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Capítulo 3

Auteur: Clara Monteiro
Do lado de fora, havia acabado de cair uma chuva torrencial.

Por azar, eu caí sentada em uma poça de lama. O chão escorregadio me impedia de levantar; quanto mais eu tentava, mais escorregava.

Felipe permaneceu sentado no carro, imóvel, com o rosto sem expressão.

— Larissa, está vendo? — Quando meus olhos encontraram os dele, ele riu com desprezo. — Não vou ajudar você. Você mal consegue se pôr de pé. Se realmente se divorciasse de mim, para onde iria?

Antes que eu pudesse responder, a porta do carro se fechou, e o carro acelerou, passando por mim de uma vez. A lama espirrou no meu rosto e se espalhou pela minha roupa inteira.

No meio da escuridão, lembranças de Felipe me invadiram.

Quando me divorciei de Eduardo, incapaz de aceitar a traição, mergulhei em uma depressão profunda. Eu me automutilava sem conseguir me controlar. Quando eu me cortava, Felipe aparecia e se cortava também.

Eu passava noites sem dormir, e ele mandou abrir uma claraboia no teto da mansão, para ficar me abraçando enquanto contava as estrelas comigo a noite inteira.

Quando eu não conseguia comer, ele jejuava ao meu lado.

Depois de um ano, comecei a melhorar e a confiar nele.

No dia em que se declarou, ajoelhado, prometeu que jamais me trairia nesta vida.

Eu acreditei.

Agora, apenas um ano depois, a promessa de Felipe não valia mais nada.

Quando recobrei os sentidos, limpei a lama dos olhos e me ergui apoiando as mãos no chão. Meus movimentos desajeitados fizeram os transeuntes rirem.

Envergonhada e assustada, acenei desesperadamente para um táxi. Finalmente, um motorista aceitou me levar, desde que eu pagasse antecipadamente, com uma taxa extra de duzentos reais. Aceitei imediatamente, mas, ao tentar pagar, fui informada de que meu cartão havia sido bloqueado e de que eu não podia usar nem um centavo.

Assim que fui obrigada a sair do carro, a chuva voltou com força total, gelada, batendo em mim a ponto de doer.

Depois de caminhar por não sei quanto tempo, cheguei à casa de Felipe.

Ao abrir a porta da casa, minha mente ficou em branco.

No chão, saltos altos e sapatos masculinos se misturavam; a lingerie de renda e o terno preto se confundiam em um caos.

Junto à janela, Felipe segurava Gabriela em um beijo apaixonado.

Por um instante, senti como se estivesse revivendo o que havia acontecido cinco anos antes.

Um grito rouco e descompassado escapou de mim. Minhas mãos e meus pés tremiam descontroladamente.

O som perturbou o casal.

Felipe franziu a testa, irritado:

— Para que tanto drama? Você já passou por isso antes.

Gabriela riu com sarcasmo:

— Há quanto tempo, Larissa. Eu me enganei ao telefone, Felipe é muito melhor que Eduardo.

Suas palavras agradaram a Felipe.

— Você tem bom gosto.

Ele sorriu e se levantou, caminhando em minha direção. Mas, quanto mais se aproximava, mais eu tremia.

Quando tentou estender a mão, dobrei o corpo de repente e comecei a vomitar sem parar.

Por um instante, a expressão de Felipe congelou. Então, uma voz fria sussurrou no meu ouvido:

— Larissa, você me acha nojento?

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