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Quando o Amor Morreu
Quando o Amor Morreu
작가: Laranjinha

Capítulo 1

작가: Laranjinha
— É... é verdade?

Minha mãe me encarou, cheia de desconfiança.

Durante todos aqueles anos, eu quase não conseguira ficar longe de Douglas por um instante sequer.

Naquele dia, ele estava se casando. Antes disso, Douglas havia passado sete dias inteiros ao meu lado. Só assim ele conseguiu se liberar para o dia do casamento.

Eu dei um sorriso amargo:

— Ele nem gosta mais de mim. Por que eu continuaria correndo atrás dele?

A expressão da minha mãe relaxou. Em seguida, ela me abraçou e chorou descontroladamente, como se tivesse perdido o controle das próprias emoções.

Depois de algum tempo, ela enfim abriu a boca, hesitante e constrangida:

— Então... você consegue ficar aqui sozinha? O Douglas ainda quer que eu seja a testemunha do casamento dele...

Só então eu descobri a verdade: minha própria mãe havia sido responsável por apresentar Josiane a Douglas.

Eu assenti, entorpecida.

Eu conseguia entender minha mãe. Todos os parentes da família Farias trabalhavam no Grupo Brito.

Aos olhos dela, talvez Douglas valesse mais do que a própria filha.

Minha mãe foi embora com um evidente ar de alívio, como se finalmente tivesse se livrado de um fardo.

Mas aqueles sentimentos que eu carregava havia tantos anos acabaram me levando, quase sem que eu percebesse, até o local do casamento. Fui atrás dela, incapaz de me conter.

Rosas brancas. Balões azuis.

Era exatamente assim que Douglas e eu havíamos sonhado com o nosso casamento.

— Glória Farias?

Minha melhor amiga foi a primeira a me ver.

Agarrei a barra da roupa, sem saber onde me esconder diante de tantos olhares.

Douglas, que estava prestes a beijar a noiva, virou o rosto instintivamente ao me ver.

Ele ficou rígido e mal conseguiu dizer:

— Amor... Glória? O que você está fazendo aqui?

Todos me olhavam com desprezo e desdém.

Douglas veio apressado na minha direção, tentando se explicar sem conseguir organizar as palavras:

— Glória, escuta o que eu tenho para dizer. Isso foi só um imprevisto... eu...

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, minha mãe soltou um grito e avançou sobre mim, beliscando com força a parte interna do meu braço:

— Você disse que não vinha! Por que apareceu aqui?

A dor me fez puxar o ar entre os dentes.

— Mãe... tia, não maltrate a Glória.

Douglas me defendeu por instinto.

Mas Hebe Dutra, minha melhor amiga, franziu a testa, tomada pela irritação:

— Você ainda não se cansou de viver em função dela? Já faz três anos. Com essa depressão dela todos os dias, você consegue dormir uma noite inteira em paz?

Ela fez uma pausa curta e resmungou, com nojo:

— Uma mulher que foi estuprada ainda tem coragem de aparecer num casamento e estragar tudo...

Meus dedos ficaram brancos de tanto que apertei as mãos.

Três anos antes, para salvar Douglas, que havia sido sequestrado por concorrentes, eu me arriscara sozinha.

Acabei sendo estuprada.

Desde então, todos os dias eu vivia presa dentro do mesmo pesadelo.

Sempre que eu tinha uma crise, mordia a mão de Douglas com tanta força que chegava a fazê-la sangrar.

Quando eu recuperava a consciência e sentia o coração se despedaçar de culpa, ele apenas balançava a cabeça e dizia que aquela era a dívida que tinha comigo.

— Cala a boca! — Douglas repreendeu Hebe.

Mas uma voz suave surgiu e lhe tirou qualquer chance de continuar me defendendo.

— Você é a senhorita Farias, não é? Seja bem-vinda ao meu casamento com Douglas.

Josiane me entregou uma taça de champanhe com uma elegância impecável. O vestido de noiva realçava sua cintura delicada e a fazia parecer ainda mais deslumbrante.

Eu olhei para mim mesma, magra até os ossos, consumida pelo câncer, e dei alguns passos para trás sem perceber.

A mão de Josiane ficou parada no ar. Por instinto, ela olhou para Douglas.

Ele franziu a testa, puxou-me para o lado e falou baixo:

— Você volta primeiro. Depois eu explico tudo para você. Não faça todo mundo passar vergonha aqui.

— Está bem.

Ao ver que eu aceitei tão depressa, Douglas ficou atordoado por um instante.

Mas, naquele exato momento, uma dor lancinante tomou conta do meu estômago. Meu rosto empalideceu, e eu me curvei, incapaz de me manter ereta.

A expressão de Douglas mudou na hora. Ele me puxou depressa para um canto:

— Eu estou te implorando. Não faz escândalo aqui, por favor. Se você fizer, depois a família Brito nunca mais vai permitir que nós fiquemos juntos.

Hebe veio a passos largos e se colocou na frente de Douglas, pondo-se entre nós dois para protegê-lo de mim. Ela me encarou com hostilidade aberta:

— Você não me prometeu que não ia fazer cena? A sua depressão atacou de novo?

Eu não ousei responder. Eu tinha medo de que o sangue que subia pela minha garganta acabasse saindo pela boca.

Ao ver meu silêncio, Hebe ficou ainda mais irritada. Ela me empurrou para fora do salão de festas com força:

— Você me prometeu. Não use a sua depressão para arrancar pena dos outros! Glória, eu me arrependo de verdade de ter sido sua amiga.

O gosto de sangue que inundava minha boca me obrigou a engolir as lágrimas. Virei-me às pressas e fui embora.

Já que todos estavam decepcionados comigo, não havia mais motivo para eu me despedir de ninguém.

Comprei uma passagem de trem de volta para minha cidade natal.

Nos meus últimos dias, eu não queria mais ser um fardo para ninguém.

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