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Capítulo 11

Autor: Pêra
Enquanto segurava as flores, imaginando o sorriso que iluminaria o rosto de Susana ao ver as tulipas e antecipando o pequeno prazer de lhe fazer uma surpresa, o celular vibrou no bolso. A tela acendeu e o nome "Bianca" saltou aos olhos, parecendo agressivo sob a luz fraca do entardecer. Os dedos de Nathan pararam por um instante quase imperceptível; a frequência com que aquele nome aparecia ultimamente, junto com a sensação de um vínculo invisível que ele trazia, fez uma onda de cansaço percorre
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Último capítulo

  • Quando a Névoa Cede, Nasce o Amanhecer   Capítulo 24

    Dois anos depois, numa tarde suave de primavera.Susana permanecia na varanda de sua nova casa, aquecendo as mãos na xícara de chá de flores que segurava. Embora o apartamento não fosse muito grande, a iluminação era perfeita; naquele instante, o pôr do sol atravessava as portas de vidro, banhando a sala com um tom dourado e acolhedor, quase cor de laranja. No jardim do térreo, as cerejeiras recém-plantadas exibiam suas flores ainda esparsas e, sempre que o vento soprava, um perfume delicado subia até ali.Eduardo se aproximou em silêncio e a abraçou por trás, apoiando o queixo no topo da cabeça dela com ternura.— O que você está olhando com tanta atenção? — Perguntou ele, num tom baixo.— Nada de mais. — Susana se recostou levemente no peito dele, absorvendo aquele calor humano que tanto a tranquilizava. — Só estava pensando que, finalmente, a primavera chegou de verdade.A voz de Susana soava calma, carregando uma suavidade que antes parecia impossível. Contudo, Eduardo sabia que e

  • Quando a Névoa Cede, Nasce o Amanhecer   Capítulo 23

    A maca deslizava pelos corredores do hospital em velocidade vertiginosa rumo à sala de emergência.A bala havia perfurado o tórax esquerdo de Nathan, rasgando tecidos vitais e artérias principais com uma precisão cruel. Apesar dos esforços coordenados da equipe médica, que gritava ordens e injetava drogas vasoativas, os números no monitor cardíaco despencavam em queda livre.Pouco antes de ser engolido pelas portas duplas do centro cirúrgico, no limiar onde a consciência começa a se desfazer na escuridão eterna, a visão de Nathan, turva e fragmentada, conseguiu um último feito milagroso, que foi focar-se.Ele viu Susana. Ela estava logo ali, amparada pelo abraço protetor de Eduardo. O rosto dela não tinha cor, as lágrimas lavavam a fuligem e o sangue em suas bochechas, e seu corpo tremia sem parar. No entanto, os olhos dela estavam cravados nele. Aqueles olhos, que ele conhecia tão bem e que agora transbordavam uma dor dilacerante, tornaram-se o último ponto de luz em seu mundo que se

  • Quando a Névoa Cede, Nasce o Amanhecer   Capítulo 22

    O interior do Galpão 3, na antiga zona de mineração, era um cenário de desolação e penumbra. No centro daquele espaço vasto e opressivo, Susana estava amarrada a uma cadeira de metal fria, enquanto Bianca, com uma pistola antiga e desgastada tremendo em punho, aguardava com uma ansiedade febril a chegada de Nathan e Eduardo. Num canto afastado, dois capangas trocavam olhares nervosos, esfregando as mãos suadas nas calças jeans encardidas.Eles mantinham as cabeças baixas, hipnotizados pela luz dos celulares, na esperança vã de contatar alguém lá fora antes que a situação explodisse. Contudo, quando Nathan e Eduardo surgiram quase simultaneamente na entrada inferior do armazém, qualquer tentativa de fuga ou comunicação congelou.— Droga, a casa caiu... — Murmurou um dos bandidos, a voz trêmula denunciando o medo. — A gente só queria uma grana fácil, não assinar um B.O. desse tamanho.O outro homem, movido pelo instinto de sobrevivência, levou a mão à cintura para pegar o telefone e ped

  • Quando a Névoa Cede, Nasce o Amanhecer   Capítulo 21

    — Por que o Nathan, que eu nem fazia questão, agora rasteja atrás de você? — Continuou Bianca, a voz cortando o ar como vidro quebrado. — Por sua culpa, ele cancelou a parceria da família Ribeiro com a minha. Você roubou tudo o que eu tinha! Se não fosse por você, o Nathan nunca teria mudado. Eu ainda seria a herdeira dos Santos, a invejada Bianca! É tudo culpa sua! Você é uma praga na minha vida!— Você enlouqueceu! — Retrucou Susana, sentindo o terror gelar seus pés diante daquela expressão distorcida. — As escolhas do Nathan são dele. O que eu tenho a ver com os negócios da sua família? Foi você quem...— Cala a boca! — Berrou Bianca, num acesso de fúria, agarrando um objeto pesado que estava sobre uma mesa lateral.O coração de Susana falhou uma batida. Era uma pistola antiga, o metal escuro e oleoso reluzindo sob a luz fraca. Embora Bianca não apontasse a arma diretamente para sua cabeça, a simples presença daquele objeto letal foi suficiente para congelar o sangue nas veias de Su

  • Quando a Névoa Cede, Nasce o Amanhecer   Capítulo 20

    Era o fim de uma tarde que prometia ser comum, não fosse pela urgência de um pedido de casamento que chegou à floricultura em cima da hora, exigindo arranjos com flores específicas que estavam em falta no estoque. Como Eduardo estava preso na livraria, ocupado com o balanço mensal que não poderia ser adiado, Susana verificou o trajeto no aplicativo de mapas e decidiu ir sozinha de bicicleta elétrica até o mercado atacadista de flores, localizado na periferia da cidade.O depósito era mais distante do que ela imaginava e, quando iniciou o trajeto de volta, o céu já havia sido engolido por um crepúsculo cinzento e pesado. Com o cesto da bicicleta carregado de caixas de flores, Susana pedalava por um trecho isolado da estrada quando notou, pelo retrovisor, um furgão cinza e desgastado se aproximando em alta velocidade. O veículo colou na traseira de sua bicicleta de forma agressiva, fazendo o coração dela disparar. Num reflexo de autoproteção, ela tentou desviar para a direita, buscando

  • Quando a Névoa Cede, Nasce o Amanhecer   Capítulo 19

    O crepúsculo caía sobre a cidade e as luzes das ruas começavam a acender, pintando o cenário urbano com tons alaranjados. Susana e Eduardo saíram da livraria, cada um carregando sacolas com novas aquisições, e caminhavam em direção a um restaurante de comida caseira, famoso e escondido no final de uma rua tranquila.Porém, antes que pudessem dobrar a esquina para a travessa do restaurante, um vulto emergiu da sombra de uma grande árvore, bloqueando o caminho.Era Nathan.Ele havia recebido alta recentemente. Sob a luz amarelada do poste, sua palidez era evidente e o corpo parecia mais magro dentro das roupas largas. Seus olhos se cravaram no rosto de Susana com uma intensidade perturbadora, varreram Eduardo brevemente e pararam na proximidade natural e íntima entre o casal. Ele exalava uma tensão rígida que destoava daquela noite agradável.— Susana. — Chamou ele, com a voz áspera. — Precisamos conversar.Susana interrompeu o passo. O sorriso leve que trazia nos lábios desapareceu, dan

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