LOGINTerry retornou.
A ex-namorada. A modelo. A mulher que Thorne nunca superou.
Ela estava ali. Agarrada ao noivo de Natasha. E Thorne, o homem frio que nunca tocava sua noiva, estava sorrindo, os braços em volta da cintura da loira como se ela fosse o ar que ele precisava para respirar.
Natasha sentiu o cachecol escorregar de suas mãos.
Thorne a viu. Seus olhos encontraram os dela por uma fração de segundo. Não havia culpa em seu olhar. Não havia vergonha. Apenas a mesma indiferença de sempre. Como se Natasha fosse uma estranha que acidentalmente invadira sua festa.
"Natasha", ele disse, a voz neutra. "Terry está de volta. Ela vai ficar aqui por algum tempo. Você pode preparar o quarto de hóspedes?"
Ela abriu a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. As mãos tremiam. O cachecol estava no chão, pisoteado pelos pés dos amigos de Thorne, que entravam rindo e fazendo piadas.
"Então você é a brasileira que eu ouvi falar", Terry disse, seus olhos percorrendo Natasha do topo da cabeça aos pés com um desprezo mal disfarçado. "Thorne, amor, você realmente tem uma empregada tão bonita. Deve ser ótimo ter alguém que sabe... limpar."
Os amigos de Thorne riram, um coro baixo e cruel. Um deles, um homem de terno cinza, comentou: "Thorne, você sempre teve bom gosto para funcionárias. Essa é a mais bonita que você trouxe."
Thorne olhou para Natasha, e por um momento, ela viu algo em seus olhos. Não era culpa. Era apenas a constatação de que precisava corrigir o mal-entendido.
"Ela não é minha empregada", disse Thorne, a voz neutra, quase entediada. "Ela é minha noiva."
O silêncio caiu como um golpe. Terry arregalou os olhos, o sorriso congelado. "Noiva? Mas... Thorne, você não me disse que estava noivo."
"Porque não é importante", respondeu ele, com a mesma indiferença. "É apenas um acordo familiar."
Natasha sentiu as palavras como facas. Apenas um acordo familiar. Ela era apenas um contrato. Uma formalidade.
Os amigos começaram a rir novamente, agora com um tom diferente. "Ah, então é a noiva de mentira? Aquela que cuida do velho?", disse outro homem, claramente sabendo do arranjo.
Natasha baixou a cabeça. Mas, ao levantar os olhos, viu algo inesperado. Entre o grupo de homens que riam e Terry que a examinava com desprezo, havia uma figura diferente. Um homem alto, de olhos castanhos e expressão séria. Ele não ria. Ele a observava com compaixão.
Ela reconheceu os traços. Era o irmão de Terry. Silas.
Ele não disse nada. Apenas a olhou, e por um segundo, Natasha sentiu que alguém a via. Realmente via.
A mãe de Thorne apareceu na porta da sala de jantar. "Vamos, todos à mesa. A comida está esfriando. Natasha, querida, pode nos ajudar a servir?"
Natasha assentiu, ainda segurando o cachecol. Mas quando entrou na sala de jantar, viu o problema. A mesa era grande, mas já havia exatamente oito lugares postos. As pessoas começaram a se sentar. Thorne, naturalmente, puxou a cadeira para Terry, que se sentou com um sorriso triunfante.
Não havia lugar para Natasha.
A mãe de Thorne olhou para a mesa, depois para Natasha. "Oh, querida, parece que não temos lugar. Você não se importa de comer na cozinha? Com os empregados? Acho que todos vão se sentir mais confortáveis assim."
Natasha sentiu o chão se abrir. Ela olhou para Thorne. Ele estava sentado ao lado de Terry, um copo de vinho na mão. Quando seus olhos se encontraram, ele apenas deu de ombros, como quem diz: "O que você quer que eu faça?"
"Não se preocupe, mamãe", disse Thorne, com a mesma voz fria. "Ela está acostumada."
Natasha sentiu a humilhação subir pela garganta como bile. Ela queria gritar, chorar, jogar o cachecol na cara de todos eles e sair daquela casa para sempre. Mas não podia. Não podia deixar o avô. Não podia trair a promessa que fizera a si mesma de ser grata a Thorne.
Ela se virou para sair, mas a voz de Terry a deteve.
"Oh, Natasha, querida", disse Terry, com uma voz doce e venenosa. "Antes de você ir, pode passar um pano na mesa? Parece que alguém derramou vinho aqui. Não quero que manche a toalha da mãe do Thorne."
Natasha olhou para a mancha vermelha na mesa. Thorne pegou um guardanapo, mas a mãe dele interveio. "Deixa, Thorne. Ela já está com um pano na mão."
Ela estava. O cachecol. O presente que ela passou semanas tricotando. O gesto de amor que ele nunca veria.
Natasha olhou para o cachecol. A lã fina, os pontos perfeitos. Cada hora, cada pensamento, cada noite em que ela sonhou que Thorne um dia a amaria. Tudo estava ali, naquele pedaço de pano.
Ela se aproximou lentamente. Terry sorria, os olhos brilhando de malícia. Thorne a observava, mas não fazia nada. Silas, o único que não ria, começou a se levantar, como se fosse intervir.
Mas Natasha foi mais rápida.
Com as mãos trêmulas, ela estendeu o cachecol sobre a mancha vermelha. A lã absorveu o vinho, manchando-se de um vermelho escuro que parecia sangue. O presente que ela faria a ele estava arruinado.
Ela limpou a mesa, passando o pano de tricô sobre a madeira polida. Cada movimento doía mais que o anterior. Quando terminou, levantou o cachecol, agora irreconhecível, e o apertou contra o peito.
"Com licença", sussurrou, e saiu da sala.
Antes de fechar a porta, ela ouviu Terry rir: "Que empregada dedicada! Thorne, você realmente encontrou uma joia rara."
Natasha fechou os olhos. As lágrimas finalmente vieram. Mas, antes de descer o corredor, ela viu Silas se levantar da mesa, sua expressão grave, seus olhos fixos na porta que ela acabara de fechar.
Ela correu para seu quarto e desabou no chão, o cachecol manchado ainda em suas mãos.
Thorne observava Phillip conversar com os trigêmeos, distribuindo sorrisos e elogios como se fosse um velho conhecido da família. A facilidade com que aquele homem se comportava dentro de sua casa o irritava profundamente. Não bastava ter aparecido sem avisar; agora agia como se tivesse todo o direito de participar da intimidade deles.“Phillip, acho que já ficou tempo suficiente”, disse, interrompendo a conversa.O primo ergueu os olhos, ainda agachado diante de Tomas, e abriu um sorriso.“Já? Mas acabamos de começar a nos conhecer melhor.”“Não quero que continue aparecendo aqui sem ser convidado.”Natasha lançou um olhar discreto para Thorne, mas permaneceu em silêncio. Conhecia o temperamento do noivo e sabia que aquela conversa poderia terminar mal.Phillip se levantou tranquilamente, ajeitando o paletó.“Não preci
“Natasha! Você está ainda mais bonita do que da última vez que nos vimos.”Phillip entrou na mansão Sullivan com um sorriso encantador, segurando um buquê de flores em uma das mãos e uma garrafa de vinho na outra. Aproximou-se de Natasha com a naturalidade de quem visitava velhos amigos, ignorando deliberadamente a expressão fechada de Thorne.“Trouxe estas flores para você. Espero que goste.”“São lindas, Phillip. Obrigada.” Natasha aceitou o buquê, um pouco surpresa com a visita. “Não precisava se incomodar.”“Não é incômodo algum presentear uma mulher bonita.” Ele lhe lançou uma piscadela antes de voltar a atenção para o primo. “E trouxe um vinho para nós dois. Não sei se a marca é boa o suficiente para o seu paladar refinado, Thorne, mas o vendedor garan
Natasha continuava olhando para a intimação quando Thorne entrou no escritório. Ele havia passado a manhã resolvendo assuntos da empresa e parecia disposto a aproveitar alguns minutos com ela antes do almoço, mas seu sorriso desapareceu assim que percebeu a expressão preocupada da noiva.“Aconteceu alguma coisa?”“Recebi uma notícia do Brasil.” Natasha girou o computador em sua direção. “Meu advogado encaminhou uma intimação. Preciso prestar depoimento no processo contra Dante.”Thorne se aproximou e examinou o documento. A simples menção ao nome daquele homem foi suficiente para endurecer sua expressão.“Você vai precisar comparecer pessoalmente?”“Pelo que entendi, sim. Ainda vou conversar com meu advogado para confirmar os detalhes, mas parece que terei de viajar.”“Ent&a
Natasha encontrou Sarah na cozinha, pouco depois do café da manhã. A babá estava organizando algumas frutas para levar ao jardim, onde os trigêmeos brincariam naquela manhã, mas havia algo diferente em seu comportamento. Ela parecia nervosa, distraída, e olhava constantemente para a porta, como se temesse ser surpreendida.“Bom dia, Sarah.”A jovem se sobressaltou, deixando uma maçã escapar de suas mãos. A fruta rolou pelo balcão antes que Natasha conseguisse segurá-la.“Desculpe, senhora Natasha! Eu não ouvi a senhora chegar.”“Está tudo bem. Não precisa ficar tão assustada.” Natasha colocou a maçã novamente na fruteira. “Aconteceu alguma coisa?”“Não, senhora. Está tudo bem.”A resposta veio depressa demais. Natasha observou a jovem com mais aten&cced
O sol parecia decidido a matá-la.Terry caminhava havia horas por uma extensão de terra árida, cercada por elevações rochosas e uma vegetação tão escassa que mal oferecia sombra. O horizonte se estendia diante dela sem qualquer sinal de civilização, e a cada passo compreendia melhor por que seus perseguidores não haviam demonstrado tanto desespero quando ela conseguira escapar.Não precisavam correr atrás dela. A própria região se encarregaria de impedir sua fuga.Eram quilômetros e quilômetros de absolutamente nada.Quando avistou uma árvore solitária, quase chorou de alívio. Arrastou-se até ela e desabou sobre a terra, protegendo o rosto do sol com os braços. Sua garganta estava seca, os lábios rachados e a cabeça latejava de maneira insuportável. Não sabia quanto tempo conseg
Natasha fechou cuidadosamente a porta do quarto das crianças e permaneceu alguns segundos no corredor, em silêncio.Estava exausta.Sarah estava de folga e, embora houvesse outros funcionários na mansão dispostos a ajudá-la, Natasha passara praticamente o dia inteiro cuidando dos três. Sofia parecia ter acordado decidida a testar todos os limites possíveis, Tomas derramara suco no tapete da sala e Theo tivera uma crise de choro porque não encontrava um brinquedo que, no fim, estava embaixo da própria cama.Thorne ajudara quando chegara do trabalho e, antes de se recolher, fizera questão de entrar no quarto das crianças para dar um beijo de boa-noite em cada uma delas.Agora, finalmente, os três dormiam.Natasha só queria um banho e a cama.Ao entrar no quarto, porém, percebeu que não encontraria imediatamente nenhum dos dois.Eleanor