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Capítulo 2

作者: WangWang Fishcake
A luz do Cristal de Memória ficava cada vez mais intensa.

Minha consciência começava a se perder.

A força dentro do meu corpo se esvaía pouco a pouco, e até a dor ardente das correntes de prata se transformava em dormência.

A voz de Sylvia veio doce, melosa, cheia de prazer mal disfarçado.

— Olhem, vai começar! Agora todos vão ver a verdadeira face dessa mulher cruel!

Os membros da alcateia cochichavam entre si, apontando para mim.

— A gente nunca sabe o que existe por trás de um rosto. Para uma traidora ingrata dessas, até morrer em pedaços seria pouco.

— Ela sempre parecia tão calada... Quem diria que escondia um coração tão podre?

— Devia se olhar no espelho. Uma loba baixa como essa achou mesmo que podia desejar o lugar de Luna? Ainda bem que a futura Luna não é ela. Se fosse, a Alcateia da Sombra Lunar estaria acabada.

O rosto de Regan não mostrava nenhuma emoção.

Ele assistia àquilo como se visse uma execução que nada tinha a ver com ele.

A imagem no cristal finalmente se estabilizou.

Todos acreditavam que veriam uma cena minha em encontro secreto com lobos renegados.

Mas o que surgiu diante deles fez a praça inteira mergulhar em silêncio.

Era um mar de fogo.

As chamas subiam até o céu e tingiam a noite de vermelho.

O lugar era o antigo depósito da Alcateia da Sombra Lunar, cinco anos antes.

Dentro do depósito, um enorme lobo cinza-prateado rugia de dor. Uma das patas traseiras estava presa sob uma pesada estante de metal que desabou.

A pelagem cinza-prateada brilhava sob o fogo como metal polido, e na ponta da orelha esquerda havia uma pequena mecha preta, inconfundível.

No alto da plataforma, o corpo de Adrian estremeceu de repente. Seu rosto perdeu toda a cor.

Aquele era o lobo dele.

Cada membro da alcateia ali presente o reconhecia.

Na imagem, o lobo cinza-prateado claramente tentou se transformar para ganhar mais força e escapar, mas o corpo maior apenas o deixou ainda mais preso.

— Auuuu! Socorro! Alguém me ajude!

Tomado pelo pânico, ele perdeu toda a razão e só conseguia uivar em desespero.

Foi então que um relâmpago branco cortou a fumaça densa.

Era uma loba branca, pequena, mas de linhas ágeis e elegantes.

Com as quatro patas no chão, ela avançou contra o fluxo de lobos em fuga e entrou no incêndio como uma flecha disparada.

Por manter a forma de loba, sua velocidade era impressionante. Ela desviava com precisão dos destroços em chamas que caíam ao redor.

Aquela era eu, cinco anos antes.

Na época, minha loba despertou antes do esperado, mas eu ainda era jovem demais. Minha energia frágil não sustentava a forma de loba por muito tempo.

Mesmo assim, para salvar meu irmão, eu me forcei a me transformar e corri para dentro do fogo.

— Adrian!

Minha voz saiu rouca por causa da fumaça.

Cheguei até Adrian, que perdeu os sentidos sufocado pela fumaça e estava preso sob uma viga quebrada.

A viga ainda ardia, lançando faíscas por todos os lados.

Ao redor, as estruturas de madeira tremiam, prestes a desabar a qualquer instante.

Não hesitei.

Usei a cabeça de loba para empurrar a viga com força, cravei as patas dianteiras no chão e reuni toda a força que ainda existia no meu corpo.

— Auuuu!

As chamas lamberam minha pelagem branca e queimaram uma grande área no mesmo instante. A dor violenta fez meu corpo tremer.

Mas não desisti.

Tentei uma vez. Depois outra. Meus dentes rangiam com a força que eu fazia.

— Adrian, acorda! Acorda, por favor!

Finalmente, Adrian soltou um gemido fraco.

Nesse instante, um estalo violento veio do alto.

A maior viga de sustentação se partiu.

Envolta em fogo, ela caiu direto sobre nós.

Não dava para escapar.

Na imagem, me joguei sobre Adrian sem pensar duas vezes e usei minhas costas frágeis para protegê-lo.

Bum!

A viga em chamas atingiu minhas costas com violência.

Uma dor impossível de descrever escureceu minha visão.

Por causa dos ferimentos graves, nem eu, atingida pelo impacto, nem Adrian, já ferido, conseguimos manter a forma de lobo.

Com uma luz distorcida, os dois lobos desapareceram.

No lugar deles, surgiram um garoto e uma garota, ambos cobertos de sangue.

Eu estava caída sobre Adrian, com as costas reduzidas a carne viva.

O som da pele queimando se misturava ao cheiro de sangue e carne chamuscada, tomando o ar ao redor.

Mordi o lábio com força e usei o último resto de energia para empurrar Adrian para fora da abertura.

— Adrian... corre...

Minha consciência se apagava depressa.

Antes de desmaiar por completo, vi a silhueta de outra garota sair correndo de um canto do depósito.

Era Sylvia.

Intacta, sem nenhum ferimento, apenas com um pouco de cinza no rosto.

Ela olhou para nós. Por um segundo, algo complicado passou por seus olhos. Depois, correu para fora do incêndio.

A imagem parou ali.

A praça do julgamento mergulhou em um silêncio de morte.

Todos os olhares se voltaram para Adrian.

O rosto dele estava branco como papel.
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