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Capítulo 6

作者: Peachy
Vittorio me encarou, com os olhos vazios de qualquer calor.

— Façam.

Antes que eu pudesse reagir, uma corda áspera foi amarrada aos meus pulsos, e eu fui arrastada para o quintal.

— Vittorio! — lutei. — Você vai se arrepender disso!

Mas ele já havia se virado, segurando Carina enquanto voltava para dentro, sem olhar para trás.

O chicote estalou. O primeiro golpe rasgou a pele das minhas costas. Mordi o lábio com força, sentindo o gosto de sangue. Eu me recusei a gritar. O segundo golpe veio. Depois, o terceiro.

O sangue escorria pelas minhas costas, encharcando minha camisa branca.

No décimo golpe, eu já estava entorpecida. Após o décimo terceiro, minhas costas não passavam de carne dilacerada e sangue. Minhas pernas cederam. Eu desabei em uma poça do meu próprio sangue.

Antes de perder a consciência, vi Carina parada na janela do segundo andar, com um sorriso vitorioso no rosto.

Ela tinha vencido.

Três dias depois, o toque agudo do meu telefone me acordou. Tentei me sentar, com minhas costas ardendo de dor.

— Aurelia? — a voz de Orion estava preocupada. — Você está bem? Não consegui falar com você por três dias.

— Estou bem — minha voz saiu rouca.

— Estarei no ponto de encontro em três horas — o tom de Orion ficou mais suave. — Você está pronta?

— Sim.

Desliguei e me forcei a ir até o closet. Eu só precisava levar uma coisa. Peguei a adaga antiga da minha penteadeira — a única lembrança que eu tinha da Família Rossi.

Todo o resto podia ficar naquele inferno.

Meu telefone tocou.

— Aurelia! — era Luca, meu protegido. Ele praticamente gritava no telefone: — Aquela desgraçada da Carina destruiu o acordo com a autoridade portuária! Cinquenta milhões de dólares, perdidos! Ela entrou como “consultora temporária” e acabou com tudo!

Lembrei de quando entrei na Família pela primeira vez. Confundi o local de uma negociação nas docas e Vittorio gritou comigo a noite inteira. Agora Carina havia arruinado um acordo muito maior, e Vittorio não tinha nada a dizer.

— O que o Don disse? — perguntei, sem realmente me importar.

— Ele disse que está tudo bem, que sempre podemos ganhar mais dinheiro — a voz de Luca estava cheia de incredulidade. — Senhorita Aurelia, você precisa voltar e assumir o controle! A Família não sobrevive sem você!

— Sinto muito, Luca — eu disse calmamente. — A Família Falcone não é mais minha responsabilidade.

— O quê?! — Luca gritou. — Você não pode—

Desliguei.

Imediatamente, alguns dos veteranos da Família começaram a ligar.

— Aurelia, que diabos é isso? — o velho Matteo rugiu pelo telefone. — A Família está um caos e você está fazendo joguinhos?

— Eu saí — eu disse, fria.

— Saiu? Acha que isso é brincadeira? — outro ancião pegou o telefone. — Volte aqui e limpe essa bagunça! Agora!

— Se têm algum problema, levem isso ao Don — respondi com desdém. — Não tentem bancar os durões comigo. Eu não sou quem vocês deveriam temer.

Desliguei na cara deles, um por um, e depois bloqueei todos os números ligados à Família Falcone.

Por fim, fui até o escritório de Vittorio e abri o cofre dele. Peguei um pen drive e copiei todas as provas para ele. A prova do meu aborto espontâneo. As imagens de segurança da mansão. O áudio da confissão de Carina. E os papéis do divórcio que ele assinou com a própria mão.

Coloquei o pen drive de volta no cofre, junto com os outros documentos, e o tranquei.

Esses eram meus presentes de despedida para Vittorio. Quatro, ao todo.

Um dia, ele abriria aquele cofre.

E, naquele dia, ele saberia exatamente o que havia perdido.

Eu estava prestes a sair quando meu telefone vibrou novamente. O nome de Vittorio apareceu na tela.

Olhei para ele e bloqueei o número.

Mas então as mensagens começaram a chegar uma atrás da outra. Todas dele.

[Aurelia, a Carina estragou o acordo com a autoridade portuária. Volte aqui e resolva isso.]

[Eu sei que você está com raiva, mas a Família precisa de você.]

[Me responda!]

[Aurelia, pare de agir como uma criança.]

Apaguei todas. Depois, bloqueei o número.

Uma hora depois, eu estava no ponto de encontro. Um jato particular estava parado na pista. Uma figura alta estava ao lado dele.

Orion estava ali, vestindo um terno preto impecável. Em sua mão, ele segurava uma única rosa negra perfeita, feita de veludo, uma flor que nunca murcharia.

Ele me viu e lentamente levantou o olhar. Deu um passo à frente, com olhos verdes-escuros se fixando nos meus.

— Aurelia — ele disse, sua voz baixa como um bálsamo. — Eu vim te levar para casa.
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