Se connecterFelipe não conseguiu me alcançar, mas foi por questão de segundos. Eu tinha acabado de entrar no carro quando ele saiu correndo pela porta. Ele correu atrás do meu carro por um bom tempo. Só parou quando suas forças se esgotaram e passou a ligar sem parar para o meu celular.Eu não atendi. Nosso divórcio já havia sido oficializado.Eu disse que, depois da cerimônia de casamento de hoje, iríamos buscar a nossa certidão de casamento. Duas boas notícias de uma vez só. E ele acreditou, ingenuamente.Mas o que senti ao enganá-lo não foi satisfação, foi apenas um vazio sem fim.Quando eu estava deitada na mesa de cirurgia, decidida a morrer, ouvi as palavras de incentivo da psicóloga.Durante o período em que fiz terapia, ela percebeu minha dependência emocional de Felipe e chegou a me alertar sobre isso com delicadeza. Mas eu não acreditei.Só que, quando a ouvi naquela mesa de cirurgia, meu estado de espírito já era completamente diferente.Naquele momento, o que me fez querer sobreviver n
Durante esse período, como Larissa insistia que os dois precisavam restaurar a relação aos poucos, eles continuaram dormindo em quartos separados.Então, certo dia, Larissa cortou uma manga e foi até Felipe, que trabalhava ao lado. Com um sorriso doce no rosto, disse:— Felipe, acho que me lembrei de algumas coisas.Felipe ficou paralisado, e sua expressão não deixava claro se aquilo era alegria ou apreensão.— Eu me lembrei de que você adora manga. Todos os dias, antes de sair do trabalho, você me ligava pedindo para eu cortar manga para você.Isso foi como se ele tivesse levado um balde de água fria, o sangue gelou em suas veias.Quem gostava de manga era Eduardo.As lembranças que Larissa havia recuperado eram dela com Eduardo.Ao ver que Felipe não dizia nada, Larissa franziu a testa, desconfiada:— Por que você não está comendo? Será que eu me lembrei errado? Mas eu tenho certeza de que meu marido gosta disso. Ou será que eu tenho outro marido?— Claro que não! Sou eu. Sou eu que
Naturalmente, aquela certidão despertou a insatisfação de Larissa.Por algum motivo, depois da amnésia, Larissa havia ficado com o temperamento mais explosivo. Com os olhos vermelhos, ela despejou em Felipe tudo o que podia, acusando:— Você nem consegue guardar direito a nossa certidão. Você não me ama de verdade. Eu quero me divorciar!A palavra "divórcio" deixou Felipe completamente desnorteado.Ele se ajoelhou imediatamente, explicando:— Foi culpa minha, mas podemos emitir outra. Desta vez, vou cuidar dela direitinho. Confie em mim, está bem?Depois de Felipe se ajoelhar várias vezes, implorar sem parar e transferir para Larissa uma quantia de oito dígitos sem exigir nada em troca, no dia da alta, Larissa finalmente concordou em ir com ele providenciar a nova certidão.Ao entrar no carro, porém, Larissa se sentou no banco de trás.Pensando na tendência de Larissa a passar mal em viagens, Felipe sorriu e disse:— Querida, você se esqueceu de que fica enjoada quando se senta atrás?
Larissa acordou no terceiro dia após a cirurgia bem-sucedida.Quando ela abriu os olhos, Felipe, que havia passado três dias e três noites ao lado da cama do hospital, se levantou imediatamente e começou a bombardeá-la de perguntas:— Larissa, você acordou! Está sentindo algum desconforto?Larissa ficou levemente atônita. Escondida sob a coberta, sua mão se fechou em punho.Após um instante, balançou a cabeça e perguntou, com curiosidade:— Quem é você?Felipe ficou paralisado por um segundo, e uma alegria incontrolável tomou conta dele.Durante a espera pelo despertar de Larissa, ele tinha ensaiado inúmeros pedidos de desculpa, preparado inúmeras explicações e decidido que a reconquistaria do zero.Só não havia imaginado que Larissa perderia a memória e se esqueceria de tudo.Aquilo, por outro lado, parecia lhe dar uma chance de recomeçar. Ele mal conseguiu conter a euforia que o consumia por dentro.— Eu sou seu marido. Na semana passada, registramos nosso casamento, e a cerimônia se
O fogo voraz do ciúme, enfim, ardeu por completo.A partir dali, cada minuto, cada segundo, cada gesto de Larissa, cada palavra carinhosa dela passou a soar como uma provocação para Felipe.Quanto mais ele a amava, mais sofria; quanto mais sofria, mais a odiava.E Gabriela, como se não bastasse, não parava de lhe falar sobre o passado de Larissa e Eduardo, o atiçando:— Você não acha isso injusto? Você amou a Larissa por tanto tempo, mas ela só escolheu você porque não conseguiu ficar com a primeira opção. Se eu estivesse no seu lugar, com certeza daria o troco.A mensagem seguinte foi uma foto sensual enviada por Gabriela.Num impulso irracional, Felipe foi ao encontro dela.Ao voltar para casa, ainda se lembrou de comprar para Larissa os bolinhos de que ela gostava. Ele se recordava de que a psicóloga disse que comer doces com moderação ajudava a melhorar o humor.Mas, ao ver o sorriso doce de Larissa enquanto ela comia o bolo, Felipe sentiu que tudo havia perdido o sabor.Por quê? E
No caminho para o hospital, na mente de Felipe surgiam lembranças de todos os momentos que havia compartilhado com Larissa, inclusive as vezes em que a via voltando sozinha para casa na chuva.A primeira vez que encontrou Larissa foi no segundo ano da faculdade. Ele havia desmaiado durante uma partida de basquete por causa de hipoglicemia, e foi Larissa quem, passando por ali, lhe ofereceu o açúcar que carregava.Naquela época, ele ainda não sabia que Larissa era cortejada por seu colega de quarto, Eduardo, havia seis meses. Ele se apaixonou à primeira vista e passou a cortejá-la com insistência.Quando Felipe finalmente descobriu, Larissa já estava com Eduardo.No dia em que soube do casamento de Larissa, Felipe chorou a noite inteira. Depois, seguiu sozinho o carro da noiva durante todo o percurso.Quando Larissa desceu, de braço dado com Eduardo, ele não teve coragem de olhar, apenas deu meia-volta com os olhos vermelhos.À noite, Felipe, completamente bêbado, teve um sonho. Nesse s







