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Jadson E Bruno

Author: Eby Matabela
last update publish date: 2026-10-21 02:34:55

Bruno entrou no escritório de Jadson como uma tempestade controlada.

A porta do último andar do Império Kasley bateu com força contra a parede de madeira escura, o som ecoando pelo espaço amplo e silencioso.

O carpete grosso abafou os passos seguintes, mas a energia que ele trazia era impossível de ignorar.

Camisa preta arregaçada nos antebraços, gravata frouxa, cabelo um pouco bagunçado de tanto passar a mão sinal claro de que a investigação tinha sido pessoal.

Jadson estava sentado atrás da mesa imensa, as luzes da cidade entrando pelas janelas do chão ao teto atrás dele. O monitor à frente mostrava relatórios financeiros, mas ele ergueu o olhar no mesmo instante em que Bruno cruzou a porta,não precisou de cumprimentos.

— Você tem cara de quem encontrou algo podre disse Jadson a voz baixa quase preguiçosa.

Bruno não respondeu de imediato,caminhou até a mesa e jogou a pasta preta fina sobre a madeira com um estrondo seco. O impacto fez o copo de whisky de Jadson tremer levemente.

— Podre é pouco Jads.

Eu cavei fundo,mais fundo do que o normal e o que saiu dessa mina… ele passou as duas mãos pelo cabelo, exasperado e soltou um riso descrente.

— É o tipo de merda que faz até eu perder a fome,essa vadia,essa puta desgraçada,essa vagabunda de sorriso doce e pernas abertas.

Jadson abriu a pasta com os dedos calmos. As páginas eram densas, prints de conversas, extratos, fotos datadas, gravações transcritas, relatórios de movimento. Ele leu em silêncio.

O canto da boca começou a se curvar devagar,primeiro um sorriso pequeno frio,depois os olhos escureceram.

A fúria veio misturada com algo quase divertido,a combinação perigosa que só Bruno conhecia bem.

— Continue,ordenou sem levantar a voz.

Bruno andava de um lado para o outro agora gesticulando com as mãos.

— O menino acredita Jads. De verdade.Aacha que está num relacionamento de amor,amor limpo, amor de pedido de casamento, de futuro, de “eu te amo” todo santo dia.

Ele dorme com ela, planeja vida a dois, protege o nome dela enquanto ela faz exatamente o que está aí nessa pasta. Eu quase senti pena do seu futuro marido. Quase,porque o nível de ilusão é constrangedor.

Jadson virou mais uma página. O sorriso não saiu do rosto, mas os dedos apertaram a borda do papel com força suficiente para deixar uma marca.

— Meu futuro maridinho tem um gosto péssimo.

A frase saiu baixa, carregada de desprezo e de algo mais escuro,ele fechou a pasta com um movimento lento e deliberado como se estivesse fechando um caixão.

Bruno parou de andar e se apoiou na beira da mesa, inclinando-se para frente.

— Péssimo é generoso. Ele está encrencado até o pescoço e nem desconfia,acredita em cada toque, cada palavra, cada planinho idiota de felicidade enquanto isso, a putinha ele apontou para a pasta com o queixo.

—Bem ela realmente não presta para nada.

Jadson se recostou na cadeira de couro, os cotovelos nos braços, os dedos entrelaçados na frente do rosto.

Os olhos porém, brilhavam com uma frieza calculista.

— E o resto da investigação?

Bruno endireitou o corpo. O sorriso voltou, desta vez mais afiado, quase satisfeito.

— Ah. Tem mais,o seu futuro maridinho está no meio de uma negociação grande. Rede de hospitais, já faz três meses e está quase fechando o acordo,valor alto se der certo a Robson irá controlar a maior rede privada de saúde do Sudeste. Controle total.Dinheiro, influência, poder.

O silêncio que se seguiu foi denso,jadson ficou imóvel por longos segundos,depois se levantou devagar a cadeira deslizando para trás sem barulho,caminhou até a janela panorâmica as mãos nos bolsos do terno preto,a cidade se estendia lá embaixo, luzes piscando como se nada de importante estivesse acontecendo no alto daquele prédio.

— Rede de hospitais,repetiu quase para si mesmo.

Bruno cruzou os braços observando o perfil do amigo.

— Por que essa cara Jads? Eu conheço esse olhar.

Jadson virou o rosto,o sorriso que nasceu então era o sorriso do Anjo Negro o mesmo que aparecia segundos antes de alguém desaparecer.

— Porque se o menino está comprando hospitais…a voz saiu baixa, perigosa, carregada de intenção .

—Então eu posso decidir se ele fecha o negócio ou se perde tudo antes mesmo de colocar a caneta no papel.

Bruno arqueou uma sobrancelha o interesse imediato.

— Você vai se meter na negociação?

— Vou fazer melhor.

Jadson voltou para a mesa, pegou o telefone interno e discou um número com calma.

— Vou garantir que meu futuro maridinho aprenda desde o primeiro dia quem realmente controla o tabuleiro. Cada movimento,cada peça,cada respiração.

Do outro lado da linha, uma voz atendeu. Jadson falou sem pressa.

— Chame o jurídico,quero tudo contratos, dívidas ocultas, acionistas, qualquer merda sobre essa rede de hospitais até o final do dia,prioridade máxima .

Desligou. Olhou para Bruno outra vez.

— E você, continue de olho na vadia. Ainda não acabou,eu quero saber cada passo dela,cada mensagem,cada sorriso falso.

Bruno inclinou a cabeça, o sorriso se alargando de puro deleite.

— Como quiser chefinho. Mas admite,isso vai ser divertido.

Jadson se sentou novamente, a pasta preta ainda sobre a mesa como um veredicto.

— Não vai ser divertido Bruno.

Os olhos escuros brilharam sob a luz fria da cidade.

— Vai ser educativo e quando o menino descobrir que a mulher que ama é uma fraude e que o negócio da vida dele depende de mim aí sim a gente começa o jogo de verdade.

O silêncio voltou a preencher o escritório,lá embaixo a cidade continuava a girar, alheia ao fato de que duas vidas estavam prestes a ser reescritas por um homem que não brincava em serviço.

Jadson ficou olhando a pasta fechada sobre a mesa por mais alguns segundos,depois o sorriso frio se aprofundou quase cruel.

— Eu vou comprar a rede de hospitais.

Bruno piscou, surpreso de verdade pela primeira vez naquela tarde.

— Como é que é?

— A rede que o meu futuro maridinho acredita que está quase fechando.

Jadson se levantou novamente e caminhou até o bar servindo mais um dedo de whisky.

— Vou comprar antes dele. Vou pagar o que for necessário,vou fazer os donos esquecerem que o nome Robson existe e quando Zayd achar que está a uma assinatura de conquistar o maior negócio da vida dele, vai descobrir que o comprador sou eu.

Bruno soltou uma risada baixa descrente e passou a mão pelo rosto.

— Você não presta, Jads. Sério. Você é um demônio de verdade.

Ele se aproximou ainda rindo.

— Você nem precisa dessa rede de hospitais,você já tem três só no Sudeste,tem participação em outras cinco.

Tem o suficiente para montar um império de saúde do zero se quiser, porquê caralhos você vai gastar uma fortuna de bem que dinheiro não é problema,só para tirar o brinquedo da mão do menino?

Jadson bebeu um gole os olhos brilhando sobre a borda do copo.

— Porque eu quero brincar um pouco com o meu futuro maridinho.

A frase saiu calma quase carinhosa. O contraste com o conteúdo era perturbador.

— Quero ver a cara dele quando descobrir que o negócio que ele passou três meses construindo, desapareceu das mãos dele da noite para o dia. Quero ver o orgulho rachar,quero ver a raiva,quero ver ele tentar entender como o mundo virou de cabeça para baixo sem ele perceber.

Jadson girou o copo de whisky.

— E quando ele estiver no fundo do poço aí eu apareço,com o contrato de casamento numa mão e a rede de hospitais na outra. Proteção e destruição no mesmo pacote.

Bruno cruzou os braços balançando a cabeça, mas o sorriso não saía.

— Você é doente. Eu te adoro, mas você é doente.

O menino ainda nem sabe que vai se casar com você e você já está planejando destruir o sonho empresarial dele só de diversão.

— Não é só diversão, corrigiu Jadson a voz baixando.

— É educação. Ele precisa aprender desde o primeiro dia que nada do que ele construiu está realmente seguro,a menos que eu permita. Que o mundo dele agora tem um novo dono e esse dono não divide poder.

Bruno suspirou, mas os olhos brilhavam de antecipação.

— Tá. Eu cuido da parte suja,faço os contatos, movo o dinheiro, quebro o que precisar ser quebrado. Mas quando o menino descobrir e tentar te matar eu quero estar na primeira fila.

Jadson sorriu de verdade, pequeno e perigoso.

— Você vai estar,porque a partir de agora Bruno, a caçada começou.

Ele pegou o telefone outra vez.

— Avise o setor de aquisições,quero a rede de hospitais na minha mão até o final do dia de amanhã,preço não é problema e faça silêncio absoluto.

—Meu futuro maridinho não pode desconfiar de nada até ser tarde demais.

Bruno ficou olhando para Jadson por longos segundos, a cabeça levemente inclinada.

— Você é um psicopata, declarou sem nenhum filtro.

— Um psicopata de terno caro, sorriso de anjo e mente torturada. Eu te amo irmão, mas às vezes eu juro que você não tem alma,só tem cálculo e sede de controle.

Jadson não se ofendeu,apenas girou o copo de whisky entre os dedos, o canto da boca se curvando.

— Alma é superestimada.

Bruno riu, sacudindo a cabeça e depois bateu as mãos uma na outra, mudando o tom de uma vez.

— Chega de planejar a destruição do futuro marido por hoje. Você ainda é solteiro tecnicamente.

Então eu proponho o óbvio, a gente sai,se diverte, Bebe, fode e esquece o mundo.

Jadson considerou por um segundo,depois deu de ombros e se levantou.

— Aceito.

Eles deixaram o Império Kasley juntos. O carro os levou de volta para a mansão.

A Ana estava na sala quando os dois cruzaram a porta e apenas ergueu uma sobrancelha ela já conhecia aquele brilho nos olhos deles,não perguntou nada,só murmurou um “não matem ninguém” enquanto eles subiam as escadas.

No andar de cima, cada um foi para o próprio quarto.

Jadson escolheu com precisão cirúrgica camisa preta transparente de seda fina, quase líquida sobre a pele,os primeiros botões abertos revelando o peito marcado e o início da tatuagem escondida,o tecido grudava no corpo de um jeito obsceno sob a luz certa,o cabelo longo normalmente preso ou solto de forma controlada, ele prendeu num coque alto e perfeito deixando alguns fios soltos.

No espelho, o Anjo Negro olhava de volta, frio, elegante e devastador,vestido para destruir o psicológico de qualquer um que ousasse olhar por tempo demais.

Bruno no quarto ao lado, não ficou atrás.

Camisa de seda preta aberta quase até o umbigo, calça justa que abraçava as coxas, correntes finas no pescoço e nos pulsos, o cabelo propositadamente bagunçado. O sorriso de quem sabia exatamente o estrago que causava. Vestido para atazanar a vida de quantas pessoas houvesse no ambiente.

Quando desceram as escadas a Ana passou os olhos pelos dois e soltou um suspiro longo.

— Vocês parecem dois demônios prontos para incendiar a cidade.

Bruno beijou a bochecha dela, provocador.

— Exatamente vó. Não espere a gente voltar cedo ou sóbrios.

...................................................................................................................................

O carro blindado os levou até uma das boates de Bruno a mais exclusiva, escondida atrás de uma fachada discreta. Segurança pesada na porta,quando o veículo parou, quatro homens de terno já os esperavam.

Abriram o caminho como se o chão pertencesse aos dois,lá dentro a música batia no peito. Luzes vermelhas e douradas cortavam a escuridão, os olhares se viraram,sussurros começaram e Jadson e Bruno caminhavam lado a lado como se o lugar inteiro fosse uma extensão do território deles, os mais perigosos em todos os termos. Beleza,poder,violência contida e desejo.

Foram conduzidos diretamente para a sala VIP no andar superior. Portas de vidro fosco, sofás de couro preto, garrafas geladas já esperando, gelo, copos de cristal e o silêncio relativo que só dinheiro e medo conseguiam comprar.

Bruno jogou-se no sofá abrindo os braços.

— Bem-vindos à noite da liberdade do Anjo Negro.

Jadson soltou o casaco, pegou um copo e deixou Bruno servir. O primeiro gole desceu queimando,o segundo foi mais fácil. Em poucos minutos o sorriso frio tinha se soltado.

Bruno como sempre, era o caos flertando, provocando, puxando Jadson para o meio do excesso com a naturalidade de quem sabia exatamente como desarmar o amigo.

Lá dentro da sala VIP, com a música abafada e o mundo lá fora esquecido, os dois finalmente largaram o peso do contrato da rede de hospitais e do futuro marido pelo menos por algumas horas.

Ali, eles eram só o demônio e o anjo de cara inocente e a noite ainda estava só começando.

A sala VIP era um mundo à parte,vidro fosco isolava o som da pista lá embaixo transformando a música numa vibração constante que subia pelo chão e se instalava no peito. As luzes eram baixas, vermelhas e douradas, projetando sombras longas nos sofás de couro preto. No centro da mesa baixa, várias garrafas já abertas esperavam, whisky envelhecido, vodka gelada, tequila reservada,gelo,copos de cristal e o silêncio relativo que só dinheiro e medo conseguiam comprar.

— Bebe. Hoje você não é o Anjo Negro,hoje você é só o meu irmão psicopata de cabelo preso e camisa transparente que está prestes a destruir a sanidade de metade dessa boate.

Jadson pegou o copo, o tecido fino da camisa preta grudando no peito a cada movimento. O coque alto deixava o pescoço exposto, a clavícula marcada, o olhar ainda mais cortante por causa dos fios soltos que emolduravam o rosto. Ele bebeu o primeiro gole devagar, deixando o líquido queimar a garganta.

— Você fala demais.

— E você pensa demais rebateu Bruno, já enchendo o próprio copo de novo.

— Por isso a gente se equilibra.

Em poucos minutos a porta de vidro se abriu,duas mulheres e dois homens entraram, todos bonitos o suficiente para pertencer àquele ambiente.

A segurança de Bruno tinha selecionado bem. A loira de vestido curto foi direto para o colo de Bruno sem precisar de convite. O homem de olhos escuros parou ao lado de Jadson, o olhar demorando tempo demais na camisa transparente e no coque. A terceira, morena de boca vermelha, se acomodou entre os dois, já servindo mais bebida e o outro foi para o colo do Jadson.

Bruno riu baixo, a mão subindo pela coxa da loira com naturalidade obscena.

— Viu? Eu avisei que a gente ia esquecer o mundo.

Jadson não respondeu de imediato.

Observava. Sempre observava,mas o álcool já começava a amolecer as bordas do controle. Quando a mão do homem desconhecido roçou de leve o antebraço dele, Jadson não afastou,apenas ergueu o olhar, frio e curioso e o canto da boca se curvou.

Bruno notou. É claro que notou.

O sorriso dele se alargou perverso e satisfeito.

— Olha só,o Anjo Negro está permitindo toques,a noite promete.

A música lá embaixo mudou para algo mais lento e pesado. O ar dentro da sala VIP ficou mais denso. Perfume caro, álcool, desejo. Bruno puxou a loira para um beijo profundo e descarado, a mão já explorando sob o vestido.

Jadson bebeu mais um gole, os olhos escuros acompanhando a cena com uma calma perigosa,quando a morena se aproximou o suficiente para sussurrar algo em seu ouvido, ele não recuou. Apenas inclinou a cabeça, o coque se movendo levemente e deixou a boca dela roçar o maxilar.

Bruno soltou a loira só o suficiente para olhar para o amigo por cima do ombro, o olhar brilhando de pura diversão.

— É isso irmão. Esquece o contrato,esquece o menino Robson,esquece a rede de hospitais,hoje a gente só existe aqui.

Jadson virou o rosto na direção dele,os olhos se encontraram no meio da penumbra vermelha. Por um segundo, o sorriso frio de Jadson se suavizou quase imperceptível, mas Bruno viu.

— Você é uma péssima influência murmurou Jadson a voz mais baixa, mais rouca.

Bruno riu, já puxando a loira de volta para o colo.

— Eu sou a melhor influência da sua vida,agora para de falar e aproveita,porque amanhã a gente volta a ser monstros.

Hoje a gente só fode o mundo.

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