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Capítulo 2

Auteur: Quinn Adora Coentro
Enquanto esperava a água do chuveiro esquentar, vi que Camila havia feito outra publicação no Instagram:

"Experimentando o bubble tea que está bombando nas redes. Meu melhor amigo ficou uma hora na fila para comprar para mim, mas nem é tão gostoso assim. Só tomei um gole e trouxe o resto para certa pessoa."

A tal pessoa era claramente Rafael, que sorria discretamente para a câmera.

Eu nunca soube que meu namorado, tão obcecado por limpeza que jamais bebia no mesmo copo que eu, era capaz de tomar a bebida de outra mulher.

Soltei um suspiro e curti a publicação.

Em seguida, liguei para meu chefe, Marcelo Nogueira.

— Sr. Marcelo, mudei de ideia. Ainda posso assumir aquele projeto?

Do outro lado da linha, ele pareceu surpreso, mas, acima de tudo, aliviado.

— Até que enfim você caiu na real. Se fizer um bom trabalho nesse projeto, quando voltar, será promovida em dois níveis.

— Além disso, você só vai passar um ano no exterior. Acredite em mim, se for amor de verdade, um ano não significa nada. Sorri, mas não o contrariei.

Na verdade, desde o momento em que decidi assumir aquele trabalho, meu namoro já havia acabado.

Tomei meu banho quente sem pressa.

Quando saí, a publicação já havia sido apagada.

Fiquei um pouco surpresa. Pelo visto, Camila também não estava tão tranquila assim.

De repente, meu celular tocou. Era Rafael.

Tive um mau pressentimento, mas atendi mesmo assim.

— Está tentando irritar quem com esse teatrinho?

— Você não atende minhas ligações, não responde minhas mensagens e ainda vai surtar nos comentários do Instagram da Camila.

Ele falava depressa, demonstrando uma preocupação com ela que jamais havia demonstrado comigo.

De repente, senti um cansaço profundo.

Eu havia trabalhado além do expediente durante um mês inteiro só para conseguir ir vê-lo. E era isso que recebia em troca.

— Rafael, afinal, quem é a sua namorada?

Ele se calou de repente. Depois de um longo silêncio, respondeu em um tom decepcionado:

— Você precisa mesmo transformar isso num problema tão grande?

— Rafa, talvez seja melhor eu falar com ela...

A voz apreensiva de Camila veio do outro lado da linha.

Olhei para o relógio. Eram onze da noite.

Isso significava que os dois estavam juntos desde as oito da manhã.

— Não precisa. Quanto mais a gente cede, mais mimada ela fica.

— Mas ela é minha melhor amiga...

Os dois começaram a cochichar em voz baixa. Não consegui ouvir o que discutiam, mas, no fim, desligaram na minha cara.

Havia uma intimidade natural e habitual na forma como interagiam.

Só então percebi que talvez eles já tivessem ultrapassado os limites havia muito mais tempo do que eu imaginava.

Dormi um pouco, mas, quando acordei, meus pés congelados estavam ainda mais inchados.

Encontrei algo para usar como bengala, chamei um Uber e fui ao hospital.

O médico limpou e removeu o tecido lesionado. Aguentei a dor com os dentes cerrados e, depois de receber alguns medicamentos, voltei para casa.

Assim que abri a porta, fui envolvida por um abraço.

Reconheci imediatamente aquele perfume fresco e familiar.

Ao perceber que eu apenas o encarava, Rafael sorriu com paciência:

— Como você não fala comigo, tive que vir procurar você.

Meus olhos começaram a arder. Abri a boca para dizer alguma coisa, mas Rafael pegou os remédios da minha mão.

— O que aconteceu com você?

— Meus pés ficaram congelados.

Ele apenas soltou um "ah" e largou os remédios sobre a mesa.

Não perguntou como aquilo tinha acontecido.

Muito menos se era grave.

O celular de Rafael tocou. Era aquela mesma música irritante que me dava dor de cabeça.

Não sei o que Camila disse.

Rafael caiu na gargalhada e brincou:

— Se você me chama ver Mariana, como eu poderia não ir?

Meu coração despencou. A pequena emoção que começava a surgir desapareceu por completo.

Fui mancando até a mesa, tirei um comprimido da cartela e o coloquei na boca.

Rafael desligou e se aproximou para me abraçar por trás. Disse com carinho:

— Não fique brava. Naquele dia, meu celular estava no silencioso. Depois que você foi embora, passei a noite inteira mal.

Forcei um sorriso. Pelo sorriso que ele exibia na manhã seguinte, não parecia alguém que tivesse passado a noite sofrendo.

— Além disso, ela já veio aqui várias vezes. Eu só queria terminar tudo rápido para depois poder ficar só com você.

Parei no meio de um gole de água.

— Ela sempre chama você para passear?

Ele sorriu.

— Ficou com ciúme? Não se preocupe. A Camila é uma maria-macho. Eu jamais me interessaria por ela.

— Nós só viajamos juntos de vez em quando, porque você vive ocupada demais.

Como se não quisesse continuar falando sobre aquilo, Rafael disse que ia tomar banho.

Antes de sair, fez questão de levar o celular com ele.

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