로그인No dia em que me enterraram, minha mãe apareceu.Ela estava toda de preto. O cabelo tinha ficado completamente branco, e ela estava magra demais. As roupas pareciam folgadas naquele corpo consumido pela tristeza.Ela parou diante do túmulo e colocou um buquê de rosas brancas sobre a lápide de Douglas.Quando o perfume das flores se espalhou pelo ar, ela falou:— Douglas, Glória gostava de rosas brancas. Por favor, entregue este buquê a ela.Hebe estava ao lado.Durante aquele período, ela havia acompanhado de perto o andamento do processo contra Josiane em nome de Douglas.Josiane não apareceu. Ela estava presa preventivamente, e o processo ainda seguia seus trâmites.Depois, ouvi dizer que o pai dela havia pedido aos advogados que procurassem a família Brito para tentar conseguir uma declaração de perdão.Mas Douglas já estava morto, e a família Brito descontava toda a raiva em Josiane.Josiane não conseguiria escapar de cinco anos de prisão.Hebe contou essa notícia diante do meu túm
Douglas se trancou em casa, no quarto que um dia tinha sido nosso, e se recusou a sair.Ele exigiu o divórcio de Josiane e entregou a administração da empresa a profissionais especializados.Todos os dias, ele só fazia duas coisas.A primeira era escrever.Desde o dia em que recebi o diagnóstico até aquele em que descobriu a verdade, Douglas passou a registrar tudo em um caderno: as datas, o que havia feito, o que havia me dito e como eu estava fisicamente em cada ocasião.Na terceira página, ele parou de escrever.No dia em que recebi o diagnóstico, ele estava levando Josiane para passar férias na Ilha do Sol.A data da reserva das passagens coincidia exatamente com a do meu laudo de biópsia.Ele escreveu as duas coisas lado a lado, traçou uma linha entre elas e desenhou um enorme X por cima.Depois fechou o caderno. Naquela noite, ele não dormiu.Ficou sentado no sofá, com a televisão ligada e o volume no mínimo.No telejornal, repórteres cercavam a entrada da delegacia e filmavam o
Depois daquele dia, minha mãe permaneceu na nossa cidade natal. Ela voltou para aquele quartinho.Era o mesmo quarto onde eu havia passado meus últimos dias encolhida na cama, tossindo sangue.Ela passou um dia inteiro limpando tudo.Jogou fora os lenços manchados de sangue.Cobriu com massa corrida as marcas que eu havia deixado nas paredes.Dobrou minhas roupas antigas e as guardou no armário.Quando terminou, ela se sentou à beira da cama e ficou olhando por muito tempo para a mancha escura sob o travesseiro, que não saía por mais que tentasse limpá-la.Era sangue do meu nariz. Durante a quimioterapia, certa noite, ele havia escorrido enquanto eu dormia, manchando o travesseiro.Eu nunca contei aquilo a ninguém.Depois, ela começou a remexer nas coisas que eu havia deixado para trás.Debaixo da cama, havia uma caixa de papelão.Dentro dela estavam todas as cópias dos meus exames, recibos de pagamento e orientações médicas escritas à mão.Minha mãe olhou uma por uma.Na terceira fol
Douglas ficou paralisado, com as mãos ainda pousadas sobre o ventre levemente arredondado de Josiane.As palavras dela continuavam ecoando em seus ouvidos, mas ele já não conseguia entendê-las.A frase do assistente "relacionadas à Dona Brito" martelava em sua cabeça, sem lhe dar trégua.— O que foi?A voz dele saiu rouca.O assistente olhou para Josiane, depois abaixou a cabeça e lhe entregou um tablet:— Um trecho das imagens das câmeras do corredor no dia do casamento foi apagado, mas a câmera da entrada da farmácia ao lado registrou o que aconteceu de outro ângulo. Naquele dia, a senhorita Farias não empurrou a Dona Brito. Foi a Dona Brito quem segurou a mão da senhorita Farias e se jogou para trás.Douglas pegou o tablet.Na gravação, eu aparecia usando uma camisola hospitalar larga, com o rosto extremamente pálido e as pernas mal conseguindo sustentar meu corpo.Josiane se aproximou com a barriga à mostra, e meu corpo recuou por instinto.No segundo seguinte, Josiane segurou meu
Nos últimos dias, Douglas vinha sentindo um aperto inexplicável no peito. Sem saber por quê, tinha a estranha sensação de que estava prestes a perder algo muito importante.Quando minha mãe apresentou Josiane a ele, anos atrás, Douglas não quis aceitar. Ele chegou a ficar incomodado:— Tia, por que a senhora quer que eu traia a sua própria filha?Mas minha mãe apenas suspirou:— Eu não sei quando a doença dela vai passar. Douglas, eu nunca me esqueci de tudo o que você fez pela família Farias nesses anos. Eu sempre tratei você como meu filho. Eu só espero que você tenha uma esposa normal.Douglas ficou em silêncio.Naquele instante, as marcas das mordidas que eu havia deixado nele, a ponto de fazê-lo sangrar, pareceram arder outra vez, trazendo de volta uma dor insuportável.Como se estivesse sob algum tipo de feitiço, ele acabou aceitando encontrá-la.Assim como minha mãe dissera, Josiane era uma mulher alegre. Ao lado dela, ele nunca precisava se preocupar com a possibilidade de leva
— Senhorita Farias, quantas vezes eu já lhe disse para parar de se maltratar desse jeito? Você pode não ter nem mais um mês de vida. E agora, ainda por cima, está grávida. No estado em que se encontra, talvez seu corpo não aguente...O cheiro forte de desinfetante me trouxe de volta à consciência.Eu fiquei paralisada por um instante, e as lágrimas escorreram em silêncio pelo meu rosto."Como aquela pequena vida tinha ido parar dentro de mim?"O médico suspirou:— Você realmente não quer que eu avise o senhor Brito e a sua família? Pelo menos eles precisam assinar a autorização para a cirurgia.— E isso mudaria alguma coisa? Se eles realmente se importassem comigo, eu estaria sozinha aqui? — Respondi.O médico não disse mais nada. Apenas me orientou a ficar em repouso e a me preparar para a cirurgia.No celular, havia mensagens enviadas por Douglas.[Josiane ficou com pena de você e teve medo de que você tivesse uma crise diante dos jornalistas, então ela disse que você não precisa com







