ログイン— Acordando você, já que não parava de roncar e não me escutava — menti, já abrindo a porta do carro. — Já chegamos.
Soltei o ar quando me vi do lado de fora e esperei um segundo, olhando em volta e analisando tudo antes de virar para abrir a porta para ela.
— Eu não ronco, seu idiota! — ela afirmou ao passar por mim, e um sorriso involuntário se formou em meus lábios.
Não entendia o porquê, mas estava começando a gostar de provocá-la apenas para ver aquele olhar raivoso sobre mim.
— Que bom que vocês chegaram, filhos — Dona Rosa foi logo nos cumprimentando com sua alegria contagiante. — Venham, o almoço está pronto, e vocês vão me ajudar a tomar conta dessa linda menininha, não é, Dana?
A pequena princesinha de cabelos e olhos castanhos brilhantes — que parecia ser uma marca registrada da família — pulou no colo da avó, parecendo empolgada.
— Oi, princesa. Eu sou John. Pode falar John?
— Tio Don — foi o que ela respondeu, já batendo palminhas.
— Não sorria para ele, Dana. Ele é um grande chato.
— Titia Ca tá dodói — a pequena garotinha fez um biquinho, olhando o rosto da tia. Carla se encolheu no mesmo instante, parecendo desconfortável ao ver a tristeza no olhar da sobrinha.
— A sua tia Ca vai ficar bem. Ela só precisa comer e dormir um pouco. Vamos ajudá-la com isso? — tomei a frente, fazendo a menina voltar a sorrir e esticar os braços em minha direção, me surpreendendo.
Enquanto almoçávamos, podia sentir o olhar de Carla e Rosa queimarem sobre mim enquanto eu brincava com Dana. A menininha era bem mais agitada do que os gêmeos de Patrick, que só tinham meses, mas não era a primeira criança que eu precisava entreter enquanto trabalhava.
— Leva jeito com crianças — Carla murmurou atrás de mim, me fazendo tirar os olhos da pequena, que começava a adormecer em meus braços.
— Ficaria surpresa com a frequência com que os pais deixam os filhos com babás e seguranças.
— Vai se sair bem quando tiver os seus — ela se aproximou, dando a volta em mim, observando a sobrinha antes de deslizar os dedos sobre a bochecha rechonchuda.
Aquele era um assunto do qual não falava com ninguém, mesmo que todos insistissem que eu seria um bom pai. Mas meu irmão e eu jamais teríamos filhos. Foi um pacto que fizemos muitos anos atrás. A linhagem nojenta da qual saímos morreria conosco.
— Agora é a sua vez de dormir. Quer que eu te pegue no colo e te embale também? — provoquei, precisando urgentemente mudar de assunto.
— Não estou com sono, babaca.
A mentira dela foi o que atraiu meu olhar. Estava explícito em seu rosto o cansaço, e eu podia imaginar que os analgésicos que deram a ela no hospital estavam a deixando sonolenta.
— Por que está resistindo? Dormiu muito bem no carro. O que aconteceu agora?
— Não reparei quando peguei no sono no carro. Deitar em uma cama, no quarto escuro, é… diferente — ela deu de ombros, começando a acariciar as costas da bebê em meus braços, evitando meu olhar.
— Do que está com medo, Carla? — sussurrei, curvando o pescoço para observar melhor as mudanças em seu rosto.
Não havia mais resquício do sorriso, ou da irritação. As feições dela estavam duras, e o olhar parecia perdido, de uma forma que eu já tinha visto muitas vezes no meu próprio reflexo no espelho.
— Tenho medo de dormir e sonhar com ele… medo de sonhar com… — as palavras dela morreram com um sussurro.
Mas não precisava terminar. Entendi que ela tinha medo de sonhar com o que havia acontecido, medo de voltar ao momento da agressão.
Meu coração doía por vê-la daquele jeito, pois eu sabia exatamente como era se sentir assim: medo de tudo, até mesmo de dormir. Mas não ia deixar que ela fosse aterrorizada pelas lembranças daquela forma, roubando sua liberdade de viver.
— Eu estou aqui. Vou ficar do lado de fora da porta do seu quarto e, se ouvir um único barulho, eu te acordo. Mesmo que isso vá te fazer me odiar — ela ergueu o olhar, forçando um pequeno sorriso nos lábios. — Ele não vai te alcançar nem mesmo em sonho. Eu prometo!
Carla soltou um suspiro, com os olhos presos aos meus, e então beijou a cabeça da sobrinha antes de sair em direção ao quarto de hóspedes.
Aquele sentimento de querer protegê-la de tudo e todos gritou mais forte dentro de mim, ganhando proporções que eu nunca havia sentido antes. Era como se meu coração desse a ordem e cada fibra em meu corpo concordasse com ele, dizendo: Vamos protegê-la!
Quando a noite caiu, eu ainda estava lá, do lado de fora do quarto, observando as câmeras da casa e atento a cada som que viesse do quarto onde Carla estava dormindo.
— Você precisa dormir também.
— Estou bem, senhora…
— Não está. Se não dormir, não vai poder cuidar dela direito amanhã. Vou pegar um colchonete e alguns cobertores. Você pode dormir no chão do quarto de hóspedes com a Carla — Dona Rosa falou como se o problema estivesse resolvido e nem ao menos me deu tempo de retrucar.
Dormir no mesmo quarto que Carla? Isso era mais do que inapropriado. Ia contra todas as regras. Mas por que eu me peguei ansioso por isso?
DOIS ANOS DEPOISMe encarei no espelho, tremendo mais do que em qualquer outro dia da minha vida. Nem mesmo quando dei à luz Ryan me senti tão nervosa assim. Meu coração batia disparado só de me olhar no reflexo, sabendo exatamente o que estava prestes a acontecer.— Me diga que essa noiva está pronta! — Magie entrou no quarto que ela selecionara especialmente pra mim, sabendo que, se me deixasse junto com todas as madrinhas, mães e tias, eu jamais me arrumaria ou pararia de chorar.— E então, o que acha? — virei-me de frente pra ela, dando uma voltinha pra que conferisse o look por completo.Magie balançou a cabeça de um lado pro outro e suspirou, me deixando ainda mais ansiosa.— Esse é, sem dúvida, o vestido mais lindo que você já fez! Está maravilhosa — como minha dama de honra impecável, ela estendeu um lencinho antes mesmo que as lágrimas rolassem. — Todos vão amar, e John definitivamente vai enlouquecer.Sorri, me sentindo ainda mais eufórica. Meu estômago se revirou, e me forc
Era a primeira vez que Carla ia conhecer meu irmão. Nossa tentativa no casamento de Alejandro, antes que eu pedisse sua mão, já tinha acontecido. Mas isso não significava que Will não a conhecia; ao menos, ele sabia quem ela era de todas as vezes que me pegou vendo imagens dela e do nosso filho.Agora, estavam ali reunidos no mesmo jardim, enquanto comíamos como se fosse um típico almoço de domingo e nós, uma família perfeita.— Dá pra acreditar que aquelas são mesmo as nossas mulheres? — Will me fez desviar os olhos da grelha por um instante, focando nas duas que conversavam animadamente, sentadas à mesa na varanda.— Não dá. Não sei como você conseguiu alguém como Emily — ele ergueu o dedo do meio, mas o sorriso ainda estava lá. — Deveria agradecer pelo milagre.— Eu digo o mesmo, Senhor Reynolds — Will revirou os olhos, odiando meu sobrenome. — Quando você vai voltar a trabalhar comigo? Não vai querer perder a chance de trabalhar pro presidente, né?Nós dois demos risada, porque as
Mas, em vez de baixar as calças e me tomar ali mesmo, John puxou meu vestido para baixo e me jogou sobre seus ombros, saindo do banheiro como um homem das cavernas.— Não achou que eu fosse finalmente transar com você depois de dois anos naquele banheiro, achou? — foi o que ele disse ao me colocar sentada em seu carro.— Na verdade, achei sim.— Quero ter meu tempo com você sem correr o risco de alguém atrapalhar, poder fazer minha mulher gritar tantas vezes até que esteja rouca demais — me remexi no banco com a promessa velada. — Não ache que gozar uma vez vai me saciar, oncinha. Tem porra o suficiente pra te cobrir inteira.Engoli em seco e me movi mais uma vez, sentindo minha intimidade nua pulsar. Apertei uma perna contra a outra, tentando aliviar, mas isso só aumentou a fricção, me fazendo soltar um suspiro.— Acho que é melhor devolver minha… calcinha.— Não, eu prefiro ter meu carro preenchido com o cheiro da sua excitação e o banco molhado de tanto você se esfregar contra ele.
Deixei escapar um arquejo de prazer ao sentir sua boca contra a minha depois de tanto tempo. John devorou meus lábios, sugou e mordiscou, me provocando, antes de finalmente deslizar a língua contra a minha.Um gemido baixo ecoou de mim, e ele grunhiu, apertando minha cintura e me puxando contra seu corpo. Nada mais à nossa volta existia; só tínhamos nós ali e aquele reencontro.Ele se afastou minimamente, me encarando com aquelas íris azuis quase nulas, tomadas por luxúria. Nossas respirações se misturavam, prolongando nossa ligação, até que o som da música voltou a nos atingir.— Por que fez isso? — minha voz saiu entrecortada pela falta de ar, e ele cobriu meus lábios mais uma vez, num beijo rápido. — Não sinto nada.Um sorriso cresceu em seus lábios, e sua mão em minha cintura desceu perigosamente até minha bunda antes de empurrar meu quadril para a frente, me deixando sentir sua ereção.— Tem certeza de que não sente nada? — perguntou depois de me beijar de novo, sem sequer se afa
Duas semanas inteiras era o tempo que eu estava enlouquecendo com John na minha casa todos os dias, sempre ao alcance dos meus olhos, brincando com Ryan, consertando algo ou flertando comigo. Me tirar do eixo parecia ser seu hobby favorito, mas minha resistência estava chegando ao fim— Esse, papai — meu coração ainda errava uma batida sempre que ouvia nosso filho chamá-lo assim.Ryan atravessou a sala, entregando o bloquinho escolhido, e John obedientemente o colocou no lugar, aumentando a torre deles.— E qual é a próxima… — as palavras dele morreram quando seus olhos focaram em mim descendo as escadas. — A mamãe está linda, não é, filho? Onde você vai vestida assim, baixinha?Eu tinha escolhido um vestido preto que deixava meus ombros nus e ia até o meio das coxas, revelando a renda preta da cinta-liga. A meia descia por minha perna, emoldurando-a e dando um ar ainda mais sexy.Ryan bateu palminhas enquanto John continuava a me devorar com os olhos, sem fazer nenhuma questão de esc
Vi o choque estampado no rosto da minha baixinha, e aquilo só serviu para inflar ainda mais meu peito. Como se não bastasse o pedido do meu menino para que eu fosse seu pai, a felicidade que eu sentia era tanta que eu temia acordar e descobrir que tudo não passara de um sonho bom, e que eu ainda estava no mesmo inferno.Não dei tempo para que ela pensasse demais e acabasse pedindo para voltar. Pulei para fora do carro, abri a porta de trás e peguei Ryan no colo antes de ir até ela.— Mamã? — o pequeno chamou, vendo que a mãe continuava paralisada dentro do carro, mesmo quando abri a porta e estendi a mão para ela. — Vamos, mamãe, vamos bincar!Seu pedido pareceu trazê-la de volta dos próprios pensamentos. Ela piscou duas vezes antes de sair do carro, sem aceitar minha mão.Eu podia imaginar o que estava acontecendo naquela cabecinha: Carla não estava sabendo lidar com tudo. Com toda certeza, ela acreditava que eu já teria ido embora a essa altura. Sabia que ela estava agindo assim par







