FAZER LOGINCapítulo 4
Ettore Bellucci
O nome Ettore Bellucci ecoava pelas ruas da Itália como um sussurro respeitoso e temido. Para a imprensa, eu era apenas mais um magnata intocável, o visionário CEO da Bellucci Corporation, o homem que transformava qualquer negócio em ouro. Mas por trás dos holofotes, nos corredores sombrios onde decisões eram seladas com sangue, eu era muito mais do que um simples empresário.
Eu era o Don. Il Capo di tutti capi.
A família Bellucci não era apenas uma linhagem — éramos o alicerce da Cosa Nostra. Uma dinastia esculpida em ferro, lealdade e silêncio. Desde meu bisavô, nosso sangue misturava-se ao concreto de Palermo, onde acordos eram feitos com um olhar e dívidas eram cobradas com balas.
Meu avô, Enzo Bellucci, estabeleceu os alicerces do nosso império. Mas foi meu pai, Rocco Bellucci, quem ergueu as colunas que sustentam o que somos hoje. Um homem cuja presença impunha silêncio, cujo nome era sinônimo de poder. Ele reinava com inteligência e mão firme, implacável com os traidores, generoso com os leais. Um estrategista nato. Um arquiteto do submundo. O responsável por transformar a máfia em uma máquina invisível, eficiente e letal.
E então, chegou minha vez.
Desde criança, fui moldado para o trono. Nunca conheci o que chamam de infância — fui privado de inocência, de escolhas. Enquanto outros aprendiam a andar de bicicleta, eu aprendia a identificar mentiras no olhar de um homem. Aos dez, já entendia os mecanismos da lavagem de dinheiro. Aos quinze, presenciei horrores suficientes para endurecer qualquer alma. Aos dezoito, meu pai me levou à minha primeira execução.
— Se quiser ser um rei, precisa aprender a sujar as mãos. — ele disse, antes do estampido ecoar no galpão e o corpo cair, inerte.
A morte nunca me abalou. Nem a dor. Nem a culpa. Tudo isso era parte do preço. Um tributo exigido por quem desejava o trono. E eu estava mais do que disposto a pagá-lo.
Hoje, sou o novo rosto do império Bellucci. O herdeiro de um legado selado com ferro e sangue. Carrego o peso de séculos de poder nos ombros, e com ele, a responsabilidade de manter intacta a estrutura que sustenta tudo o que somos. Cada decisão minha é milimetricamente calculada — não há espaço para hesitação.
No mundo corporativo, visto meu terno de CEO e conduzo fusões, negócios internacionais, investimentos. Mas basta o cair da noite para que o Don desperte. No submundo, meu nome não precisa ser dito. Basta ser sussurrado. E já é o suficiente para fazer homens tremerem.
Minha vida é cercada por luxo e influência. Tenho tudo ao alcance das mãos. Homens se curvam sem que eu precise falar. Mulheres se jogam aos meus pés com a esperança de se tornarem algo mais do que apenas mais uma noite. Mas não se enganem: meu coração não pertence a ninguém. Amor? Uma fraqueza revestida de promessas vazias. Compromisso? Correntes disfarçadas de laços.
O que me satisfaz é o controle. É o domínio absoluto sobre cada peça do jogo. É o prazer silencioso de saber que nada — nem mesmo o destino — acontece sem que eu permita.
Nas festas, observo tudo. O uísque arde em minha garganta enquanto desfilam diante de mim mulheres tentando chamar minha atenção. Mas para mim, são todas iguais: belas, sim. Mas descartáveis. Um gole. Um suspiro. Um adeus.
Ser o Don exige mais do que autoridade. Exige frieza. Exige sacrifício. Cada passo em falso pode ser o último. E nesse jogo, o erro custa mais do que a vida — custa o trono. Por isso, vigio até meus próprios pensamentos. Não confio em sorrisos, não baixo a guarda, não mostro fraquezas.
Mesmo envolto em poder, sei que o verdadeiro inimigo raramente aparece de frente. Ele se esconde nos detalhes, nas palavras sussurradas, nas alianças frágeis. E é por isso que permaneço alerta. Sempre.
Sou Ettore Bellucci. O homem que herdou um império forjado em medo, respeito e silêncio. O CEO admirado. O Don temido. O rei sem coroa que comanda de longe — e destrói de perto.
E assim será. Porque no meu mundo, ou você domina… ou é dominado.
ETTORE BELLUCCIEu voltei ao trabalho, sentando-me em minha cadeira, mas minha mente estava longe. O que foi aquilo? O que deu em mim para falar daquele jeito com Aurora? Aquelas palavras impulsivas, aquele desejo de manter algo escondido entre nós...Eu sabia que era tesão, nada mais. Eu nunca me deixava levar por isso. Depois que eu matasse o maldito traidor, isso acabaria. Eu não podia colocar uma jovem mulher como ela na minha vida, em meio ao caos e à constante ameaça que a minha existência representava. Ela tinha uma vida pela frente, uma chance de ser algo mais do que eu poderia oferecer. Eu só estava me iludindo, isso iria passar. Não deveria ter deixado ela entrar tão profundamente no meu radar, mas era tarde demais.Fechei os olhos por um instante, tentando afastar os pensamentos. Eu não queria pensar nela. Eu não podia me distrair com isso. Mas era difícil
ETTORE BELLUCCIMe despedi de Alice com um sorriso nervoso, sentindo uma mistura de gratidão e ansiedade. Ela me deu um olhar compreensivo, quase como se soubesse o turbilhão de emoções que eu estava enfrentando. Eu tentei disfarçar a apreensão, mas sabia que não conseguiria escapar de tudo o que estava acontecendo.— Boa sorte, Aurora. Vai ficar tudo bem. Você merece estar lá — ela disse, seu tom suave, mas cheio de confiança.—Obrigada, Alice. Nos vemos depois. — Falei com um sorriso forçado, tentando manter a calma. Mas, no fundo, eu sabia que o dia seria difícil. Eu não sabia o que esperar, especialmente com a fofoca que já começava a se espalhar pelos corredores da empresa.Caminhei até a sala onde trabalhava com Ettore, sentindo o peso dos olhares nas minhas costas. Cada passo parecia mais pesado do que
ETTORE BELLUCCIEu estava sentado na minha cadeira, o peso da decisão que precisava tomar me consumindo. Lorenzo entrou sem bater, com o rosto fechado e uma expressão séria. Algo me disse que não seria uma boa notícia. Ele se aproximou e, sem rodeios, começou a me contar sobre os boatos que estavam circulando pela empresa.—Aurora... as mulheres estão falando por aí que ela é sua amante — ele disse, e eu senti como se um punhal tivesse sido cravado no meu peito. —Disseram que ela conseguiu o cargo por ser sua nova... amante.Eu soltei o ar com força, tentando me controlar. Eu sabia que a fofoca correria, mas isso? Isso era uma afronta. Como alguém ousaria espalhar algo tão baixo sobre ela? Eu sabia que não poderia deixar aquilo passar em branco. Eu não iria permitir que desrespeitassem alguém sob minha proteção, e
AURORA SINCLAIREnquanto eu me olhava no espelho, ainda processando tudo o que tinha ouvido, a porta do banheiro se abriu, e eu vi uma mulher da limpeza entrando. Nossos olhos se encontraram, e por um segundo, ambas ficamos congeladas.Era como olhar para um reflexo. Nós parecíamos irmãs gêmeas.A outra garota arqueou a sobrancelha e sorriu. — Uau, achei que tivessem colocado um espelho novo aqui.Eu soltei uma risada e balancei a cabeça. — Se não fosse eu mesma, teria certeza de que você é minha irmã perdida.— Alice — ela se apresentou, estendendo a mão.— Aurora — eu respondi, apertando a mão dela.Antes que pudéssemos continuar a brincadeira, a porta do banheiro se abriu novamente, e três mulheres entraram. Assim que nos viram, os sorrisos sumiram de seus rostos.— O que temos aqui? Duas g&
AURORA SINCLAIREu não sabia o que estava acontecendo comigo. Tudo estava tão confuso, tão rápido, e a única coisa que eu sentia era uma pressão crescente no peito, como se estivesse prestes a explodir. Os meus pensamentos estavam bagunçados, mas uma coisa estava clara em minha mente:Eu queria mais.Eu queria mais de Ettore, mais daquele desejo que queimava dentro de mim, mais daquela atração irresistível que ele despertava, e talvez... mais daquela coisa que ele despertava em mim, uma coisa que eu nunca havia sentido.—Você se lembra do que disse ontem? — Ele perguntou de novo, e a pergunta ecoava em minha mente, um lembrete sutil do que eu havia dito, do que eu havia pedido. Mas eu estava tentando escapar dessa sensação, tentando afastar essa vontade, essa necessidade que parecia tomar conta de mim a cada segundo que passava.
AURORA SINCLAIRAcordei lentamente, como se estivesse saindo de um sonho, mas a sensação de estar no lugar errado era impossível de ignorar. O quarto ao meu redor era estranho, e por um momento, não sabia onde estava. O cheiro do lençol, o colchão firme, a ausência de qualquer som familiar... até que, ao mover meu corpo, me deparei com algo quente e firme atrás de mim.Quando meus olhos se abriram, vi o teto de um apartamento que não reconhecia. Eu estava deitada, sem saber como ou quando, nos braços de Ettore. Ele estava ali, seu peito tocando minhas costas e os braços envoltos ao meu corpo, me segurando como se fosse uma coisa preciosa. Ele estava adormecido, sua respiração tranquila, mas eu não conseguia tirar o pensamento da minha cabeça:Como cheguei aqui?O medo tomou conta de mim por um instante. Eu não sabia







