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Capítulo 06 - Minha...

last update publish date: 2026-08-03 23:22:20

Ponto de Vista do Thorne

Thorne estava na varanda do escritório, um uísque na mão, quando Terry entrou na mansão agarrada ao braço de um dos amigos de negócios. Ele a viu pela janela antes que ela o visse, e por um momento, seu coração acelerou.

Ela estava mais linda do que lembrava.

O cabelo loiro mais longo, as pernas mais torneadas, o sorriso mais confiante. A modelo que o deixara três anos atrás havia se transformado em uma mulher que fazia todos na sala virarem a cabeça.

Thorne sentiu o ressentimento arder em seu peito. Ela o deixou. Escolheu a carreira, as passarelas, a Europa. Disse que ele era exigente demais, que a sufocava. E talvez ela tivesse razão. Naquela época, ele queria controlar cada aspecto da vida dela, cada passo, cada sorriso que ela dava a outro homem.

Mas agora, vendo-a novamente, a raiva se misturava a algo mais. Esperança. Talvez, dessa vez, pudesse fazer certo.

Ele desceu as escadas e a recebeu com um sorriso educado, que se transformou em algo mais quando ela se jogou em seus braços.

"Thorne, meu amor", ela sussurrou, os lábios perto de seu ouvido. "Senti tanto sua falta."

Ele sentiu o cheiro do perfume dela, o mesmo de sempre, e por um instante, foi transportado de volta aos dias em que era feliz. Mas alguma coisa estava diferente. O calor que ele esperava sentir não veio.

Ela ainda era linda. Mas algo havia mudado dentro dele.

Então ele viu Natasha.

Ela estava no corredor, segurando um embrulho nas mãos. Seu rosto estava pálido, os olhos arregalados. Ele a viu deixar o cachecol cair, viu a dor atravessar seu rosto como um relâmpago.

E, por um momento, Thorne sentiu algo estranho. Uma pontada, talvez. Culpa.

Mas ele a ignorou. Natasha era apenas uma fachada. Um acordo. Estavam juntos há três anos, sim, mas aquilo não era real.

Não era real.

Ele repetiu isso para si mesmo enquanto Terry o arrastava para a sala de jantar, enquanto sua mãe fazia piadas sobre Natasha comer com os empregados, enquanto todos riam da brasileira que ele mantinha por perto para agradar o avô doente.

Foi quando a viu limpar a mesa com o cachecol.

Thorne sentiu algo se contorcer em seu peito. Ele sabia o que aquele cachecol significava. Ela havia passado semanas tricotando, escondida em seu quarto, achando que ele não percebia. Ele vira os novelos de lã, as agulhas, a forma como ela escondia o embrulho atrás da geladeira.

E ela usou aquele presente para limpar a mancha de vinho.

Porque sua mãe mandou.

Porque ele não a defendeu.

Ele bebeu mais um gole de vinho, tentando afogar o desconforto. Não era sua culpa. Natasha sabia que o noivado era de mentira. Sabia que, quando o avô morresse, tudo acabaria.

Então por que aquela cena o incomodava tanto?

Terry estava bêbada. Ele a carregou para cima, sentindo seu corpo contra o dele, esperando que o desejo antigo despertasse. Mas nada. Apenas o dever de um anfitrião.

Quando viu Natasha no corredor, o rosto abatido, os olhos marejados, ele sentiu a irritação crescer. Ela sempre estava ali. Sempre o observando. Sempre esperando algo que ele não podia dar.

O beijo foi um erro. Ele sabia disso enquanto seus lábios tocavam os dela. Foi um gesto mecânico, uma tentativa de calá-la, de fazê-la parar de olhar para ele com aqueles olhos tristes.

Mas quando Natasha perguntou se ele estava feliz, quando as lágrimas escorreram pelo rosto dela, Thorne sentiu algo se partir dentro dele.

Ele não a amava. Não podia amar. Ela era apenas uma dívida, uma gratidão, um favor que ele fazia ao avô.

Então por que a imagem do rosto dela, molhado de lágrimas, não saía de sua mente?

Ele desceu para a varanda, precisando de ar. Foi quando viu.

Natasha e Silas. Na piscina. A mão de Silas sobre a dela.

O sangue ferveu em suas veias.

Ele não sabia o que era aquilo. Não era ciúmes. Ciúmes implicava amor, e ele não amava Natasha. Era posse. Instinto. A certeza de que, mesmo que o noivado fosse falso, ela era dele.

Thorne observou a cena por um longo momento, a raiva crescendo em seu peito. Silas estava olhando para Natasha como se ela fosse a coisa mais interessante do mundo. E ela... ela estava sorrindo. Um sorriso genuíno, diferente dos sorrisos tristes que ela dava para ele.

Ele se aproximou lentamente, as palavras de Silas chegando até ele como farpas. "Você precisa pensar mais em você."

Pensar mais nela. Como se Thorne não desse a ela tudo o que precisava. Roupas, comida, um teto. Ele a salvou. Ele a protegeu.

Então por que Silas a fazia sorrir daquele jeito?

"Thorne", Silas disse, surpreso ao vê-lo. "Não te ouvi chegar."

"Parece que não", Thorne respondeu, a voz gelada. "Estavam muito ocupados."

Ele viu o medo nos olhos de Natasha, e por um momento, sentiu satisfação. Ela ainda tinha medo dele. Isso era bom. Isso significava que ela sabia seu lugar.

Quando ele a puxou para dentro, quando a arrastou para o quarto, Thorne não pensou no que estava fazendo. Ele só sabia que precisava marcar território. Precisava que Silas visse Natasha pela manhã e soubesse que ela pertencia a outro homem.

"Você é minha noiva", ele disse, a voz rouca. "Não importa se o casamento é de mentira. Enquanto estiver aqui, você é minha."

Ele esperava ver submissão nos olhos dela. Em vez disso, viu desafio.

"E quando Terry está aqui, você também é dela?"

A pergunta o pegou desprevenido. Ele não tinha resposta. Porque, no fundo, ele sabia que a resposta era sim. Terry era a mulher que ele amava. Ou pelo menos, a mulher que ele queria amar.

Mas Natasha... Natasha era a mulher com quem ele dividia a cama há três anos. A mulher que acordava cedo para fazer café do jeito que ele gostava. A mulher que cuidava do avô com uma dedicação que ele nunca pediu.

A mulher que limpou a mesa com o cachecol que fez para ele.

Ela saiu correndo do quarto, deixando Thorne sozinho com seus pensamentos.

Ele ficou parado por um longo momento, olhando para a porta fechada. A raiva ainda queimava em seu peito, mas algo mais estava surgindo. Algo que ele não queria reconhecer.

Ele a seguiu.

Seus passos eram firmes, decididos. Ele não sabia o que ia fazer. Só sabia que não podia deixá-la ir. Não com aquele olhar nos olhos. Não com a mão de Silas ainda queimando na pele dela.

Thorne abriu a porta do quarto de Natasha sem bater. Ela estava sentada na cama, os olhos vermelhos, o cachecol manchado ainda em suas mãos.

"Thorne", ela disse, a voz trêmula. "O que você quer?"

Ele não respondeu. Apenas cruzou o quarto em três passadas largas, e antes que ela pudesse se mover, a prendeu contra os lençóis.

Seu corpo cobria o dela, suas pernas entrelaçadas. Ele podia sentir cada curva dela, cada tremor.

"Você quer saber o que eu quero, Natasha?", ele sussurrou, os lábios perto dos dela. "Eu quero que você se lembre de quem você é."

"E quem eu sou?", ela perguntou, a voz saindo mais firme do que ele esperava.

"Minha", ele respondeu, e a palavra saiu mais rouca do que ele pretendia.

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Comments (1)
goodnovel comment avatar
Esmeralda Fluflu
tô gostando mais do Silas
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