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Capítulo 5

Author: Peachy
Meu telefone acendeu imediatamente.

A resposta de Orion veio na hora: [Fechado. Três dias. Estarei aí.]

Finalmente soltei um suspiro. Pelo menos alguém estava disposto a me tirar desse inferno.

Fiquei na clínica por três dias. Nesses três dias, Vittorio não ligou. Nem uma vez. Ele só apareceu no dia da minha alta.

— Desculpa pela demora — Vittorio disse, abrindo a porta com o rosto cansado. — A Carina está emocionalmente abalada. Ela precisou de mim.

Olhei para ele, sentindo apenas ironia. Três dias atrás, ele estava transando com outra mulher na minha frente. Agora agia como se nada tivesse acontecido.

— Aurelia, sobre aquela noite… — Vittorio se aproximou, tentando pegar minha mão. — Me desculpa. Eu não deveria ter feito aquilo com você.

Afastei minha mão.

— Está tudo bem — minha voz estava sem vida, como água morta. — Já passou.

Vittorio franziu a testa.

— Eu sei que você ainda está com raiva, mas precisa acreditar em mim. É com você que eu me importo. A Carina é só…

— Só o quê? — encarei-o friamente. — Aquela com quem você estava disposto a “resolver” usando o próprio corpo?

O rosto de Vittorio mudou.

— Aquilo foi diferente. Eu não tive escolha…

— Chega — eu disse, me levantando e pegando minha bolsa. — Vamos.

Vittorio ainda queria falar, mas a médica entrou.

— Senhor Falcone, sobre o procedimento da sua esposa, há algumas coisas que o senhor precisa—

— Doutora — interrompi — tomarei os remédios de que preciso. Não se preocupe com isso.

A médica olhou de mim para Vittorio e não disse mais nada.

De volta à mansão, Vittorio atendeu a uma ligação da Família na entrada. Eu entrei sozinha. A primeira coisa que vi foi Carina, sentada no sofá da sala, com uma taça de vinho tinto na mão.

— Ora, veja só quem voltou — Carina disse, erguendo os olhos da taça com um sorriso de canto. — Terminou seu teatrinho de autopiedade?

Olhei para ela e não disse nada.

— Vittorio ficou tão preocupado com você nesses três dias — disse Carina, levantando-se e caminhando com elegância até mim. — Mas ele ficou mais preocupado se eu tinha ficado traumatizada naquela noite.

Ela parou na minha frente e sua voz ficou fria, sinistra. Baixou o tom, como um sussurro conspiratório.

— Quer saber um segredo, Aurelia? Fui eu quem drogou o Vittorio naquela noite.

Meu corpo ficou rígido.

— Eu até te mandei aquela mensagem de propósito, dizendo que ele estava em perigo no cassino — Carina sorriu como um demônio. — Eu queria que você fosse até ele. Queria que você se entregasse a ele quando ele estivesse mais vulnerável.

— Por quê? — minha voz tremeu.

— Porque eu sabia que ele nunca poderia te amar — ela murmurou, com os olhos brilhando de puro veneno. — Eu queria que ele ficasse acorrentado a uma mulher que sempre seria a segunda opção. Um lembrete constante da culpa que ele sentia por ter me deixado partir.

O mundo começou a girar.

— Agora eu voltei, Aurelia — Carina acariciou minha bochecha. — É hora de você ir embora. Não me faça repetir.

A raiva ferveu no meu peito como lava. Peguei a garrafa de uísque da mesa de centro e a joguei contra ela.

Me aproximei dela, com voz baixa e ameaçadora.

— Escuta bem, Carina Romano. Enquanto eu for a mulher que usa a aliança e leva o nome dele, você não passa de uma amante que ele esconde nas sombras.

Carina congelou por um segundo e depois riu. Olhou para a porta da frente e, de repente, caiu de joelhos, soluçando em suas mãos.

— Me desculpa! Me desculpa! Eu não devia ter voltado! — ela chorou, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Aurelia, eu realmente não quis destruir seu casamento!

Me virei. Vittorio estava parado na porta. O rosto dele estava sombrio.

— Aurelia! — Vittorio passou por mim, me empurrando de lado para ajudar Carina a se levantar. — Você ficou louca?

Eu cambaleei para trás e bati na parede. O ferimento nas minhas costas latejou com uma nova onda de dor.

— Carina, você está bem? — Vittorio limpou o uísque do rosto dela com cuidado.

— Estou bem… — Carina soluçou. — A Aurelia está certa. Eu não devia ter voltado e atrapalhado a vida de vocês.

— Não diga isso — Vittorio disse, abraçando-a. — Você não fez nada de errado.

Ele se virou para mim, com os olhos em chamas.

— Peça desculpas à Carina. Agora.

— Por que eu deveria pedir desculpas? — retruquei com desprezo. — Eu disse alguma mentira?

— Aurelia, já chega! — Vittorio se levantou, imponente diante de mim. — A Carina já te perdoou por drogá-la. Que outro tipo de jogo você está tentando fazer?

As lágrimas escorreram pelo meu rosto.

— Então, na sua cabeça, eu sou tão cruel assim? — minha voz falhou. — Todos esses anos juntos não foram suficientes para você confiar em mim?

A expressão de Vittorio mostrou dor. Ele cerrou os punhos. Parecia lutar consigo mesmo.

Mas, no fim, sua voz saiu fria.

— Eu só confio no que vejo e no que sinto.

Eu não tinha mais esperança alguma.

Limpei minhas lágrimas, ergui o queixo e sorri com orgulho.

— Então, sinto muito, Vittorio. Eu me recuso a pedir desculpas — eu disse, com cada palavra firme. — Porque são vocês dois que estão errados. Não eu.

O rosto de Vittorio se contorceu de raiva. Os últimos vestígios de culpa desapareceram.

— Ótimo — ele disse, puxando o telefone e discando um número. — Marco, traga alguns homens.

Logo, vários homens de terno preto entraram.

— Lei da Família — disse Vittorio, com a voz completamente fria. — Treze chicotadas.

Carina fingiu implorar por mim.

— Vittorio, deixa isso para lá, não machuque a Aurelia…

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. Treze chicotadas. A punição característica da Família Falcone. Reservada para traidores e delatores.

Ele realmente ia fazer isso comigo.

Endireitei as costas e sustentei o olhar dele, com a cabeça erguida.

— Vittorio, se você encostar um dedo em mim, vai passar o resto da sua vida se arrependendo.
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