로그인POV NicolasA noite havia caído pesado sobre a cidade.Do alto do apartamento, as luzes da metrópole pareciam pequenas estrelas frias espalhadas pelo horizonte.Lá fora, o mundo continuava girando, rápido e impiedoso.Mas eu não conseguia admirar a paisagem.Estava sentado na ponta do sofá, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos fortemente entrelaçadas.Pensando.A cabeça fervia num turbilhão que eu não conseguia desacelerar.Pela primeira vez em muito tempo, o vazio no meu peito não era sobre negócios.Não era sobre contratos milionários.Nem sobre a responsabilidade esmagadora da Beaumont Holding.Tampouco sobre a sombra daquele homem que havia voltado do passado para tentar desestabilizar o meu império.Eu só conseguia pensar em Maya.Em tudo o que havíamos passado até aqui.Em cada escolha que fiz acreditando estar fazendo o certo.Eu decidi para onde ela deveria ir.Quem deveria estar ao seu redor.Onde deveria morar.Quantos seguranças deveriam dar cada passo ao lado dela.
POV NicolasA cidade passava pela janela do carro em um silêncio sufocante.Luzes borradas.Prédios imponentes.Pessoas anônimas seguindo suas vidas normais.Tudo parecia assustadoramente normal.Mas, para mim, o conceito de normalidade havia se despedaçado para sempre.Maya estava sentada ao meu lado no banco traseiro do carro.Sua mão ainda permanecia entrelaçada à minha, fria, mas viva.De vez em quando, eu virava o rosto em sua direção.Um movimento involuntário.Como se meu cérebro precisasse de uma prova física, constante e ininterrupta de que ela realmente estava ali.Viva.Segura.Comigo.Maya percebeu o peso do meu olhar.— Você está me olhando de novo — sussurrou ela, com a voz ainda levemente rouca.Eu não desviei.— Estou.— Por quê?Respirei fundo, sentindo o ar queimar no peito.— Porque ainda estou tentando convencer meu próprio corpo de que você não é uma ilusão. Que você realmente está aqui.Ela apertou minha mão com mais força, fincando as unhas levemente na minha pe
POV NicolasA propriedade estava completamente escura.A silhueta dos galpões abandonados se erguia contra o céu noturno como uma cicatriz esquecida. O vento frio uivava entre as frestas da estrutura de metal, criando um ambiente hostil e desolado.O carro parou a uma distância segura, escondido pela vegetação densa.Nicolas observou o lugar pela janela, as mãos apertando o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.Durante anos, acreditou que poder significava não depender de ninguém.Acreditou que o controle absoluto era a única forma de sobrevivência. Que a vulnerabilidade era um defeito imperdoável.Que, se alguma coisa desse errado, bastava usar dinheiro.Influência.Autoridade.Mas aquela noite havia ensinado algo diferente. Um choque brutal de realidade que destruiu cada uma de suas certezas.Nenhum contrato compraria Maya de volta.Nenhum cheque encontraria o caminho até ela nas sombras.Nenhum cargo protegeria seu coração do desespero de perdê-la.Ele prec
POV GabrielEu nunca havia sentido tanto medo.O silêncio da casa parecia esmagar meus ombros.O relógio na parede se arrastava, e cada segundo sem notícias era como uma lâmina fria rasgando meu peito.Minha irmã sempre foi a pessoa forte.Quando nossos pais morreram e o mundo desabou sobre nós, ela foi quem segurou minha mão. Não chorou na minha frente. Engoliu o próprio luto para garantir que eu tivesse um teto e um prato de comida.Quando eu fiquei doente, ela estava ao meu lado. Virava noites acordada, trocando as toalhas molhados da minha testa, segurando minha mão até que eu adormecesse.Quando eu precisava de alguma coisa…Ela dava um jeito. Sempre dava. Trabalhava até a exaustão, sorria quando queria chorar e inventava soluções onde só existiam problemas.Maya sempre dizia:“Enquanto eu estiver aqui, você nunca vai enfrentar nada sozinho.”Agora ela não estava.E eu não sabia o que fazer.O vazio do quarto dela me encarava. Fiquei sentado na sala, encarando a tela escura do te
POV NicolasAs portas do elevador se abriram no estacionamento subterrâneo.O ar frio e metálico do subsolo atingiu meu rosto, mas nada parecia capaz de me despertar daquele pesadelo.Eu saí primeiro.Meus passos ecoavam pesados, secos, contra o concreto.Lorenzo veio logo atrás, o silêncio dele pesando tanto quanto a minha angústia.Soren já estava esperando.Dois homens da equipe de segurança permaneciam próximos aos veículos, com expressões rígidas, tensas.Tudo estava sendo preparado.A logística. A busca. A caçada.Mas eu não conseguia pensar.Não conseguia raciocinar como o homem de negócios frio que sempre fui.Meu peito queimava.Eu simplesmente não conseguia respirar direito.O ar entrava rasgando meus pulmões, insuficiente, inútil.Em minha mente, uma única imagem se repetia em um ciclo torturante.Maya.Sozinha em algum lugar escuro, frio.Assustada.Com medo do que poderiam fazer com ela.Esperando por alguém.Esperando por mim.E a ideia de ter falhado com ela me destruía
POV NicolasA sala de controle tático parecia prestes a explodir.O ambiente estava saturado pelo brilho azulado de dezenas de telas.Mapas térmicos.Imagens de segurança com ruído.Relatórios de tráfego.Sequências infinitas de números e algoritmos.Tudo passava diante dos meus olhos como um borrão inútil.Porque, no fundo, a minha mente estava presa em uma única imagem.O rosto dela.Maya.— Encontramos o primeiro veículo — disse Soren, quebrando a tensão sufocante da sala.Virei-me com a velocidade de um animal encurralado.— Onde?Ele ergueu o queixo em direção ao monitor central.— A câmera de monitoramento da via expressa pegou o carro há vinte minutos.— E depois? Onde essa desgraça está agora?— Eles trocaram de carro sob o viaduto principal. Foi uma manobra limpa.— Temos a placa do segundo veículo?— Temos. — Então encontre essa van nem que precise derrubar o sistema da cidade.Soren assentiu, a expressão rígida como pedra.— Já estamos rastreando todas as saídas do períme







