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Capítulo 4

Author: Pombo do Mar
Uma semana depois, Otávio apareceu.

Ele me entregou um casaco acolchoado azul e virou o rosto ao dizer:

— Aquele seu casaco estragou. Estou te dando um novo em troca.

Eu não achei nada estranho e aceitei sem pensar.

Só muito tempo depois fui descobrir o preço daquele casaco.

Dava pra comprar todas as roupas que usei desde que nasci até hoje.

......

O que veio depois aconteceu de forma natural.

A atitude do Otávio comigo mudou, e eu me tornei a única amiga que ele tinha naquela cidade.

Antes do vestibular, Otávio me perguntou de repente:

— Paula, você tem vontade de estudar fora?

Fiquei um pouco surpresa.

Ele abaixou a cabeça, as orelhas levemente avermelhadas, e disse:

— Minha mãe pretende me mandar pro Norland depois do vestibular. Você gostaria de ir comigo?

Sorri de canto:

— De onde a minha família ia tirar dinheiro pra me mandar estudar fora?

— Então pra onde você pretende ir?

Pensei um pouco:

— Nova Aurora. Acho que não me adaptaria a outro clima. E Nova Aurora é perto da minha casa... quando eu quiser voltar, é só pegar algumas horas de estrada.

Otávio estendeu a mão e puxou o capuz do meu casaco, cobrindo meus olhos.

Não disse mais nada.

Depois, a professora pediu que cada um escrevesse a universidade dos sonhos.

Eu achei que o Otávio colocaria alguma universidade do Norland.

Mas ele escreveu a mesma universidade de Nova Aurora que eu.

Surpresa, perguntei:

— Otávio, você não ia pro Norland?

Ele se debruçou sobre a mesa e respondeu de forma vaga:

— De repente achei que o Norland não tem nada demais. Nova Aurora também é legal.

......

Mas três dias antes do vestibular, Otávio rasgou aquele papel.

Perguntei o motivo, e ele apenas ficou em silêncio.

Só naquela noite eu fiquei sabendo que a esposa e o filho do pai do Otávio tinham morrido no mesmo acidente de carro.

Depois de perder um filho, o pai finalmente passou a se importar com o único que restava.

Mandou a mãe do Otávio levar o filho de volta e disse que, se ele ficasse em Sol Nascente, se casaria com ela e faria o rapaz herdar os negócios da família.

Otávio disse que não queria o dinheiro dele.

Mas a mãe chorou e deu um tapa no rosto dele, dizendo:

— Você acha que eu aguentei tudo isso por quê? Por quem? Se o seu pai se casar comigo, eu nunca mais vou ser amante. Ninguém mais vai dizer que você é filho de uma amante!

No verão, o canto das cigarras era tão alto que dava dor de cabeça.

À sombra das árvores, Otávio manteve a cabeça baixa, sem me olhar:

— Desculpa, Paula. Eu não posso ir com você pra Nova Aurora.

A voz dele ainda estava rouca de tanto chorar, os cantos dos olhos avermelhados.

Pensei um pouco, fiquei na ponta dos pés e dei um leve toque na cabeça dele:

— Tudo bem. Então eu vou com você pra Sol Nascente.

......

Quando abri os olhos, já era de manhã.

Talvez por ter pegado neve ontem, minha cabeça doía um pouco.

Mas naquela noite era o aniversário de uma amiga.

Eu já tinha comprado o presente e precisava ir de qualquer jeito.

Peguei o celular.

A primeira mensagem era do Otávio.

Ele tinha enviado uma foto: um pijama.

[Você esqueceu seu pijama aqui. Vem buscar hoje à noite.]

Era um pijama de casal que eu tinha comprado, um pra ele e outro pra mim.

Quando ele vestia de vez em quando, eu sentia uma felicidade ilusória, como se por um segundo ele tivesse sido meu.

Agora, pensando melhor, aquilo era só algo patético e ridículo.

Respondi: [Joga fora. Não quero mais.]

Ele não respondeu.

Virei de lado na cama, cobrindo os olhos com o braço.

Depois que chegamos a Sol Nascente, muitas coisas aconteceram com o Otávio.

Só então eu descobri que a mãe dele nunca tinha sido amante.

Na época, ela foi a primeira mulher a se envolver com o pai dele.

Ela engravidou e teve o Otávio porque o amava de verdade.

Mas depois, o pai dele acabou se unindo a uma mulher de família equivalente, por conveniência, e abandonou os dois.
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