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Capítulo 2

Penulis: Triplo
Denise suspirou e abriu o meu cadastro no computador.

— Segundo o seu histórico, você se ofereceu para trabalhar durante cinco anos em uma região remota, superou as condições adversas e concluiu a missão com sucesso.

— Foi exatamente isso que aconteceu.

Ela abaixou a voz:

— Mas, nos relatórios dos três projetos que você liderou, Camila aparece como autora principal de todos os resultados.

Fiquei paralisada.

— Como isso é possível? Fui eu quem...

— Você autorizou.

Denise abriu um documento e virou a tela para mim:

— Veja. Este acordo é de cinco anos atrás. Você assinou autorizando que os resultados dos projetos fossem compartilhados com toda a equipe.

A assinatura era realmente minha.

Mas eu não me lembrava de ter assinado nada parecido.

— Você foi embora às pressas naquela época. O Sr. Rafael cuidou de grande parte da documentação para você.

Denise parecia querer dizer mais alguma coisa, mas hesitou:

— Mariana, há certas coisas que... Deixa pra lá. Por enquanto, vá para a sua mesa.

Minha mesa ficava em um canto, ao lado da impressora, e estava coberta de objetos deixados por outras pessoas.

Alguns colegas passaram por mim fingindo que não tinham me visto. Outros apenas assentiram em cumprimento.

Só Patrícia se aproximou e perguntou em voz baixa:

— Por que você voltou?

— O projeto terminou.

— Aí você...

Ela olhou para o escritório de Camila:

— Tome cuidado. Ela é supervisora agora, e o Sr. Rafael é marido dela.

Coloquei a bolsa sobre a mesa:

— Eu sei.

À tarde, meu celular tocou.

Era Rafael.

Não atendi.

Ele ligou novamente, três vezes seguidas.

Na quarta, finalmente atendi.

— Mariana, precisamos conversar.

— Não temos nada para conversar.

— Camila está grávida do nosso segundo filho. O médico disse que a gravidez é de risco e que ela não pode passar por nenhum estresse.

Sua voz parecia exausta.

— Você poderia... ficar longe de nós por enquanto?

Do outro lado da linha, ouvi a voz de uma criança:

— Papai, a mamãe vomitou!

— Já vou, já vou!

Rafael falou às pressas:

— Por favor, faça isso. Estou implorando.

A ligação terminou.

Fiquei olhando para a tela e me lembrei do que acontecera cinco anos antes.

No dia em que recebi a ordem de transferência, liguei para ele chorando.

Ele disse:

— Espere por mim. Estou indo agora.

Depois, ele me abraçou e falou:

— Vá. Considere isso como uma oportunidade de ganhar experiência. Vou esperar você voltar, e então nós nos casaremos.

Naquele dia, havia um leve perfume em sua roupa, diferente da fragrância que ele costumava usar.

Agora eu sabia.

Era o perfume de Camila.

Fui ao hospital fazer uma bateria completa de exames.

O médico analisou os resultados com a testa profundamente franzida.

— Sra. Mariana, o seu quadro...

— Pode falar a verdade.

— Você tem endometriose e uma redução grave da função ovariana.

Ele ajustou os óculos.

— A possibilidade de engravidar naturalmente é praticamente nula.

Apertei o laudo nas mãos, e a borda do papel machucou meus dedos.

— Foi por causa das condições de trabalho?

— Anos de trabalho intenso, estresse constante e o clima do sertão de Valdora podem ter contribuído...

O médico fez uma breve pausa:

— Você ainda é jovem. Se começar o tratamento agora, talvez ainda tenha alguma chance.

Saí do consultório.

Várias gestantes estavam sentadas no corredor.

Elas acariciavam a barriga, com o rosto radiante de felicidade.

Um homem se agachou diante da esposa e encostou o ouvido na barriga dela para sentir os movimentos do bebê.

Passei de lado pelo casal e abri a porta da saída de emergência.

Não havia ninguém na escada.

Agachei-me e escondi o rosto entre os joelhos.

Eu não podia chorar.

Se chorasse, perderia.

Três dias depois, aconteceu a festa anual da empresa.

Eu não pretendia ir, mas Patrícia insistiu:

— Você trabalha aqui há muitos anos. Não fica bem faltar.

Vesti um vestido preto e permaneci em um canto do salão.

As luzes eram fortes, e a música, ensurdecedora.

Rafael entrou de braços dados com Camila, e todos se reuniram ao redor dos dois.

— Sr. Rafael, Sra. Camila, parabéns!

— Um segundo filho! Que bênção!

Camila agradecia sorrindo, sempre com uma das mãos protegendo a barriga.

Rafael a segurava pela cintura e a contemplava com uma ternura que parecia transbordar de seus olhos.

Alguém me viu e fez um gesto discreto na minha direção.

O grupo ficou em silêncio por um instante, mas logo voltou a conversar e comemorar.

Exibindo a barriga, Camila caminhou até mim.

— Mariana, quanto tempo.

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