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Acordo Assinado

Auteur: Lanuza Santos
last update Date de publication: 2026-09-10 10:57:08

A proposta de Rafael de morar na mansão foi recebida com um silêncio tenso. Isabela olhou para o pai, que parecia a ponto de ter um colapso nervoso, e depois de volta para Rafael, o olhar tão firme quanto uma rocha. Ele podia ter o dinheiro, o poder e o testamento do avô a seu favor, mas a única coisa que ele não tinha era o controle sobre ela.

- Eu vou para a sua mansão. - ela disse, a voz baixa e controlada. - Mas sob as minhas condições. Não sou um objeto para ser guardado em uma caixa de vidro.

Rafael ergueu uma sobrancelha, visivelmente surpreso com a audácia dela.

- Condições? Você estará na minha casa, senhorita Monteiro. A única condição aqui sou eu.

Isabela deu um sorriso frio, que não chegou aos seus olhos.

- A cláusula do testamento diz que o casamento deve ser 'duradouro'. E um casamento duradouro, mesmo que arranjado, precisa de um mínimo de cooperação. Ou você acha que um juiz vai acreditar que somos um casal se a gente só se vê em eventos de gala?

Ela se levantou, caminhando até a janela de vidro que dava para a cidade, sentindo-se pequena diante de toda aquela imensidão de concreto.

- O meu mundo é feito de terra, de suor, de animais. Seu avô sabia disso. Ele me escolheu por isso.

Rafael a encarou, o silêncio preenchendo o espaço. Ele parecia estar analisando uma complexa equação de negócios.

- Eu não vou me desfazer do meu cavalo. Eclipse vai comigo. Eu preciso de um estábulo para ele, e de uma área para treinamento. Ele é minha família, e eu não vou abandoná-lo. Eu vou viver na sua mansão, mas vou precisar de um espaço para ele lá.

A proposta era tão absurda que os advogados e o pai de Isabela prenderam a respiração. Um haras em um condomínio de luxo? Rafael, o executivo impecável, com um cavalo no jardim?

Rafael, no entanto, não demonstrou reação. Apenas a observou, medindo a determinação em seus olhos.

- O meu condomínio não permite animais de grande porte.

Isabela deu de ombros.

- Seu avô queria uma conexão com a terra. Faça o seu 'Plano B' funcionar. Ou negocie com o condomínio. Se o senhor consegue controlar um conglomerado multimilionário, acho que pode lidar com as regras de um condomínio.

A ironia era palpável. Rafael ponderou a sugestão, seus olhos se estreitando em um cálculo silencioso. Ela sabia que tinha o trunfo na mão.

- Tudo bem. - ele finalmente disse, a voz como gelo. - Eu darei um jeito. Mas você também terá que cumprir a sua parte do acordo. A convivência em meu mundo.

Ela virou-se para encará-lo, a luz do sol refletindo em seu olhar verde.

- Estou pronta. Quais são as condições?

- A cada dois finais de semana, você vai me acompanhar em eventos de negócios ou encontros familiares. Jantares, coquetéis... o que for necessário para nos mostrar como um casal. Você se veste de acordo e se comporta.

Isabela revirou os olhos.

- Como se eu fosse uma boneca de porcelana. E o resto do tempo?

Ele a fitou intensamente, um desafio em seus olhos.

- Nos finais de semana que não tivermos compromissos sociais, eu passarei com você no haras. Para 'me conectar com a terra', como meu avô queria. 

A proposta pegou Isabela de surpresa. A ideia de Rafael Albuquerque, de terno e sapatos de couro caros, em meio à poeira e ao cheiro de cavalos, era no mínimo hilária. Ela queria gargalhar, mas se conteve.

- E em casa? - ela perguntou.

- Em casa, seremos apenas Rafael e Isabela. Dois estranhos vivendo sob o mesmo teto, cumprindo um contrato. Não há necessidade de demonstrações de afeto. Mas também não quero conflitos. Se você for madura o suficiente para aceitar isso, o contrato será assinado.

Ela o olhou, a teimosia em seu olhar.

- Não sou a pessoa madura aqui. Você está tentando me controlar com dinheiro. Mas eu aceito. Vamos assinar.

A assinatura dos documentos foi rápida e silenciosa. O destino deles, selado em um pedaço de papel. O futuro, uma incógnita. Naquele momento, Isabela sabia que a batalha de vontades não havia terminado. Na verdade, ela estava apenas começando. A convivência em uma mansão luxuosa com um homem frio e um cavalo teimoso era a receita perfeita para o caos.

E, por mais que tentasse, ela não conseguia se livrar da sensação de que, no fundo, talvez fosse isso que o avô de Rafael sempre quis.

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