Se connecterSimplesmente parou. Como se nunca tivesse existido.
Fiquei sem reação.
Ouvi o barulho de pano e percebi que ele tinha tirado a própria camisa. Logo depois, me puxou para trás e eu fui parar no seu colo, com as costas coladas no seu peito nu.
Era muito contato. Pele com pele. Eu sentia o coraç
Engoli o nó na garganta, apertei a alça da mochila com tanta força que os nós dos meus dedos doeram e dei o primeiro passo. Minhas pernas pareciam pesadas, como se a terra batida daquele caminho estivesse tentando me puxar para baixo, mas corri. A porta não estava trancada.Empurrei devagar, e o cheiro me pegou de uma vez. Pão velho, erva-doce, lenha queimada. O cheiro de quando eu era criança.A cozinha estava do mesmo jeito. A mesa torta, o fogão preto, a cadeira onde eu fazia lição. Em cima da pia, tinha uma tigela de sopa fria que alguém tinha deixado ali.Dona Mareny. Eu quase agradeci em voz alta.— Vó? — chamei baixinho.Ninguém respondeu.Subi a escada, e cada degrau rangeu como antigamente. No fim do corredor, uma luz fraca vazava por baixo da porta.Parei com a mão na maçaneta. Tinha medo de abrir.Respira, Camila.Abri.O quarto estava quente e abafado. Na cama, debaixo de três cobertores, estava ela. Tão pequena que quase sumia no meio dos travesseiros.O cabelo bran
— Eu estou tentando manter você viva! — ele tentou argumentar, dando um passo à frente. — Se você morrer naquela estrada, a sua avó morre do mesmo jeito e nada faz sentido!— Cala a boca! Não encosta em mim! — gritei, empurrando as mãos dele para longe do meu braço com toda a força que me restava. — Vocês dois são farinha do mesmo saco! Dois covardes que só sabem falar de obediência e regras enquanto o mundo desaba!Dei meia-volta, sem esperar ele responder mais nenhuma palavra.Corri pelo corredor, subindo as escadas de dois em dois degraus, com o peito doendo como se uma faca estivesse cravada bem no meio da minha marca de raízes. Os criados e soldados pelos quais passei olhavam assustados para o meu estado, mas eu nem sequer enxergava ninguém.Cheguei ao meu quarto, empurrei a porta, entrei e bati a madeira atrás de mim com um estrondo que fez o trinco estalar. Girei a chave com as mãos trêmulas, trancando a fechadura por dentro.Dois guardas ficaram na minha porta a tarde inteira
— Eu não me importo com eles! Eu só me importo com a minha avó!— Mas eu me importo! — rugi, quebrando a distância e segurando os ombros dela com força contida, cravando meus olhos nos seus. — Eu não posso te proteger se você estiver a centenas de quilômetros de distância, no meio de uma floresta tomada por rebeldes e conspiradores! Se você colocar os pés naquela estrada sozinha, você não chega viva nem na metade do caminho!— Então você prefere me deixar trancada aqui enquanto ela morre à míngua?! — ela se desvencilhou das minhas mãos com um empurrão violento, recuando dois passos com um desprezo queimando nos olhos.Respirei fundo, passando a mão pelo rosto para conter a fúria e o medo que me consumiam:— Eu não vou deixar a sua avó desamparada. Vou mandar o Oshis agora mesmo. Ele vai levar uma escolta pesada de guerreiros de elite e os melhores remédios da coroa para isolar a casa dela e cuidar do tratamento.Camila soltou uma risada amarga, estridente, cheia de um veneno que corto
O celular vibrou em cima do livro que eu estava lendo.Franzi a testa, levantando-me rápido para pegá-lo, vendo que era de um número desconhecido com o código de área do vilarejo da minha antiga matilha.Meu coração deu um solavanco incômodo, um aperto frio que desceu rasgando pelo meu estômago antes mesmo de eu deslizar o dedo para atender.— Alô? — Camila? É você, menina?A voz era rouca e cansada, mas eu conhecia muito bem. — Camila? Pela Deusa... é você mesma, menina? — a voz do outro lado veio entrecortada por chiados de estática e uma respiração ofegante e apavorada.Reconheci o tom na hora. Era Dona Mareny, a curandeira idosa que morava na cabana vizinha à da minha avó.— Dona Mareny? O que aconteceu? Por que a senhora está me ligando a essa hora? — É a sua avó, Camila... — a mulher soltou um soluço pesado, e o chão pareceu sumir debaixo dos meus pés naquele exato segundo. — Ela caiu na cozinha hoje cedo e quando o curandeiro chefe da guarda veio examinar…— O que ela tem?!
Arqueei a sobrancelha, cruzando os braços sobre o peito e sustentando aquele olhar penetrante com o meu habitual escudo de sarcasmo.— Isso tudo depende exclusivamente de você, não acha?Cedric esboçou um sorriso discreto, quase invisível no canto dos lábios, e inclinou-se para deixar um selinho rápido e macio na minha boca.— Tudo depende de mim... claro — murmurou ele, afastando-se finalmente da cama.Ele ficou de pé, passando as duas mãos pelos cabelos escuros e desalinhados, ajeitando a postura imponente. Então olhou para o teto por um segundo e soltou outro suspiro pesado.— Eu queria que as coisas fossem fáceis como você acha que são.Ajeitei o botão da minha calça com calma e me sentei na beirada do colchão, puxando a camisa de volta para o corpo, encarando as costas largas e musculosas dele.— E por que não são fáceis, Cedric? Você é o Alfa Supremo. É o Rei Lycan de todo o mundo. Quem manda neste território é você, não os velhos do conselho.Ele se virou de frente para mim, c
Simplesmente parou. Como se nunca tivesse existido.Fiquei sem reação.Ouvi o barulho de pano e percebi que ele tinha tirado a própria camisa. Logo depois, me puxou para trás e eu fui parar no seu colo, com as costas coladas no seu peito nu.Era muito contato. Pele com pele. Eu sentia o coração dele batendo forte, e o resto dele também.Fiquei vermelha até as orelhas.— Isso aí... — comecei, sentindo algo duro me cutucar.— Eu sei.— Eu não fiz de propósito.Mas o meu corpo fez.







