ログインCarla estava sorrindo. Não o sorriso forçado que empurrava nos lábios desde que coloquei meus olhos sobre ela. Ela estava realmente sorrindo dessa vez, e mesmo que fosse por um motivo bobo, me senti bem ao ver aquele sorriso em seu rosto.
— Parece estar se divertindo com isso mais do que eu. O que sabe sobre esses dois? — ela me perguntou quando finalmente me notou no corredor, não muito distante.
Eu apenas sacudi a cabeça em negação e me afastei, indo em direção às escadas para deixar que os outros dois lidassem com o próprio escândalo sozinhos.
— Aprendendo a me seguir tão rápido? — murmurei assim que ouvi os passos atrás de mim.
— Não vai fugir assim fácil. Volte aqui e me responda. — Apressei meus passos indo para a cozinha, ouvindo-a se apressar para me alcançar. — John! Agora vamos, me conte o que sabe daqueles dois que eu não sei.
Carla ainda tinha o sorriso preso aos lábios e a expressão tomada por ansiedade. Quase podia ver a mente dela criando muitas teorias diferentes para o que eu deveria estar escondendo.
Era bom vê-la assim, principalmente depois daquela manhã, quando já acordou falando sozinha e suspirando.
— Quem disse que estava fugindo? — puxei a cadeira mais próxima para ela antes de me virar para a geladeira. — Não conheço muito bem o seu irmão. Tudo o que sei é que o safado tentou roubar a esposa do meu chefe, mas no fim ajudou a protegê-la e só por isso não acabou sem os dentes.
— O quê? Como assim?
— Essa é uma longa história, mas para encurtar: Sophie se casou com Patrick em um acordo de casamento, e quando os dois tiveram uma briga, ela veio passar um tempo com sua mãe, e Alejandro aproveitou para tentar seduzi-la — contei a história que poucos sabiam, enquanto fritava alguns ovos e ligava a torradeira. — Sua mãe trabalhou na casa onde Sophie cresceu.
— Sim, me lembro que ela sempre falava sobre Sophie em casa. "A garotinha triste que morava na mansão", era como falávamos dela.
— É isso. Mas, na verdade, haviam duas garotas tristes naquela casa: Sophie e Magie — parei por um instante o que estava fazendo apenas para olhar para ela e ver sua reação. — A mulher lá em cima era casada com o tio malvado de Sophie.
Carla abriu e fechou a boca várias vezes, dando uma olhada para o teto, como se pudesse ver Magie através dele.
— Como ela veio parar aqui? Eu… nem mesmo consigo acreditar nisso. Passei tanto tempo envolvida nos projetos do ateliê e nos meus próprios problemas que não soube de nada disso.
Desliguei o fogão, peguei dois pratos e dividi os ovos, antes de colocar duas torradas em cada um e finalmente voltar para ela.
— Agora coma, você não comeu nada desde ontem à noite — ordenei, colocando o prato à sua frente. Mas ela não parecia saber o que fazer com uma ordem e preferiu ficar olhando longamente para o prato, enquanto eu me sentava à sua frente. — Coma, Carla. Os remédios que tomou não fazem bem a um estômago vazio.
Ela não precisava saber, mas essa tinha sido a razão para eu tê-la feito me seguir até ali. Carla precisava ser cuidada, e ao mesmo tempo não queria aceitar isso.
— Responda à minha pergunta.
— Magie veio parar aqui para ajudar Sophie, dando uma informação sobre as pessoas que a estavam perseguindo — respondi, e ela finalmente começou a comer. — Mas quando seu irmão a viu machucada, impediu que fosse embora.
— Está me dizendo que Alejandro a está protegendo desde que chegou aqui? E por que ela estava machucada?
— O tio de Sophie tentou… matá-la — Carla ergueu o olhar rapidamente para mim, e eu vi o choque e medo atravessarem seu rosto. — Ele nunca foi um bom homem, mas agora está atrás das grades e as duas estão livres dele. E sim, seu irmão a está protegendo desde então.
Torci para que minha última frase fizesse com que ela não se prendesse pensando no ex-marido. Queria que Cala encarasse aquilo como uma amostra de que logo estaria livre do seu carrasco, assim como perceber que não era a única mulher sofrendo com isso, e que poderiam encontrar compreensão uma na outra.
— Agora entendo a forma como Magie defendeu o lado protetor de Alejandro, provavelmente lembrando de quando queria ter um protetor — Carla murmurou baixinho, como se estivesse juntando as peças para si mesma. — E agora os dois querem nos fazer acreditar que não aconteceu nada naquele quarto, depois de serem pegos daquele jeito.
— Devo lembrá-la que sua mãe a pegou em cima de mim hoje mais cedo? — provoquei, vendo suas bochechas se enrubescerem enquanto seus olhos se desviavam para o meu corpo.
— Mas não estávamos… semi nus — ergui uma sobrancelha, sem precisar dizer nada para refrescar sua memória. — Oh, você estava de cueca. Mas a nossa situação é diferente, você é meu segurança. Magie e meu irmão não precisavam dividir o mesmo quarto, muito menos a mesma cama.
Dei uma mordida na minha torrada, lembrando daquela manhã. Carla não tinha notado que eu estava acordado e havia passado um longo tempo me observando dormir antes de cair em cima de mim.
Eu pude sentir cada curva do seu corpo pequeno, as coxas, os seios se apertando contra meu peito. E pela primeira vez, senti o despertar de um desejo que nunca havia sentido antes.
Quis tocá-la, puxá-la ainda mais contra mim. Desejei que ela estivesse usando tão pouca roupa quanto eu, para que pudesse sentir sua pele macia contra a minha.
— E eu não precisava dormir no seu quarto, como nunca fiz em todos esses anos — confessei, vendo suas bochechas ficarem ainda mais coradas e o olhar surpreso recair sobre mim.
Se aquilo era capaz de surpreendê-la, Carla correria para as montanhas se soubesse de tudo o que eu mantinha guardado dentro de mim. Todas as minhas sombras, meus fantasmas e demônios.
Qualquer pessoa em sã consciência correria para longe.
— E por que dormiu no quarto comigo, então? — a pergunta foi quase sussurrada, mas antes que eu respondesse, um celular começou a tocar no meu bolso.
— O que você… esquece, só devolva meu celular.
Carla com certeza não se lembrava de que eu havia tomado dela no instante em que seu ex ligou, ao menos até agora.
— Como quiser — estendi o celular para ela com tranquilidade, sabendo que tudo o que aparecesse ali iria imediatamente para o meu, assim poderia monitorá-la de verdade.
— Oi, Oli. Bom dia… como assim? Não, isso não pode acontecer. Eu deixei tudo organizado… ok, estou indo — Carla desligou mais rápido do que eu esperava e se levantou da cadeira no mesmo instante. — Preciso ir até o ateliê, basta ficar um dia longe para que tudo vire uma bagunça. Você me ouviu?
— Ouvi.
— E por que ainda está sentado como se eu não tivesse dito nada?
— Porque não vou a lugar nenhum até que termine de comer — falei tranquilamente e assisti sua expressão se tornar ainda mais irritada, enquanto ela levava as mãos à cintura. — Coma e poderemos ir, seus problemas ainda estarão lá quando chegarmos.
Carla parecia prestes a me xingar ou atirar algo em mim, mas ao invés disso, bufou, jogando as mãos para o alto e se rendendo, voltando a se sentar e comer direito.
— Se continuar assim, não sei se vai durar até o fim da semana — resmungou enquanto mordia a torrada, me encarando por entre os cílios. Ela podia pensar isso, mas eu não iria a lugar nenhum.
DOIS ANOS DEPOISMe encarei no espelho, tremendo mais do que em qualquer outro dia da minha vida. Nem mesmo quando dei à luz Ryan me senti tão nervosa assim. Meu coração batia disparado só de me olhar no reflexo, sabendo exatamente o que estava prestes a acontecer.— Me diga que essa noiva está pronta! — Magie entrou no quarto que ela selecionara especialmente pra mim, sabendo que, se me deixasse junto com todas as madrinhas, mães e tias, eu jamais me arrumaria ou pararia de chorar.— E então, o que acha? — virei-me de frente pra ela, dando uma voltinha pra que conferisse o look por completo.Magie balançou a cabeça de um lado pro outro e suspirou, me deixando ainda mais ansiosa.— Esse é, sem dúvida, o vestido mais lindo que você já fez! Está maravilhosa — como minha dama de honra impecável, ela estendeu um lencinho antes mesmo que as lágrimas rolassem. — Todos vão amar, e John definitivamente vai enlouquecer.Sorri, me sentindo ainda mais eufórica. Meu estômago se revirou, e me forc
Era a primeira vez que Carla ia conhecer meu irmão. Nossa tentativa no casamento de Alejandro, antes que eu pedisse sua mão, já tinha acontecido. Mas isso não significava que Will não a conhecia; ao menos, ele sabia quem ela era de todas as vezes que me pegou vendo imagens dela e do nosso filho.Agora, estavam ali reunidos no mesmo jardim, enquanto comíamos como se fosse um típico almoço de domingo e nós, uma família perfeita.— Dá pra acreditar que aquelas são mesmo as nossas mulheres? — Will me fez desviar os olhos da grelha por um instante, focando nas duas que conversavam animadamente, sentadas à mesa na varanda.— Não dá. Não sei como você conseguiu alguém como Emily — ele ergueu o dedo do meio, mas o sorriso ainda estava lá. — Deveria agradecer pelo milagre.— Eu digo o mesmo, Senhor Reynolds — Will revirou os olhos, odiando meu sobrenome. — Quando você vai voltar a trabalhar comigo? Não vai querer perder a chance de trabalhar pro presidente, né?Nós dois demos risada, porque as
Mas, em vez de baixar as calças e me tomar ali mesmo, John puxou meu vestido para baixo e me jogou sobre seus ombros, saindo do banheiro como um homem das cavernas.— Não achou que eu fosse finalmente transar com você depois de dois anos naquele banheiro, achou? — foi o que ele disse ao me colocar sentada em seu carro.— Na verdade, achei sim.— Quero ter meu tempo com você sem correr o risco de alguém atrapalhar, poder fazer minha mulher gritar tantas vezes até que esteja rouca demais — me remexi no banco com a promessa velada. — Não ache que gozar uma vez vai me saciar, oncinha. Tem porra o suficiente pra te cobrir inteira.Engoli em seco e me movi mais uma vez, sentindo minha intimidade nua pulsar. Apertei uma perna contra a outra, tentando aliviar, mas isso só aumentou a fricção, me fazendo soltar um suspiro.— Acho que é melhor devolver minha… calcinha.— Não, eu prefiro ter meu carro preenchido com o cheiro da sua excitação e o banco molhado de tanto você se esfregar contra ele.
Deixei escapar um arquejo de prazer ao sentir sua boca contra a minha depois de tanto tempo. John devorou meus lábios, sugou e mordiscou, me provocando, antes de finalmente deslizar a língua contra a minha.Um gemido baixo ecoou de mim, e ele grunhiu, apertando minha cintura e me puxando contra seu corpo. Nada mais à nossa volta existia; só tínhamos nós ali e aquele reencontro.Ele se afastou minimamente, me encarando com aquelas íris azuis quase nulas, tomadas por luxúria. Nossas respirações se misturavam, prolongando nossa ligação, até que o som da música voltou a nos atingir.— Por que fez isso? — minha voz saiu entrecortada pela falta de ar, e ele cobriu meus lábios mais uma vez, num beijo rápido. — Não sinto nada.Um sorriso cresceu em seus lábios, e sua mão em minha cintura desceu perigosamente até minha bunda antes de empurrar meu quadril para a frente, me deixando sentir sua ereção.— Tem certeza de que não sente nada? — perguntou depois de me beijar de novo, sem sequer se afa
Duas semanas inteiras era o tempo que eu estava enlouquecendo com John na minha casa todos os dias, sempre ao alcance dos meus olhos, brincando com Ryan, consertando algo ou flertando comigo. Me tirar do eixo parecia ser seu hobby favorito, mas minha resistência estava chegando ao fim— Esse, papai — meu coração ainda errava uma batida sempre que ouvia nosso filho chamá-lo assim.Ryan atravessou a sala, entregando o bloquinho escolhido, e John obedientemente o colocou no lugar, aumentando a torre deles.— E qual é a próxima… — as palavras dele morreram quando seus olhos focaram em mim descendo as escadas. — A mamãe está linda, não é, filho? Onde você vai vestida assim, baixinha?Eu tinha escolhido um vestido preto que deixava meus ombros nus e ia até o meio das coxas, revelando a renda preta da cinta-liga. A meia descia por minha perna, emoldurando-a e dando um ar ainda mais sexy.Ryan bateu palminhas enquanto John continuava a me devorar com os olhos, sem fazer nenhuma questão de esc
Vi o choque estampado no rosto da minha baixinha, e aquilo só serviu para inflar ainda mais meu peito. Como se não bastasse o pedido do meu menino para que eu fosse seu pai, a felicidade que eu sentia era tanta que eu temia acordar e descobrir que tudo não passara de um sonho bom, e que eu ainda estava no mesmo inferno.Não dei tempo para que ela pensasse demais e acabasse pedindo para voltar. Pulei para fora do carro, abri a porta de trás e peguei Ryan no colo antes de ir até ela.— Mamã? — o pequeno chamou, vendo que a mãe continuava paralisada dentro do carro, mesmo quando abri a porta e estendi a mão para ela. — Vamos, mamãe, vamos bincar!Seu pedido pareceu trazê-la de volta dos próprios pensamentos. Ela piscou duas vezes antes de sair do carro, sem aceitar minha mão.Eu podia imaginar o que estava acontecendo naquela cabecinha: Carla não estava sabendo lidar com tudo. Com toda certeza, ela acreditava que eu já teria ido embora a essa altura. Sabia que ela estava agindo assim par







