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Chá das fadas (II)

Author: Roseanaautora
last update publish date: 2026-08-29 16:01:45

Segui por um dos caminhos, aproveitando aquele raro momento de liberdade, até avistar uma construção de vidro e ferro escondida atrás de árvores altas. Parecia uma pequena casa transparente, com os vidros levemente embaçados pela umidade.

Aproximei-me e abri a porta. O ar quente me envolveu imediatamente, carregado pelo cheiro de terra molhada e flores. Parei, atordoada, assim que enxerguei o que existia lá dentro.

Rosas amarelas.

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    Senti a respiração de Alessandro acelerar. Entretanto, ele me apertou ainda mais contra seu corpo e respondeu, depositando um beijo em minha bochecha:— Sim, eu sei que precisamos ter essa conversa, Paige. Mas não agora. Sei que você fez muito esforço para nosso pandinha nascer. Precisa descansar.— Eu não consigo.— Vai ter que conseguir. Seu corpo precisa disso.Mordi o lábio e perguntei, embora já soubesse a resposta:— E o seu avô?— Ele morreu no dia em que você partiu.Senti lágrimas doloridas brotarem de meus olhos. Peguei a mão dele, que permanecia sobre meu ombro, e apertei seus dedos:— Eu sinto muito... não apenas pela morte dele, mas também porque parti no dia em que ele se foi. Eu gostava muito do senhor Poltergeist, mas precisava que você se distraísse de verdade para que

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    Depois de recebermos a visita da equipe médica do SAMU, que constatou que a minha definição sobre mecônio não estava correta, decidi que teria mais cuidado ao escolher as instituições responsáveis pelos cursos que eu fazia.Lumière sugeriu que eu fizesse menos cursos de qualidade, em vez de vários de procedência duvidosa. E talvez ele tivesse razão.Quando Alessandro finalmente entrou no quarto e fechou a porta, mordi os lábios, temerosa com o que viria pela frente. Acho que aquela seria nossa primeira conversa de verdade depois de oito meses.Ele trancou a porta à chave, e senti meu coração acelerar:— Você não vai me prender novamente — avisei, tentando manter a calma. — Vou fugir com o meu pandinha, e você nunca mais nos encontrará.Alessandro sentou-se na cama, ao meu lado, e ten

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    — Vamos, pequeno — pediu. — Respire.Percebi as lágrimas de Helena caindo sobre meu filho.— Respire, garoto! — Lumière falou, quase sem voz.— Chore! Por favor, chore! — Horloge pediu, aproximando-se apesar de ter jurado que não assistiria a nada.O silêncio se estendeu por um período que não consegui contar. Contudo, se continuasse por mais um segundo, eu morreria.Tentei me levantar, mas minhas pernas não me obedeceram.— Zip... — chamei, desesperada. — Mamãe fez cursos demais para você resolver faltar à primeira aula. Respire, meu amor... por favor.Madame Samovar posicionou cuidadosamente a cabeça dele, limpou apenas o que obstruía sua boca e seu nariz e voltou a estimulá-lo, seguindo as instruções da socorrista.Então nosso filho puxou o ar. O primeiro so

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    — Significa que a cabeça está aparecendo — corrigi, tentando recuperar o ar.Alessandro ficou completamente pálido:— A cabeça dele pode estar aparecendo?— Essa costuma ser a ordem natural. Primeiro a cabeça, depois os ombros e, por último, o restante do panda.— Um panda? — Horloge franziu a testa. — A senhora Paige vai parir um panda?— Ele não é um panda! — Alessandro explodiu.Madame Samovar ordenou que Alessandro me colocasse no sofá. Ele obedeceu, embora seus braços parecessem resistir a me soltar. Lumière continuava ao telefone, repetindo as orientações da emergência, enquanto Matteo espalhava as toalhas com a expressão de quem reconsiderava todas as decisões que tomou na vida.Alessandro se ajoelhou diante de mim e começou a erguer meu vestido. Olhou brevem

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    POV Paige— Você sabe fazer um parto, Madame Samovar? — perguntei.Ela ficou imóvel, com as duas mãos ainda sobre a boca. Seus olhos passaram por Alessandro, por mim e pela minha barriga antes de se arregalarem ainda mais.— Não — respondeu. — Sei cuidar de pessoas doentes, trocar curativos e administrar medicamentos. Nunca fiz um parto.— Eu disse que você não deveria ter dispensado o médico — Lumière falou enquanto pegava o celular e fazia uma ligação.Será que Lumière não entendia que eu estava parindo? O que ele queria fazer no celular àquela hora?Alessandro, ainda comigo em seus braços, disse:— Ótimo! Temos um pai em pânico, uma mulher que nunca fez um parto e uma grávida formada pela internet. Nosso pandinha está cercado por profissionais.Helen

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