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Capítulo 3

作者: WangWang Fishcake
Adrian tremia dos pés à cabeça.

Seus lábios se moviam, mas nenhuma palavra saía.

Porque ele se lembrava com clareza. Depois do incêndio de cinco anos atrás, todos lhe disseram que foi Sylvia quem entrou no fogo, sem pensar no perigo, para salvá-lo.

Quando acordou, a primeira pessoa que viu foi Sylvia.

Ela o abraçou e chorou, contando o quanto sentiu medo naquele dia, mas que, por ele, não temeu mais nada.

Quanto a mim, os curandeiros da alcateia me trouxeram de volta coberta de ferimentos. Fiquei meio morta na cabana de tratamento por quinze dias antes de abrir os olhos.

Todos pensaram que eu me machuquei porque saí correndo sem rumo.

Inclusive Adrian.

Ele até me repreendeu com dureza por isso. Disse que eu era imatura, que só sabia dar trabalho aos outros, e que nunca seria corajosa e bondosa como Sylvia.

Agora, o Cristal de Memória jogava a verdade, crua e sangrenta, diante dos olhos dele.

O rosto de Sylvia também perdeu a cor.

Ela agarrou o braço de Regan e tentou se explicar, tomada pelo pânico.

— Não... Não foi assim... Eu... eu também estava lá. Eu fiquei apavorada...

Regan franziu a testa.

Ele olhou para a Vera coberta de sangue na imagem e depois para o rosto pálido de Adrian. Pela primeira vez, algo em seus olhos vacilou.

Matthew também se levantou, incrédulo.

— Isso... isso é verdade? Vera, ela...

Meu corpo ficava cada vez mais fraco.

A dor dentro da minha cabeça vinha em ondas, uma mais intensa que a outra.

Eu sentia minha loba interior uivar. Ela se enfraquecia pouco a pouco.

O Cristal de Memória não parava.

Continuava sugando minha vida até exibir todas as memórias essenciais ligadas àqueles três homens.

Ou até eu morrer.

A luz do Cristal de Memória voltou a cintilar e começou a ler a segunda memória.

Desta vez, o brilho se voltou para Regan, no alto da plataforma.

O coração de Regan afundou.

Um mau pressentimento o envolveu.

Desta vez, a cena que apareceu era o quarto do Alfa, três anos antes.

Regan estava deitado na cama, o corpo inteiro em convulsões. Marcas negras se espalhavam de seu coração para o resto do corpo.

Seus olhos estavam fechados. A respiração era fraca.

— É veneno de Lupamortis. — A voz do curandeiro da alcateia pesava no ar. — Não consigo neutralizar a toxina da Erva Lupamortis gigante.

O rosto de Regan ficou tão sombrio quanto o de Adrian.

Claro que ele se lembrava daquele episódio.

Três anos antes, durante uma batalha contra uma alcateia inimiga, Regan caiu em uma emboscada e foi envenenado.

Toda a alcateia se viu sem saída.

Todos acreditavam que ele ia morrer. A Alcateia da Sombra Lunar estava prestes a perder seu Alfa.

Na imagem, Sylvia estava ajoelhada ao lado da cama, chorando como se o coração dela fosse se partir.

Adrian e Matthew permaneciam ao lado, com expressões graves.

Eu apenas olhava em silêncio para Regan, que morria diante de mim.

Então me virei e saí do quarto.

Ao me ver sair, Sylvia se apressou em falar com Adrian:

— Adrian, olha a Vera... Regan está desse jeito, e ela nem se importa.

Adrian acompanhou minhas costas com os olhos, cheio de decepção.

A imagem me seguiu.

Corri sem parar, deixei o território da alcateia e segui até o Pântano Negro, onde, segundo as lendas, vivia uma bruxa.

O Pântano Negro era cheio de perigos, coberto por gases venenosos. Um lugar proibido, onde nenhum lobisomem ousava pisar.

Mas eu entrei sem hesitar.

Logo, a lama do pântano subiu até meus joelhos.

Avancei com dificuldade, afundando a cada passo, até encontrar uma pequena cabana coberta de cipós.

Ali, vi a bruxa das lendas.

Ela era velha como um galho seco, mas seus olhos brilhavam de um jeito assustador.

— O que veio fazer aqui, lobinha?

Ajoelhei diante dela. Minha voz tremia.

— Por favor, salve meu companheiro destinado. Ele foi envenenado pela Erva Lupamortis gigante.

A bruxa soltou uma risada áspera.

— Posso salvá-lo.

Ela inclinou a cabeça.

— Mas o que você vai me dar em troca?

Seus olhos percorreram meu rosto.

— O que eu ofereço não é barato.

Ergui a cabeça, firme.

— Se for para salvá-lo, eu aceito qualquer coisa.

A bruxa me observou por alguns instantes e abriu um sorriso estranho.

— Muito bem.

Ela se aproximou um pouco.

— Sua loba interior é poderosa, cheia de vitalidade. Você é mais forte que os outros lobisomens, e sua capacidade de cura também é maior.

A voz dela ficou baixa.

— Então faremos assim. Eu o salvo, e você me entrega sua saúde em troca.

Meu coração pareceu parar por um segundo.

— A partir de hoje, seu corpo ficará fraco. Você viverá adoecendo e nunca mais suportará combates intensos. Sua loba interior se tornará frágil, e cada transformação lhe trará uma dor insuportável.

A bruxa sorriu.

— Você aceita?
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