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Capítulo 3

作者: Laranjinha
No instante em que a porta se fechou, Douglas levou consigo o último resquício de amor que eu ainda sentia por ele.

Mas eu nem tive tempo de me entregar à dor.

Pouco depois, Douglas apareceu na minha casa com Josiane para me confrontar:

— Glória! Eu já disse que meu casamento com Josiane é só de fachada. Você não se contentou em aparecer no meu casamento? Agora você também quer destruir a Josiane?

Eu não entendia por que ele dizia aquilo.

Hebe jogou o celular na minha frente, furiosa:

— Olha bem a porcaria que você fez! Quem aqui é a amante de Douglas? É você, que nem é casada com ele e ainda fica atrás do Douglas!

Só então eu descobri:

No dia anterior, alguém havia publicado na internet um vídeo meu no casamento de Douglas.

Além disso, expuseram todo o meu passado com ele.

Em pouco tempo, a suspeita de que Josiane era amante de Douglas virou o assunto mais comentado nas redes sociais.

— Eu não... — Tentei me defender por instinto, mas Josiane, chorando, me interrompeu. — Douglas, Hebe, não acusem a senhorita Farias. Ela tem alguns problemas psicológicos... Tenho medo de que ela acabe fazendo alguma coisa impensada...

Aquelas palavras pareciam ter a intenção de me ajudar, mas escondiam uma malícia sutil, fazendo Douglas olhar para ela com os olhos cheios de preocupação e dor.

Hebe ficou ainda mais furiosa e me deu um tapa forte no rosto:

— Olha para a Josiane. Agora olha para você. Se eu fosse o Douglas, eu também escolheria a Josiane.

Ela agarrou meu pescoço e me obrigou a olhar para cada uma das fotos que Josiane havia publicado no Instagram:

— Você acha que tem esse direito só porque conhece Douglas há tantos anos, não é? Então olha bem. Quem combina de verdade com Douglas é Josiane!

Foi então que eu descobri que Douglas e Josiane já estavam juntos havia dois anos.

No dia em que minha depressão atingiu seu pior momento, eu liguei várias vezes para Douglas e Hebe, mas nenhum dos dois atendeu.

Agora eu sabia o motivo.

Eles estavam juntos, comemorando o aniversário de Josiane.

E Hebe, minha melhor amiga, havia sido uma das principais responsáveis por aproximar os dois e transformar aquela relação em um namoro de verdade.

Eles esquiaram juntos na Serra Branca.

Tomaram sol na Ilha do Sol e ainda cavalgaram nos Campos de Vale Dourado.

Eram justamente os lugares para onde Douglas havia prometido me levar quando eu melhorasse.

Mas agora não havia mais chance alguma.

— Por sua causa, eles nem conseguiam namorar em paz. Tinham que inventar viagens de negócios para cada encontro, e eu ainda precisava ir junto para servir de álibi. Glória, você não tem vergonha?

Douglas pareceu constrangido e desviou o olhar.

Josiane, por sua vez, lançou-me um olhar cheio de triunfo.

Eu encarei Hebe e não conseguia acreditar no absurdo daquela situação.

Depois que Hebe se formou, o próprio pai quase a vendeu para homens pobres de uma região isolada, condenando-a a uma vida de exploração sexual.

Fui eu quem chamou a polícia e a salvou. Fui eu quem arranjou para ela um emprego na empresa de Douglas.

Ela dizia que me trataria bem pelo resto da vida.

Mas era assim que ela retribuía minha amizade: aliando-se ao meu namorado para me enganar.

Até minha mãe, que chegou às pressas, chorava sem parar enquanto pedia desculpas a Douglas e Josiane, uma vez após a outra:

— Desculpem. Eu realmente não sabia que tinha criado uma filha assim. Ela teve coragem de...

Douglas, que antes sempre me defendia diante de todos, permaneceu calado.

Ele me olhou com profunda decepção:

— Nós já publicamos postagens para esclarecer esse mal-entendido, mas ainda precisamos que você participe da coletiva de imprensa. A família Brito jamais vai permitir um escândalo desses.

Baixei os olhos para o celular.

Inúmeras "postagens de esclarecimento" já enchiam a tela.

[Eu sou Hebe, melhor amiga de Glória. Ela se aproveitou da gratidão que a família Brito sentia por ela e ficou perseguindo Douglas sem parar. Ninguém conseguiu fazê-la ouvir. Peço desculpas por ela.]

[Eu sou a mãe de Glória. Alguns anos atrás, ela passou por uma situação traumática e, desde então, ficou mentalmente instável. Peço desculpas por ela.]

...

Cada frase era como uma faca cravada no meu coração.

Eu me curvei. Uma dor lancinante percorreu meu corpo, e o suor frio começou a escorrer pela minha pele:

— Chamem... chamem um médico...

Douglas se apressou em tentar me amparar, mas Hebe o impediu:

— Você ainda está fingindo?

— Eu... eu não estou fingindo... dói...

— Chega! — Minha mãe, lívida de raiva, expulsou todos do quarto. — Nós mimamos demais essa garota nos últimos anos, e foi por isso que ela ficou sem limites para fazer esse tipo de cena. Agora ela nem consegue mais fingir direito os sintomas da depressão. Vamos embora! Eu quero ver até quando ela consegue continuar com esse teatro!

"Mas, mãe... não é depressão. É câncer em estágio terminal." Pensei, sem forças para dizer aquilo em voz alta.

A dor era tão intensa que minha visão começou a escurecer.

Diante dos meus olhos, restaram apenas algumas silhuetas indistintas se afastando.

No fim, só sobrou a escuridão.

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