Mag-log inA semana passou mais rápido do que Laura imaginava. Desde que havia retornado ao restaurante, sua rotina voltou a ser bastante movimentada. Os dias eram longos, a cozinha estava sempre cheia de pedidos e, apesar das novas condições oferecidas por Roberto, o trabalho continuava exigindo bastante de seu corpo. Quando finalmente chegou seu dia de folga, Laura acordou com uma sensação desagradável no estômago. Ainda deitada, levou a mão à barriga, tentando aliviar o desconforto. Pensou que talvez tivesse comido alguma coisa que não lhe fizera bem na noite anterior. Levantou-se para ir ao banheiro, mas, assim que ficou de pé, sentiu uma tontura repentina. Precisou se apoiar na parede por alguns segundos antes de seguir rapidamente até o vaso sanitário, onde acabou vomitando. Permaneceu ali por alguns instantes, respirando fundo, até que o mal-estar diminuísse. — Que droga... — murmurou, enxaguando a boca. Imaginou que fosse apenas o cansaço acumulado durante a semana. Afinal, havia p
Miguel acordou assustado com o toque insistente do telefone. Ainda sonolento, estendeu o braço até a mesa de cabeceira e atendeu sem sequer olhar para o visor. — Alô? — Senhor Miguel? Aqui é do hospital. Precisamos que o senhor venha o mais rápido possível. Os médicos precisam conversar com o senhor sobre o estado de saúde do seu pai. O sono desapareceu imediatamente. — Aconteceu alguma coisa? Ele piorou? — Pedimos que venha até o hospital, senhor. Os médicos poderão explicar melhor a situação pessoalmente. Miguel sentiu o coração acelerar. — Estou indo. Desligou sem fazer outras perguntas. Levantou-se rapidamente, vestiu a primeira roupa que encontrou e pegou as chaves do carro. Enquanto saía, sua mente era tomada por pensamentos assustadores. Desde que voltou da ilha, não havia deixado de se preocupar com o pai, mas esperava que, com o passar dos dias, seu quadro apresentasse alguma melhora. Durante o trajeto, tentou manter a calma. Repetia para si mesmo que talvez fosse a
Laura acordou naquela manhã depois de uma boa noite de sono. Sentia que havia conseguido descansar de verdade e trouxe um pouco mais de disposição. Ao se levantar, lembrou-se de tudo o que havia feito no dia anterior. Fora um dia cansativo, cheio de burocracias e preocupações, mas pelo menos conseguira resolver uma das questões que mais a angustiavam: o aluguel. Agora, pelo menos, não precisava se preocupar com a possibilidade de perder seu apartamento. Enquanto caminhava até a cozinha, seus pensamentos acabaram se voltando para Miguel. Perguntou-se como ele estaria, se já havia conseguido voltar para casa e como estaria enfrentando tudo depois do acidente. Será que também estava tentando retomar a rotina? Será que pensava nela? Lembrou-se de que não tinha mais o número de telefone dele. Na verdade, não tinha sequer um celular para tentar procurá-lo. Olhou para o dinheiro que havia separado sobre a mesa e fez alguns cálculos mentalmente. Depois de pagar o aluguel, teria de
Do outro lado da cidade, Miguel finalmente chegou em casa.O trajeto do hospital até ali havia sido relativamente tranquilo, mas sua mente estava longe de encontrar paz. Uma preocupação não lhe dava sossego: o estado de saúde do pai.Ele continuava internado na UTI, e os médicos ainda não podiam garantir quando haveria uma melhora significativa. Miguel sabia que precisava descansar e recuperar as próprias forças, mas como conseguiria pensar em si mesmo quando o homem que sempre representara sua maior referência estava lutando pela vida?Assim que entrou, deixou as chaves sobre um móvel e permaneceu parado por alguns segundos, observando o ambiente silencioso.A casa parecia grande demais.Pela primeira vez em muito tempo, ele se sentiu completamente perdido, sem saber para onde ir ou o que fazer. Durante toda a vida, acreditara que, independentemente das dificuldades, sempre teria o pai para orientá-lo. Mesmo depois de perder a mãe, ainda encontrara nele um ponto de apoio, alguém que,
Quando entraram, Ana fechou a porta e passou o braço pelos ombros da amiga, conduzindo-a até o sofá. O interior da casa parecia exatamente como Laura havia deixado, mas agora tudo lhe parecia precioso. Seus poucos móveis, as roupas guardadas, os objetos espalhados pela sala. Era pouco, mas era seu. Ana sentou-se ao lado dela. — Agora você vai me contar tudo. Onde você estava durante todos esses dias? Como conseguiu sobreviver? Laura respirou fundo. Começou contando sobre o acidente, a queda, o isolamento e os dias em que precisaram encontrar água e comida para continuar vivos. Falou sobre o fogo, as tentativas frustradas de conseguir ajuda e, finalmente, sobre a picada que deixara Miguel tão doente. Quando mencionou o resgate, sua voz ficou mais leve. — Foi ele quem me ajudou a continuar quando eu já não sabia o que fazer. E, quando ele ficou doente, eu achei que fosse perdê-lo. Ana a ouviu atentamente. — E esse Miguel? — perguntou, com um pequeno sorriso curioso.
Depois de resolver a volta de Laura, o assistente retornou ao hospital para buscar Miguel. Quando chegou, descobriu que ele já havia recebido alta. A assistente social deixara uma muda de roupa para que ele pudesse trocar as peças simples que usava desde o resgate. Miguel vestiu-se em silêncio, ainda sentindo o corpo fraco e dolorido, mas aliviado por finalmente estar deixando aquele lugar. Pouco depois, os dois seguiram de volta para o Brasil. No caminho até o aeroporto, Miguel permaneceu calado. Sua mente ainda estava presa aos últimos acontecimentos na ilha, ao resgate e, principalmente, a Laura. Precisava saber se ela estava bem. Precisava ouvir sua voz novamente Ela havia prometido que entraria em contato com ele assim que chegasse, mas até o momento nada de noticias. Então pensou que ela estava ocupada com seus problemas na casa. Ao chegarem ao aeroporto, o assistente cuidou dos documentos e dos procedimentos necessários para o embarque. Miguel, ainda cansado, se







