas correntes de prata.Para a garota que, com o último vestígio de um sorriso nos lábios, baixou a cabeça para sempre.Ela morreu.No exato instante em que a verdade veio à tona diante de todos.Morreu diante da alcateia inteira.Morreu diante dos três homens que amou com a própria vida.— Não...Um gemido rouco, quase desumano, rompeu o silêncio mortal.Era Regan.Ele cambaleou e se lançou sobre o palco do julgamento.Com as mãos trêmulas, desfez as correntes de prata que prendiam meu corpo.Então me tomou nos braços e apertou contra o peito meu corpo já frio.— Vera...— Vera, acorda...— Olha para mim... eu errei... eu sei que errei...Ele chamava meu nome como um louco.Tentava aquecer, com a própria força, o corpo que esfriava pouco a pouco.Tentava chamar minha loba interior pela conexão mental.Mas a única resposta era o
A última memória não tinha imagem.Apenas som.Era a voz mais profunda dentro de mim. A voz da minha loba.Fraca, mas cheia de apego e saudade.— Regan, você sabe? Na primeira vez em que te vi, eu te reconheci.— Você era meu companheiro destinado.— Minha loba celebrou por você.— Ela disse que te seguiria para sempre. Que te protegeria para sempre.O corpo de Regan ficou rígido, como se um raio o atingisse.Companheiro destinado...Aquelas palavras caíram sobre ele como um golpe brutal, quebrando sua última defesa.Um lobisomem só tinha um companheiro destinado em toda a vida.Era o vínculo mais sagrado concedido pela Deusa da Lua.E ele destruiu a própria companheira com as próprias mãos.A voz continuou.— Adrian, meu irmão. Quando éramos pequenos, você sempre ficava na minha frente. Dizia que me protegeria pela vida inteira. Eu nunca esqueci.— Então, quando o perigo veio, minha loba me disse que, daquela vez, era minha vez de te proteger.— Mesmo que morresse, ela faria isso sem
A luz do Cristal de Memória foi perdendo a força.A terceira memória terminou.A praça do julgamento ficou em silêncio absoluto.Todos estavam abalados pelas três verdades cruéis que acabaram de presenciar.Olharam para a garota no palco, coberta de ferimentos, com a vida por um fio.O desprezo em seus olhos se transformou em choque. Depois, em culpa. E, por fim, em compaixão.Ela não era uma traidora cruel.Era a heroína que usou o próprio sangue, o próprio corpo e a própria vida para proteger a alcateia e as pessoas que amava.E eles levaram sua heroína ao palco do julgamento.— Não... Não...Adrian caiu de joelhos e socou o chão, tomado pela dor.Ele se lembrou de cada bronca, de cada olhar frio que me lançou.Agora, aquelas palavras voltavam como lâminas afiadas, cortando seu coração golpe por golpe.Matthew parecia enlouquecido, puxando os próprios cabelos sem parar.— Foi minha culpa... Tudo foi culpa minha...Ele não ousava olhar nos meus olhos.Tinha medo de encarar o olho esqu
Ele se lembrou.Dois anos antes, quando estava à beira da morte, na manhã seguinte, Sylvia colocou uma Flor Flâmora ainda coberta de orvalho ao lado de seu travesseiro.Ela disse que passou noites rezando para a Deusa da Lua, e que foi guiada até a flor.Foi assim que ele sobreviveu.Nunca imaginou que aquela flor custou a mim um olho e quase da minha vida.Na imagem, eu matei a fera.Arrastei meu corpo destruído, colhi a Flor Flâmora e saí do desfiladeiro aos tropeços.A perda de sangue turvava minha consciência. A dor no olho esquerdo quase me fez desmaiar.Foi então que encontrei Sylvia na entrada do desfiladeiro.Ao me ver coberta de sangue, ela se assustou.— Vera?Como se tivesse encontrado uma salvação, estendi a mão trêmula e empurrei a Flor Flâmora, ainda manchada com meu sangue, para ela.— Sylvia... rápido... leve isso para o Matthew... ele não vai aguentar...Minha visão falhava.— Eu... não consigo enxergar... não consigo andar... por favor... entregue a ele...Assim que t







