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Capítulo 2

Author: Laranjinha
Eu voltei para casa ainda atordoada com tudo o que havia acontecido e comecei a arrumar minhas malas.

No quarto, sobre a cama, havia uma pasta com os planos do nosso casamento.

Sempre que eu tinha uma crise, Douglas pegava aquele planejamento para me consolar.

Na verdade, eu também já havia perguntado a ele por que nós precisávamos esperar a minha melhora para nos casarmos.

Ele apenas dizia que aquela era uma exigência da família dele e pedia que eu o compreendesse.

Eu sabia que a família Brito nunca tinha me aceitado.

Para ficar comigo, Douglas chegou a ser expulso da família e abriu o próprio negócio sozinho.

O herdeiro de uma família poderosa passou a dividir comigo refeições baratas em uma casa alugada.

Agora que ele finalmente havia conquistado algo e conseguido amenizar a relação com a família, eu não queria que ele voltasse a se desentender com eles por minha causa.

Então, só me restava guardar aquela mágoa para mim.

Agora, olhando para trás, percebia que ele nunca tivera a intenção de se casar comigo.

Na verdade, eu já havia visto a noiva dele antes.

Ela era aluna da minha mãe e trabalhava na empresa de Douglas.

Certa vez, fui à empresa vê-lo e encontrei Douglas, que nunca tinha muita paciência com subordinados, dedicando toda a atenção a Josiane enquanto a orientava pessoalmente na elaboração de uma proposta.

A intuição feminina me fez perceber, de imediato, que a relação entre ela e Douglas não era tão simples.

Por causa disso, Douglas e eu chegamos a brigar.

Foi minha mãe quem apareceu para apaziguar a situação:

— Mesmo que você não acredite no Douglas, você também não acredita em mim? Josiane tem namorado. Por que você está fazendo esse escândalo aqui? Você está passando vergonha na frente dos outros!

Hebe também me mandou uma mensagem dizendo que já tinha ido a uma festa organizada por Josiane e que Josiane era muito apaixonada pelo namorado.

Sob a pressão da minha mãe, eu até pedi desculpas a Josiane.

Naquela época, Josiane virou o rosto, sem coragem de olhar nos meus olhos.

Só agora eu entendia.

Ela estava tentando conter o riso na minha frente.

As pessoas em quem eu mais confiava tinham se unido para fazer de mim uma palhaça.

Já era tarde da noite quando ouvi um som vindo da porta do meu quarto.

Do nada, braços quentes me envolveram por trás, e um arrepio percorreu meu corpo.

— Amor... Glória, você vai embora? Você tem coragem de me deixar?

Mesmo estando no limite da doença, a dor da traição me atravessou de uma vez. Eu o empurrei com força:

— Chega! Você ainda vem aqui fingir? O que você quer agora? Que eu vire sua amante?

Douglas ficou atordoado. Em seguida, suspirou, exausto, e se jogou no sofá, abatido:

— Glória, eu cuidei de você por tantos anos. Você não consegue me entender nem um pouco? Às vezes, ficar com você me deixa realmente cansado. A família Brito precisa de uma Dona Brito apresentável, e não de...

Ele se calou antes de terminar.

Apertei as mãos com força.

Eu sabia o que ele queria dizer.

"E não de uma mulher que perde o controle e tem crises constantes."

— Douglas, se você sente vergonha de mim, poderia ter terminado comigo antes. Você não precisava fazer isso...

— Glória. — Ele me interrompeu com doçura e se aproximou com cuidado. — Como eu poderia sentir vergonha de você? Você é a mulher com quem eu realmente quero passar o resto da vida. Fique tranquila. Josiane sabe de nós. Ela só vai ocupar, diante dos outros, o lugar de uma Dona Brito aceitável. Meu casamento com ela é só um acordo, uma fachada para os outros. Quando ela tiver um filho, eu vou me divorciar dela por acordo.

— Filho?

— Sim. Eu realmente não consigo curar a sua doença. E se essa doença passar para a criança...

Eu encarei Douglas, incrédula, como se estivesse vendo aquele homem pela primeira vez.

Afinal, para ele, eu não era uma mulher digna de ser sua esposa, muito menos de ser a mãe de seu filho.

Depois de tudo aquilo, Douglas já tinha me deixado fora da vida dele havia muito tempo.

De repente, senti uma náusea violenta, como se minhas entranhas estivessem sendo reviradas.

Eu virei o rosto, puxei a lixeira para perto e comecei a vomitar.

— Você sente nojo de mim? — Ele me encarou com uma expressão magoada e ergueu de repente o braço que eu mesma havia mordido, deixando várias marcas. — Mas, Glória, três anos de tortura ainda não foram suficientes? Quantas noites eu tive que aguentar você me mordendo assim? Será que eu não tenho nem o direito de querer uma esposa normal e um filho normal?

Ele respirava com dificuldade, despejando de uma vez toda a mágoa que havia acumulado durante aqueles três anos.

Era claro que eu sabia.

Em incontáveis noites, eu vira o olhar dele mudar.

No começo, havia dor e pena.

Depois, impotência.

Mais tarde, cansaço.

E, às vezes, um lampejo de repulsa que ele não conseguia esconder.

As palavras de Hebe e da minha mãe ecoavam na minha cabeça como veneno, apertando meus pensamentos até eu sentir que estava prestes a enlouquecer.

Meu estômago doía muito.

Mas aquela dor não chegava nem perto da dor que eu sentia no peito.

Eu não ousei levantar a cabeça. Eu tinha medo de que Douglas visse a sujeira dentro da lixeira e, como Hebe, dissesse que eu estava fazendo aquilo de propósito para despertar pena nele.

Não sei quanto tempo se passou.

Douglas fechou os olhos por alguns segundos. Depois, pegou o paletó e foi embora, deixando apenas algumas palavras para trás:

— Eu sei que você precisa de tempo para aceitar. Eu vou esperar. Glória, nós passamos tantos anos juntos. Nós não conseguimos nos separar.

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