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Capítulo 4

Author: Laranjinha
— Senhorita Farias, quantas vezes eu já lhe disse para parar de se maltratar desse jeito? Você pode não ter nem mais um mês de vida. E agora, ainda por cima, está grávida. No estado em que se encontra, talvez seu corpo não aguente...

O cheiro forte de desinfetante me trouxe de volta à consciência.

Eu fiquei paralisada por um instante, e as lágrimas escorreram em silêncio pelo meu rosto.

"Como aquela pequena vida tinha ido parar dentro de mim?"

O médico suspirou:

— Você realmente não quer que eu avise o senhor Brito e a sua família? Pelo menos eles precisam assinar a autorização para a cirurgia.

— E isso mudaria alguma coisa? Se eles realmente se importassem comigo, eu estaria sozinha aqui? — Respondi.

O médico não disse mais nada. Apenas me orientou a ficar em repouso e a me preparar para a cirurgia.

No celular, havia mensagens enviadas por Douglas.

[Josiane ficou com pena de você e teve medo de que você tivesse uma crise diante dos jornalistas, então ela disse que você não precisa comparecer à coletiva de imprensa. Eu vou ficar com ela por um tempo como forma de compensação.]

[Você pode parar de me dar trabalho, por favor?]

As mensagens da minha mãe e de Hebe se acumulavam, todas tentando me convencer a mudar de ideia.

Eu não tinha a menor vontade de responder.

Eu não queria mais ficar naquela cidade. Estava prestes a partir quando dei de cara com alguém.

Era Josiane.

— Senhorita Farias, você veio ao hospital fazer drama para despertar a pena dele de novo? — Ela pousou lentamente a mão sobre o próprio ventre e sorriu com crueldade. — Pena que agora estou grávida do filho de Douglas. Ele vai estar ocupado cuidando do nosso filho, sem tempo para ficar correndo atrás de você. Então esse seu truque não funciona mais.

Eu mordi o lábio com tanta força que senti o sangue escorrer.

Como as coisas tinham chegado àquele ponto tão depressa.

— Parabéns. Eu não vou mais ficar atrás de Douglas.

Josiane apenas fixou os olhos no meu rosto pálido e soltou uma risada fria:

— Mas, Glória, eu não consigo ficar tranquila. Você é importante demais para Douglas. Então não me culpe.

No segundo seguinte, Josiane segurou meu braço e me puxou para trás, fazendo nós duas cairmos.

Eu nem tive tempo de reagir.

A porta se abriu de repente. Douglas entrou feito um louco, seguido por inúmeros jornalistas.

— Josiane!

Ele não me deu nem um olhar. Correu direto para Josiane.

Ele a amparou com firmeza nos braços, enquanto ela fazia uma expressão de quem havia sido injustiçada:

— Eu só estava preocupada com a senhorita Farias sozinha no hospital. Vai que ela tivesse uma crise... Mas acabei deixando escapar que eu estava grávida, e ela...

Douglas me encarou, tomado pela fúria, e explodiu:

— Até quando você vai continuar fazendo escândalo? Doença, doença, doença! Quantas pessoas a sua depressão ainda vai destruir? Glória, você foi violentada porque tentou me salvar, mas por quanto tempo pretende usar isso para me controlar? Quando tudo aconteceu, você nunca parou para pensar que talvez o problema estivesse em você?

Minha cabeça começou a latejar, e um zumbido tomou conta dos meus ouvidos.

Depois do que aconteceu anos atrás, Douglas abafou tudo imediatamente. Nem mesmo no dia do casamento, quando Hebe expôs aquilo diante de todos, a notícia vazou.

Mas, naquele dia, por causa de Josiane, Douglas expôs minha ferida mais profunda diante de todos.

Em meio aos flashes e à gritaria dos jornalistas, as lágrimas escorreram pelo meu rosto, deixando minha pele fria.

— Não é à toa que o senhor Brito não a escolheu. Ela foi estuprada e ainda não tem vergonha de virar amante de homem casado. Como ela tem coragem de fazer uma coisa dessas?

— Meu Deus, eu começo até a desconfiar que essa história de salvar o senhor Brito foi um plano armado e executado por ela mesma!

...

Quando souberam que eu supostamente havia empurrado Josiane, minha mãe e Hebe disseram estar decepcionadas comigo. Diante dos jornalistas, as duas anunciaram que estavam cortando relações comigo.

— Você nem uma criança poupa. Você ainda é gente?

Ao me ver parada ali, em choque, Douglas franziu a testa. Depois, pegou Josiane no colo e soltou uma risada debochada:

— Isso não é justamente sintoma da depressão dela? Durante tantos anos, eu procurei tantos médicos, e nada resolveu. Desta vez, eu não vou entrar nesse jogo. Glória, às vezes eu me arrependo de ter conhecido você.

Ele bloqueou todos os meus cartões e proibiu qualquer pessoa de me ajudar.

Não sei quanto tempo se passou.

Todos foram embora.

Só quando a náusea voltou com força e meu estômago começou a se contorcer é que consegui recobrar os sentidos aos poucos.

Abri um sorriso miserável.

No fim, Douglas nem sequer estava disposto a me dar a chance de passar meus últimos dias em paz.

Apertei no bolso a passagem de trem, já toda amassada, e parti de volta para minha cidade natal.

Entre os vômitos incessantes, os pesadelos e os suores frios, eu me encolhia na cama da antiga casa da minha família, tremendo sem parar.

Na televisão, as notícias de fofoca repetiam sem descanso que eu era amante e que tinha sido estuprada.

No quarto, os lenços manchados com o sangue que eu tossia se acumulavam em uma pequena pilha.

Meus braços estavam cobertos de arranhões deixados pelo tormento da dor.

Eu simplesmente não aguentava mais.

Atordoada, peguei uma faca pequena.

Depois disso, minha consciência desapareceu.

A última imagem que vi foi Douglas correndo na minha direção, com os olhos vermelhos de desespero.

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