LOGINO noivado de Sarah era o sonho de qualquer mulher: estabilidade, carinho e um futuro seguro ao lado de Robert. Mas o destino decidiu colocar um obstáculo de dezoito rodas no meio do seu caminho. Sozinha em uma estrada deserta, cercada por uma gangue de motoqueiros, Sarah viu sua vida em perigo até que um gigante de aço parou no acostamento. Dele, desceu um homem que parecia um anjo vingador: loiro, de olhos verdes cortantes e uma presença que exalava um magnetismo selvagem. Ele a salvou, consertou seu carro e partiu sem pedir nada em troca, deixando Sarah perdida em fantasias com o estranho que mal conhecia. O que ela não imaginava é que o seu salvador tinha nome, sobrenome e um lugar à mesa de jantar da sua nova família. John é o irmão mais velho de seu noivo. Um caminhoneiro nômade que vive pelas leis da estrada, John é o oposto do irmão: ele é o fogo que consome, o perigo que atrai e o pecado que Sarah nunca deveria desejar. Sob o mesmo teto, enquanto os preparativos para o casamento avançam, a tensão entre Sarah e seu cunhado se torna uma carga elétrica impossível de ignorar. Entre a lealdade ao homem que ama e a paixão avassaladora pelo homem que a salvou, Sarah descobrirá que alguns corações não podem ser domados... e que o seu maior erro pode ser o seu desejo mais profundo. Prepare-se para uma viagem sem volta pelas curvas perigosas do desejo proibido.
View MoreJohn narrando: Desci do caminhão primeiro, sentindo o peso da terra da minha família sob as botas. O cheiro de feno, óleo e passado me atingiu de uma vez só. Por um segundo, foi como se nada tivesse mudado. Mas tudo tinha. Abri a porta do passageiro e peguei David no colo. O menino olhava para a imensidão da fazenda com curiosidade, os olhos atentos, absorvendo tudo sem saber que aquela terra também corria no sangue dele. Sarah desceu logo depois. Ela manteve a cabeça erguida, mas eu senti. Conhecia cada detalhe dela. O leve tremor nas mãos, a respiração um pouco mais curta… ela estava pronta para enfrentar qualquer coisa. Inclusive o passado. A porta da casa se abriu. Diana e George apareceram na varanda. Minha mãe levou a mão à boca no mesmo instante, como se o ar tivesse sumido dos pulmões. Meu pai ficou imóvel, os olhos estreitos, tentando entender o que estava diante dele. Eu comecei a caminhar. Cada passo parecia mais pesado que o anterior. O silêncio se
John narrando: Eu dirigia com uma mão no volante e a outra estendida para trás, apenas para tocar de vez em quando na perna de Sarah ou sentir o movimento de David, que estava fascinado com a paisagem que passava pela janela. Fiz a entrega em tempo recorde. Cada minuto que eu passava naquele caminhão era um minuto a menos para descobrir quem era aquele menino que carregava o meu rosto.Assim que descarregamos, não procurei outra carga. Procurei o melhor motel de beira de estrada que o dinheiro podia pagar. Queria paredes de verdade, uma cama larga e silêncio.No quarto, o mundo lá fora deixou de existir. David estava eufórico, pulando no colchão macio. Eu me sentei no chão e o observei. Ele pegou o seu caminhãozinho de plástico e começou a correr pelo quarto.— Ele gosta de velocidade, como você — Sarah comentou, com um sorriso que eu não via há anos.— Ele é perfeito, Sarah. — Aproximei-me dele e, pela primeira vez, David não recuou. Ele me ofereceu o brinquedo. Quando peguei na mão
John narrando: Eu estava paralisado. O nome dela na minha boca parecia algo proibido, um segredo que eu guardei por mil noites e que finalmente ganhava vida. Sarah estava ali, a poucos metros, mas o abismo entre nós ainda parecia infinito. Eu olhava para ela, tentando reconciliar a imagem da noiva de Fairhaven com essa mulher de olhar cansado e mãos calejadas, quando o som da porta da lanchonete batendo me trouxe de volta à realidade. Era ele. O tal Buck. O sujeito entrou rindo, jogando o boné sujo sobre o balcão com a arrogância de quem se sente o rei de um reino de miséria. — Ora, ora! A bonitinha voltou! — Buck exclamou, ignorando a minha presença como se eu fosse parte da mobília. — Como vai o bastardo, Sarah? O moleque sobreviveu à febre ou você já está livre para me dar um pouco de atenção hoje? Sarah recuou um passo, o rosto empalidecendo. Eu senti o sangue subir para a minha cabeça, uma pulsação violenta nas têmporas. Mas o pior veio a seguir. Buck se inclinou so
John narrando: Eu já estava a trinta milhas de distância, acelerando pela rodovia que corta as planícies próximas a Hempstead, quando o rádio PX chiou e o terminal de dados no painel acendeu. Era a central de despacho. — Atenção, unidade 7-Oito-Meia. John, você ainda está na região de Waller? Temos uma carga prioritária de maquinário agrícola que precisa sair amanhã na primeira hora para o norte. Você é o motorista mais próximo. Eu soltei um palavrão entre dentes, apertando o volante. O plano era colocar o máximo de asfalto entre mim e aquela lanchonete onde o nome "Sarah" tinha me dado um soco no estômago. Eu queria distância daquela sensação de fracasso. Mas o frete era alto e, no mundo dos caminhoneiros, você não recusa uma carga dessas quando está com o tanque cheio e o cronômetro a favor. — Positivo, central. Estou voltando. Vou pernoitar na parada mais próxima para carregar ao amanhecer — respondi, sentindo um gosto amargo na boca. O destino tem um senso de humor












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