Share

O Preço do Segredo

Penulis: Iris Marquesa
last update Tanggal publikasi: 2026-09-20 15:57:16

A porta do escritório abriu-se num baque seco, cortando o ar denso da sala como uma lâmina.

Arthur não se abalou. Com uma calma quase assustadora, ele apenas ajustou a postura, tirando a mão da madeira ao lado da minha cabeça e dando um passo para o lado com extrema naturalidade. Eu inclinei-me contra a porta, tentando desesperadamente desacelerar o ritmo frenético do meu coração e disfarçar o arfar do meu peito.

— Pai! A secretária disse que você já estava livre — a voz da Beatriz soou no corredor, e ela entrou na sala segurando uma pasta de documentos e o seu telefone celular.

Ela olhou para o pai e depois virou o rosto para mim, franzindo ligeiramente a testa ao notar o meu rosto corado e a minha respiração desregulada.

— Clara? Está tudo bem? Você parece que viu um fantasma.

Senti o meu sangue gelar. Encostei as mãos frias nas coxas para esconder o tremor e tentei sorrir, embora a minha boca estivesse completamente seca.

— Está... está tudo bem, Bia — gaguejei, a minha voz saindo num fio. — Eu só... fico um pouco nervosa em ambientes corporativos tão grandes. A vista daqui é um pouco impressionante.

Arthur nem sequer piscou. Ele caminhou com passos firmes de volta para a sua mesa de jacarandá, pegou no copo de água e tomou um gole calmo antes de pousá-lo novamente no pires de vidro.

— A sua amiga apenas percebeu o nível de exigência da Vance Enterprises, Beatriz — disse ele, com aquela voz grave, impecável e sem uma única fresta de emoção. — Estávamos a discutir a postura necessária para o cargo de estagiária no departamento de comunicação.

Beatriz olhou do pai para mim e depois soltou uma gargalhada leve, relaxando os ombros.

— Ah, pai, não assustes a garota! A Clara é incrivelmente talentosa, já te disse. Não precisas de fazer aquele teu interrogatório de tribunal com ela.

— Eu não faço favorecimentos, Beatriz. Você sabe disso melhor do que ninguém — respondeu ele, ajeitando as mangas da camisa. O seu olhar cinzento cruzou com o meu por cima do ombro da filha, rápido como um raio, mas carregado de uma intenção tão clara que fez todo o meu corpo estremecer. — Mas a Clara demonstrou ter a firmeza necessária para suportar a pressão.

A minha amiga sorriu, visivelmente satisfeita por ter conseguido o que queria.

— Isso significa que ela conseguiu o estágio?!

— Significa que ela começa na segunda-feira — declarou Arthur, voltando a sentar-se na sua cadeira de couro e pegando na caneta de ouro. — O contrato temporário de três meses será preparado pelo departamento de Recursos Humanos. Se o desempenho dela for satisfatório, renovamos. Se falhar, estará fora.

— Obrigado, Sr. Vance — murmurei, mantendo a cabeça erguida e tentando sustentar o tom profissional, embora a lembrança do seu sussurro no meu ouvido ainda queimasse na minha pele. — Não vou decepcionar a empresa.

— Tenho a certeza de que não vai — disse ele, abaixando os olhos para os relatórios sobre a mesa, encerrando o assunto com a autoridade de um monarca. — Agora, se me dão licença, tenho uma reunião com a diretoria em cinco minutos. Beatriz, leva a tua amiga para conhecer o andar do marketing.

— Vamos, Clara! Vamos comemorar com um almoço! — Beatriz puxou-me pelo armo, entusiasmada, guiando-me para fora do escritório.

Antes de a porta de madeira escura se fechar completamente, olhei para trás uma última vez. Arthur não tinha tirado os olhos dos papéis, mas a sua postura ereta e a forma como a sua mandíbula estava travada mostravam que ele estava perfeitamente consciente de cada passo meu.

O resto da tarde passou como num turbilhão. Beatriz levou-me a um restaurante luxuoso no centro da cidade para celebrar o meu novo emprego. Ela falava sem parar sobre os planos que tinha para mim, sobre como iríamos fazer compras no fim de semana para renovar o meu guarda-roupa de trabalho e como a minha vida finalmente estava a entrar nos trilhos.

Enquanto ela falava, a culpa devorava-me por dentro.

Cada palavra de carinho da minha amiga parecia um soco no meu estômago. Ela não fazia ideia de que, minutos antes de entrar no escritório, o seu próprio pai — o homem que ela respeitava e temia — me tinha encurralado contra a porta, oferecendo proteção e exigindo a minha devoção total num jogo de poder perigoso.

Quando voltamos à mansão, ao final da tarde, fui direto para o meu quarto. Tranquei a porta, encostei-me à parede e deixei-me escorregar até ao chão, abraçando os joelhos.

Eu precisava de pensar. O salário de estagiária na Vance Enterprises era excelente, muito acima da média do mercado. Com aquele dinheiro, em dois ou três meses eu conseguiria juntar o suficiente para pagar o caução de um apartamento pequeno e sair definitivamente da mansão.

Essa é a minha saída, pensei, tentando convencer-me a mim mesma. É apenas um trabalho. Vou focar-me no meu desempenho, manter a cabeça baixa, evitar o Arthur a todo o custo e sair daqui assim que puder.

Porém, a vida parecia empenhada em provar que eu não tinha o controle de absolutamente nada.

Às nove da noite, Beatriz bateu à porta do meu quarto para dizer que ia sair para uma festa com alguns amigos da faculdade.

— Certeza que não queres vir, Clara? Vai ser divertido! — insistiu ela, ajeitando o vestido de festa em frente ao espelho do corredor.

— Tenho a certeza, Bia. Ainda estou muito cansada por causa de tudo o que aconteceu. Prefiro ficar a descansar.

— Está bem! O meu pai disse que só chega mais tarde, por isso a casa é toda tua. Se precisares de alguma coisa, avisa a Dona Maria!

Despedi-me dela com um abraço e voltei para o quarto. O silêncio que se instalou na mansão após a saída de Beatriz era pesado, quase palpável. Tomei um banho quente, vesti uma roupa simples — calças de moletom confortáveis e uma t-shirt larga — e deitei-me na cama com o meu tablet portátil para pesquisar preços de aluguer de apartamentos na cidade.

O tempo passou sem que eu percebesse. As horas voaram enquanto eu analisava fotos de divisões pequenas e calculava os meus custos futuros.

Por volta da meia-noite, um som vindo da entrada principal rompeu o silêncio da casa. O som de passos pesados subindo a escadaria de mármore fez o meu corpo reagir instantaneamente. O meu coração deu um pulo no peito.

Os passos avançaram pelo corredor do segundo andar. Eu segurei a respiração na cama, esperando que eles continuassem em direção à suíte principal no fundo do corredor.

Mas os passos pararam.

Pararam exatamente do lado de fora da porta do meu quarto.

Fiquei imóvel sob os lençóis, com os olhos fixos na maçaneta de bronze. Durante vários segundos, o único som na divisão era o bater desordenado do meu próprio coração.

A maçaneta girou lentamente.

A porta abriu-se sem fazer barulho, e a figura imponente de Arthur Vance apareceu sob a iluminação fraca do corredor.

Ele tinha tirado o paletó, e a sua gravata estava solta ao redor do colarinho desabotoado. Ele trazia uma pasta de couro numa das mãos e um copo de uísque na outra. Os seus cabelos grisalhos estavam levemente desalinhados, e a sua expressão emanava um cansaço sombrio — mas os seus olhos cinzentos estavam acesos com uma intensidade predatória quando pousaram em mim.

Ele entrou no quarto, fecho a porta atrás de si e girou a chave na fechadura com um clique seco que ecoou pela divisão.

— Sr. Vance... — levantei-me da cama num salto, o pânico e a adrenalina correndo-me nas veias. — O que está a fazer aqui? A sua filha pode...

— A Beatriz foi para uma festa no clube e só retorna de manhã — disse ele, com a sua voz grave e rasgada pelo álcool e pelo cansaço, caminhando devagar até à mesa ao lado da cama e pousando o copo e a pasta. — Nós estamos sozinhos nesta casa, Clara.

Ele deu um passo na minha direção, tirando a gravata com um movimento lento e fluido do pescoço, jogando-a sobre a poltrona.

— O senhor não pode estar aqui — tentei recuar, mas as minhas costas bateram na cabeceira estofada da cama. — Nós concordámos no escritório... isto é um erro! Eu sou sua estagiária, sou a melhor amiga da sua filha!

Arthur parou a poucos centímetros de mim. Ele era tão alto e largo que a sua sombra me cobriu por completo. Ele ergueu a mão e, desta vez, não pediu licença. Os seus dedos quentes e firmes seguraram o meu queixo, forçando-me a olhar diretamente nos seus olhos de tempestade.

— Você não percebeu nada do que aconteceu naquele escritório hoje à tarde, pois não? — sussurrou ele, aproximando o rosto do meu até que o aroma a uísque e o seu perfume amadeirado me tontuassem. — Eu não te dei aquele emprego para seres minha funcionária, Clara. Eu dei-te aquele emprego para garantir que passas os teus dias debaixo do meu teto e sob o meu olhar.

— Arthur, por favor... — o nome dele escapou-me dos lábios num pedido desesperado. Foi a primeira vez que o chamei pelo seu primeiro nome.

Ao ouvir o seu nome na minha voz, os olhos dele escureceram ainda mais. A sua mão deslizou do meu queixo para a minha nuca, enredando os seus dedos longos no meu cabelo e puxando a minha cabeça levemente para trás, expondo o meu pescoço.

— Diz outra vez — exigiu ele, a sua voz baixando para um sussurro imperioso contra a minha pele. — Diz o meu nome outra vez.

— O senhor está fora de si... — tentei empurrar o peito dele com as mãos, mas o corpo dele era como uma parede de pedra. Senti a firmeza dos seus músculos sob a camisa social, o calor intenso que emanava dele.

— Eu estou mais lúcido do que nunca — rebateu ele, inclinando a cabeça e roçando os seus lábios quentes na curva do meu pescoço. Um arrepio violento rasgou-me o corpo de alto a baixo, fazendo-me arfar e soltar um gemido involuntário que tentei sufocar a todo o custo. — O teu ex-namorado foi um imbecil por te ter deixado escapar. Mas eu não cometo erros, Clara. E eu não vou deixar que saias da minha vida.

— A Beatriz... ela nunca me perdoaria — murmurei, sentindo as minhas forças fraquejarem à medida que a boca dele subia lentamente pela minha linha do maxilar, parando a um milímetro dos meus lábios.

— A minha filha nunca vai saber — prometeu ele, o seu polegar acariciando a minha bochecha com uma posse absoluta. — Este é o nosso segredo. A tua carreira, a tua proteção, o teu futuro... eu dou-te tudo o que precisares. Mas em troca, quando estivermos longe dos olhos do mundo, tu serás minha.

Antes que eu pudesse formular um protesto ou encontrar forças para o afastar, a boca de Arthur cobriu a minha num beijo profundo, dominante e devastador.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Possuída Pelo Pai da Minha Melhor Amiga   O Leilão em Chamas

    O majestoso edifício da Bolsa de Valores de Londres brilhava sob as luzes da noite chuvosa. Executivos de alto padrão, banqueiros internacionais e correspondentes da imprensa econômica de toda a Europa lotavam o auditório privativo do leilão das patentes de tecnologia da antiga Aegis Corp.A atmosfera no ambiente era de pura eletricidade corporativa, mas quando o nosso grupo cruzou as portas de vidro do salão principal, os sussurros cessaram quase que instantaneamente.Entramos formando um triunvirato impecável e intimidador. Arthur caminhava no centro, trajando um terno azul-noite feito sob medida por alfaiates savile row, exalando uma aura de autoridade dominadora e perigosa. Eu estava à sua direita, usando um vestido de alfaiataria preto com detalhes em renda e joias discretas de diamantes, segurando sob o braço a pasta de couro que continha o nosso golpe fatal. Beatriz vinha à sua esquerda, mantendo a cabeça erguida e a postura ereta, apesar do pavor mudo que transparecia no seu o

  • Possuída Pelo Pai da Minha Melhor Amiga   Sob Londres

    O céu de Londres nos recebeu com uma chuva fina e uma névoa cinzenta que parecia abraçar os monumentos históricos da cidade. O desembarque na pista privada do aeroporto de Heathrow foi executado com escolta armada de alto nível organizada por Ramos.Três sedãs pretos blindados nos aguardavam para o trajeto até o prestigiado hotel Savoy, às margens do rio Tâmisa.No banco de trás do primeiro veículo, a tensão entre nós três era palpável. Arthur mantinha sua mão firme sobre a minha coxa, os olhos fixos na paisagem fria lá fora. Ao nosso lado, Beatriz olhava obsessivamente para a tela do celular, extremamente pálida e quieta.— O que foi, Beatriz? — perguntou Arthur, a voz cortante quebrando o silêncio do carro. — Você não falou uma palavra desde que saímos do avião.Beatriz deu um salto no banco, sobressaltada, guardando o telefone no bolso do casaco rapidamente.— Nada, pai... — gaguejou ela, sem conseguir sustentar o olhar do CEO. — Só estou nervosa com o leilão e com a mamãe.Arthur

  • Possuída Pelo Pai da Minha Melhor Amiga   O Peso da Coroa

    O jato executivo da Vance Enterprises cortava a escuridão sobre o Atlântico Norte a dez mil metros de altitude. Na cabine principal, o zumbido suave dos motores era o único som que quebrava o silêncio denso.Arthur estava de pé junto à mesa de reuniões, sem o paletó, com os punhos da camisa social dobrados até os cotovelos. Ele encarava o mapa das Ilhas Virgens no tablet, a mandíbula trincada e os olhos cinzentos faiscando com a promessa de uma guerra sem tréguas em Londres. A proximidade do confronto com Helena despertava nele um lado ainda mais sombrio e dominador.Caminhei devagar pelo corredor, o tecido do meu robe de seda preta roçando na pele. O cansaço da batalha em Santos ainda pesava nos meus ombros, mas a presença daquele homem agia como um ímã incontrolável sobre mim.— Você não conseguiu dormir — disse baixinho, me aproximando pelas costas dele e envolvendo sua cintura larga com meus braços.Arthur estancou. O calor do corpo dele transbordava pelo tecido fino da camisa. El

  • Possuída Pelo Pai da Minha Melhor Amiga   A Mente no Comando

    Na manhã seguinte, a atmosfera no interior da mansão Vance havia se transformado completamente. O ar carregado de desconfiança e mágoa dos últimos dias deu lugar a uma cumplicidade renovada e inabalável. A reconciliação entre Clara e Beatriz redefiniu o equilíbrio de forças da casa, devolvendo a esperança ao coração do império.Quando Clara e Beatriz desceram juntas a grande escadaria de mármore para o salão de jantar, vestindo trajes elegantes de alfaiataria em tons sóbrios, o som dos saltos altos ressoou em perfeita sintonia. Arthur já as aguardava na cabeceira da mesa de jacarandá, cercado por tablets, dossiês e relatórios impressos do mercado financeiro internacional.Os olhos cinzentos do CEO se ergueram das telas e passaram de Clara para a filha. O olhar atento e analítico do homem de negócios notou instantaneamente a mudança drástica no semblante das duas. A postura defensiva e os olhos marejados de Beatriz tinham sido substituídos por um olhar firme e focado. O canto dos lábio

  • Possuída Pelo Pai da Minha Melhor Amiga   O Resgate do vínculo

    A sombra da revelação de Helena Vance ainda pairava sobre a diretoria, mas o ambiente na suíte master da mansão, naquela noite, era de um silêncio diferente. Não a tensão da guerra corporativa, mas a necessidade de curar as feridas internas da família antes do embarque para a Europa.Arthur estava no escritório do térreo em uma conferência de emergência com os advogados de Londres. Aproveitei o momento para ir até o antigo quarto de hóspedes no ala leste da casa — o mesmo cômodo onde Beatriz me instalou quando tudo começou, quando eu era apenas uma jovem tentando recomeçar a vida e ela me ofereceu um teto e sua amizade incondicional.Bati suavemente na porta do quarto de Beatriz.— Pode entrar — a voz dela saiu abafada do outro lado.Abri a porta devagar. Beatriz estava sentada no chão, encostada no pé da cama, cercada por porta-retratos antigos da infância. Ela segurava uma foto emoldurada em prata onde aparecia ainda criança, ao lado de Gabriel e de uma mulher loira de sorriso calcu

  • Possuída Pelo Pai da Minha Melhor Amiga   A Aliança Invisível

    A calmaria que se seguiu à queda da Aegis Corp e à ascensão oficial de Clara como Diretora-Executiva de Operações Especiais trouxe um novo fôlego ao quadragésimo andar. Mas no topo do mundo corporativo, o silêncio raramente significava paz — era apenas o intervalo entre duas tempestades.A luz matutina entrava pelas amplas janelas de vidro da suíte master da mansão Vance. Clara terminava de ajustar o colar de pérolas negras que Arthur lhe deu de presente na noite anterior, observando o reflexo de seu vestido de alfaiataria azul-marinho.Arthur aproximou-se por trás, abotoando os punhos de sua camisa sob medida. As mãos quentes do CEO envolveram os quadris de Clara, puxando-a contra o seu peito largo. O perfume amadeirado de Arthur e o calor de seu corpo desfizeram instantaneamente qualquer vestígio de tensão matinal.— Você está deslumbrante, minha diretora — sussurrou Arthur contra a curva do pescoço de Clara, desferindo um beijo lento e profundo que fez a respiração dela travar por

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status