LOGINJadson desceu as escadas da mansão Kasley impecável.
Terno preto, camisa aberta no primeiro botão, cabelo solto sobre os ombros. As mãos nos bolsos e cantarolando baixo quase sem melodia, mas o suficiente para qualquer um que o conhecesse sentir o perigo no ar. Bruno já estava na sala de jantar, sentado tomando café preto quando viu o sorriso no rosto do amigo, ergueu uma sobrancelha e largou a xícara. — Esse sorriso…murmurou. Esse sorriso é de quem fez merda. Jadson puxou a cadeira em frente e se sentou com a elegância de sempre. Pegou a xícara que a Ana já tinha deixado pronta. — O Marcelo ligou,disse que o filho está puto da vida e que vai nos investigar. Bruno ficou dois segundos em silêncio,depois explodiu numa gargalhada alta genuína jogando a cabeça para trás. — Eu sabia! Eu sabia que o menino não ia engolir calado. Três meses de trabalho apagados em algumas horas, o orgulho dele deve estar sangrando. Jadson bebeu um gole de café, o sorriso ainda no rosto. — Tem mais,o Marcelo avisou que o Viktor está investigando a gente a mando do Zayd. O riso de Bruno morreu devagar. Ele desviou o olhar para a xícara, mexendo o café sem necessidade. O movimento foi pequeno, mas Jadson notou imediatamente. Sempre notava,houve um breve silêncio. — Até quando você pretende esconder que transou com o Viktor? Perguntou Jadson a voz calma, quase casual. Bruno ergueu a cabeça de uma vez,os olhos se encontraram. — Você está me seguindo? Jadson não piscou. — Você é meu irmão. É claro que tem gente nas sombras cuidando de você,muitos querem a minha cabeça e se não puderem me pegar vão tentar te usar para me machucar e eu não vou perder você. Nunca. O silêncio que se seguiu foi pesado,verdadeiro. Os dois se olharam por longos segundos. Não precisavam de mais palavras,a lealdade entre eles era antiga, suja, absoluta. Eles se amavam daquele jeito torto e perigoso de quem cresceu matando junto e nunca soube viver um sem o outro. Bruno soltou o ar e passou a mão pelo cabelo. — Tá.Tabom Jads.Sim. Eu fodi com o Viktor está feliz agora? Ele deu de ombros, tentando parecer casual e falhando. — Foi caso de uma noite… na verdade três. O desgraçado ficou viciado,não me largava,mas foi bem antes de eu saber de qualquer coisa sobre o Zayd ou o Marcelo. Eu só descobri que ele era o braço direito do menino quando investiguei o velho,quando a pasta do Marcelo chegou nas minhas mãos e a foto do Viktor apareceu junto,eu nem conhecia o nome dele quando dormimos juntos. Jadson ficou olhando para ele por um segundo,depois o sorriso voltou lento, afiado, genuinamente divertido e riu. Baixo no começo,depois mais alto. O tipo de riso que só Bruno conseguia arrancar dele. — Você é incrível,murmurou Jadson ainda rindo. — O cão de guarda do meu futuro maridinho e você já meteu nele três vezes,o universo realmente tem um senso de humor doentio. Bruno revirou os olhos, mas o canto da boca se curvou. — Cala a boca Jads e não conta pra ninguém Principalmente pro meu cunhadinho porque se ele descobrir que eu fodi o irmãozinho dele a guerra vai ficar pessoal rápido demais. Jadson bebeu o resto do café ainda sorrindo. — Eu não vou contar,fez uma pausa.Ainda. Bruno apontou o dedo para ele. — Jadson kasley. — Relaxe. Jadson se levantou, já voltando ao modo Anjo Negro. — Por enquanto o segredo é seu. Mas admite, isso deixa o jogo ainda mais interessante. Bruno suspirou fundo, mas não conseguiu esconder o sorriso. — Você é um demônio. — E você é o meu diabo com sorriso de anjo favorito respondeu Jadson. Jadson ficou olhando para Bruno por um longo tempo. O sorriso não saía do rosto,era aquele sorriso lento, afiado, o tipo que fazia Bruno ficar em alerta mesmo quando os dois estavam só tomando café. Bruno notou. É claro que notou. — O que foi agora? perguntou arqueando uma sobrancelha. — Por que você está me olhando desse jeito? Jadson riu baixo, sacudindo a cabeça. — Acabei de perceber uma coisa engraçada. — Fala. Jadson inclinou-se um pouco para frente, os olhos brilhando de diversão. — Você quebrou a regra. Você não fica com a mesma pessoa,nunca. Uma noite no máximo, duas se a pessoa for realmente boa e de repente você teve três noites com o mesmo homem,o desgraçado te viciou tanto quanto você viciou ele. Bruno abriu a boca para responder e fechou de novo. O silêncio durou um segundo a mais do que o confortável. Jadson riu de verdade agora. — Você não é diferente dele, Bruno. Os dois com fama de nunca repetir e os dois quebraram a regra um com o outro,que ironia deliciosa não é mesmo irmão. Bruno passou a mão pelo rosto tentando esconder o leve constrangimento atrás de uma expressão de quem não se importava. — Cala a boca Jads. — Não vou. Jadson se levantou ainda sorrindo. — Isso só deixa o jogo ainda mais interessante. O cão de guarda do meu futuro maridinho e o meu braço direito,os dois quebrando as próprias regras. O universo realmente está se divertindo à nossa custa. Bruno revirou os olhos, mas o canto da boca se curvou apesar dele. — Você é insuportável. — E você está corado,rebateu Jadson já saindo da sala de jantar. — Termina o café porque a gente ainda tem um menino Robson irritado para provocar. ................................................................................................................................ Bruno ficou sozinho na sala de jantar por alguns segundos depois que Jadson saiu,passou a mão pelo rosto outra vez, ainda sentindo o leve calor nas orelhas. O desgraçado tinha razão. Três noites. Ele nunca ficava três noites,nunca é o pior era que se o Viktor aparecesse de novo na frente dele Bruno não tinha certeza se conseguiria manter a regra de novo. — Merda,murmurou para si mesmo. Levantou, terminou o café de uma vez só e foi atrás de Jadson. Encontrou o amigo no escritório da mansão, Jadson já estava sentado atrás da mesa, o laptop aberto, os dedos digitando com a calma de quem estava prestes a causar mais estrago. — E agora? perguntou Bruno, encostando na porta. — Qual é a próxima brincadeira com o menino Robson? Jadson nem levantou os olhos da tela. — Agora a gente deixa ele investigar,deixa a raiva ferver,deixa o orgulho sangrar um pouco mais. — Fez uma pausa e finalmente olhou para Bruno. E enquanto isso eu quero que você continue de olho no Viktor. Bruno arqueou uma sobrancelha. — Continuar de olho ou…? — De olho,enfatizou Jadson o sorriso voltando. — Por enquanto. Mas se o cão de guarda resolver aparecer de novo no seu caminho eu não vou reclamar se você decidir quebrar a regra pela quarta vez. Bruno revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso. — Você é um demônio. — E você adora. Jadson voltou a digitar. — Agora vamos trabalhar. Pegou o celular e fez uma ligação. —Pedro quero um relatório completo de tudo que o Zayd e o Viktor estão mexendo até o final do dia. Cada passo,cada ligação,cada reunião. Pedro era um dos homens do anjo negro, muito leal e um dos melhores em absolutamente tudo. Depois de algumas horas Bruno entrou com o resultado da investigação feita pelo Pedro. — O seu maridinho está nos investigando de verdade Jads. O Viktor já começou a mexer em contatos e está puxando o fio. Vai cavar fundo. Jadson nem levantou os olhos da tela,continuou digitando com a mesma calma de sempre. — Deixa. Mesmo investigando, eles não vão achar nada. Bruno arqueou uma sobrancelha. — Nada? — Nada que eu não queira que encontrem, corrigiu Jadson finalmente olhando para ele,o sorriso frio voltou. — Tudo o que eles vão descobrir vai ser exatamente o que eu preparei. Relatórios falsos,contatos fabricados,histórias que levam a beco sem saída. Eles vão correr em círculos achando que estão chegando perto e no final só vão encontrar o que eu permiti que encontrassem. Bruno soltou uma risada baixa, sacudindo a cabeça. — Você já plantou tudo não foi? — Desde o momento em que aceitei o contrato do Marcelo. Jadson encostou na cadeira. — Eu não deixo pontas soltas Bruno. Se o menino quer brincar de detetive,eu vou dar a ele um labirinto inteiro e quando ele estiver perdido no meio da mentira, aí eu apareço. Bruno cruzou os braços, o sorriso se alargando. — Às vezes eu esqueço o quanto você é doentio. — E você adora isso,respondeu Jadson voltando a digitar. — Pobre menino Robson, ele não faz ideia do jogo em que acabou de entrar.Jadson desceu as escadas da mansão Kasley impecável. Terno preto, camisa aberta no primeiro botão, cabelo solto sobre os ombros. As mãos nos bolsos e cantarolando baixo quase sem melodia, mas o suficiente para qualquer um que o conhecesse sentir o perigo no ar. Bruno já estava na sala de jantar, sentado tomando café preto quando viu o sorriso no rosto do amigo, ergueu uma sobrancelha e largou a xícara. — Esse sorriso…murmurou. Esse sorriso é de quem fez merda. Jadson puxou a cadeira em frente e se sentou com a elegância de sempre. Pegou a xícara que a Ana já tinha deixado pronta. — O Marcelo ligou,disse que o filho está puto da vida e que vai nos investigar. Bruno ficou dois segundos em silêncio,depois explodiu numa gargalhada alta genuína jogando a cabeça para trás. — Eu sabia! Eu sabia que o menino não ia engolir calado. Três meses de trabalho apagados em algumas horas, o orgulho dele deve estar sangrando. Jadson bebeu um gole de café, o sorriso ainda no rosto.
Viktor entrou no escritório de Zayd como se tivesse acabado de engolir veneno. A porta bateu com força. O terno amassado, a gravata torta, o cabelo bagunçado. O rosto estava vermelho de pura raiva contida. Zayd ergueu os olhos do monitor e imediatamente sentiu o estômago gelar. Conhecia demais aquela expressão. — Viktor o que está acontecendo? Viktor jogou a pasta preta sobre a mesa,os papéis se espalharam como uma sentença. — Acabou. A rede de hospitais,alguém comprou. Zayd se levantou devagar, a voz já baixa e perigosa. — Quem? — Jadson Kasley. O nome ecoou no escritório como um tiro. Zayd ficou em silêncio por dois segundos depois a raiva veio quente e violenta, subindo pelo peito até a garganta. — Aquele filho da puta… Viktor passou a mão pelo rosto, ainda mais irritado. — Eu investiguei Zayd. Fui atrás de tudo,aquele homem não precisava daquela rede. Ele já tem hospitais, clínicas, laboratórios. É conhecido por ter de tudo, ele comprou só porque quis,só
Bruno entrou no escritório de Jadson como uma tempestade controlada. A porta do último andar do Império Kasley bateu com força contra a parede de madeira escura, o som ecoando pelo espaço amplo e silencioso. O carpete grosso abafou os passos seguintes, mas a energia que ele trazia era impossível de ignorar. Camisa preta arregaçada nos antebraços, gravata frouxa, cabelo um pouco bagunçado de tanto passar a mão sinal claro de que a investigação tinha sido pessoal. Jadson estava sentado atrás da mesa imensa, as luzes da cidade entrando pelas janelas do chão ao teto atrás dele. O monitor à frente mostrava relatórios financeiros, mas ele ergueu o olhar no mesmo instante em que Bruno cruzou a porta,não precisou de cumprimentos. — Você tem cara de quem encontrou algo podre disse Jadson a voz baixa quase preguiçosa. Bruno não respondeu de imediato,caminhou até a mesa e jogou a pasta preta fina sobre a madeira com um estrondo seco. O impacto fez o copo de whisky de Jadson tremer l
Zayd Robson acordou com o sol filtrando pelas cortinas pesadas do apartamento,o quarto ainda cheirava a perfume dela e a sexo da noite anterior. Letícia estava enroscada nele a cabeça apoiada no peito, uma perna jogada sobre a coxa dele, o cabelo bagunçado espalhado pela pele. Zayd ficou alguns segundos só observando,o jeito que ela respirava devagar,o lábio inferior um pouco inchado de tanto beijar,a mão dela ainda descansava sobre o peito dele como se, mesmo dormindo não quisesse soltar. Ele sorriu de canto e puxou-a um pouco mais para perto. O apartamento no último andar do edifício mais alto da avenida era o refúgio dos dois, dele e de Viktor. Tinham escolhido morar ali porque ficava a poucos minutos do escritório, dos restaurantes, da vida. A única condição que Marcelo impôs era clara,pelo menos uma vez por semana os dois voltavam para a mansão Robson. Almoço de domingo,jantar no meio da semana,nada negociável. Letícia se mexeu murmurando contra o peito dele. — Hmm… b
O cheiro de sangue e suor encharcado misturava-se ao ar denso do porão subterrâneo da mansão Kasley. As luzes fluorescentes piscavam de forma irregular, projetando sombras longas nas paredes de concreto úmido. Jadson Kasley estava sentado numa cadeira de couro preto, pernas cruzadas, terno impecável preto, claro, o cotovelo apoiado no joelho e o queixo descansando nos dedos. Parecia um homem que acabara de sair de uma reunião de conselho, não alguém que estava prestes a decidir se outro ser humano continuaria respirando. À sua frente ajoelhado e amarrado a uma cadeira de ferro, estava Ricardo “Rico” Mendes, 34 anos, ex-contador de confiança do Anjo Negro. O rosto estava inchado, o lábio inferior partido e uma linha fina de sangue escorria do canto da boca até o queixo. As mãos tremiam tanto que as cordas rangiam — Você… você não precisa fazer isso senhor gaguejou Rico a voz embargada. — Eu… eu posso devolver o dinheiro. Tudo com juros,eu juro por Deus. Jadson ergueu apenas um