تسجيل الدخولTheron sentiu o cenho se fechar.Caleb tinha razão.A constatação veio simples.Bellumati era estranha.Não cheirava como uma humana.Também não cheirava como uma loba que ele conseguisse identificar.Não havia marca de Asterion sobre ela da mesma forma que existia nos guardas.Não havia rastro de renegada.Exilada.Alcateia.Nada.Era como tentar ler algo que havia sido apagado sem destruir completamente a página.Theron sentiu Caleb mudar ligeiramente de posição na lateral do estrado.Talvez o Beta estivesse observando a reação dele.Theron não olhou.Evelyn continuava vindo.Cada vez mais perto.A curiosidade cresceu.Nada além disso.Era Evelyn Bellumati.A Rainha de Asterion.Uma mulher com uma característica lupina anormal.Só isso.Ela atravessou mais uma parte do salão.Theron percebeu que a seção de Asterion estava quase à frente.Seu lugar, especificamente, ficava no primeiro assento ao lado da cabeceira destinada a ele durante o banquete.A disposição tinha sido determinada
As grandes portas começaram a se abrir.Theron permaneceu exatamente onde estava.À esquerda do ancião.Lyssandra à direita.O bastão cerimonial ainda erguido entre os três.O salão inteiro continuava de pé, mergulhado naquele silêncio estranho criado pela pergunta que acabara de ser feita.Se havia alguma verdade, compromisso ou impedimento capaz de contestar aquela união, aquele era o momento de apresentá-lo.Ninguém apresentara nada.Até a voz do arauto atravessar as portas.— Sua Majestade, Evelyn Bellumati, Rainha de Asterion!Theron quase teria achado graça da coincidência se tivesse qualquer disposição para isso.O último direito das testemunhas.Uma pergunta sobre impedimentos.E, no segundo seguinte, chegava atrasada uma das soberanas mais importantes daquela noite.Malrik certamente não acharia divertido.Theron não olhou para ele.Seus olhos permaneceram nas portas.Não havia ansiedade.Não havia expectativa pessoal.Conhecia Evelyn Bellumati da maneira como governantes con
Os lugares de Asterion não estavam ali.Nem mais adiante entre as mesas laterais.Seu olhar avançou.Até o fundo.A mesa de honra.Evelyn quase parou.Quase.A delegação de Asterion tinha sido colocada ali.Claro.Por que não?O reino que Valcrest precisava desesperadamente manter perto durante as negociações ocuparia uma posição privilegiada.Fazia sentido.Diplomaticamente.Politicamente.Logicamente.Evelyn continuou caminhando.Mais alguns passos.A disposição tornou-se mais clara.A mesa de honra ocupava o interior do U, próxima ao estrado elevado no fundo do salão.Na cabeceira estavam os lugares reservados a Theron e à mulher com quem selaria a união.De um lado, representantes de outros soberanos.Do outro...Asterion.Evelyn estreitou ligeiramente os olhos.Não.Não poderia ser.Caminhou mais um pouco.Poderia. Claro, Evelyn não seria Evelyn se isso não acontecesse. Seu lugar estava identificado.A primeira cadeira daquele lado.Imediatamente ao lado do lugar reservado a The
Aquelas escadas.O tempo pareceu se contrair ao redor dela.Não havia carruagem.Não havia coroa.Não havia Asterion.Havia vozes.Acusações.Olhares.Nyra em pé diante de pessoas que a conheciam havia anos e que, ainda assim, pareciam enxergar uma estranha.O lugar onde o nome Everhart fora arrastado pela lama.Onde o que ela dizia deixara de importar.Onde pessoas que um dia sorriram para ela assistiram à sua queda com curiosidade, desprezo ou silêncio.Evelyn lembrava-se de procurar uma explicação nos rostos.De esperar que alguém dissesse que aquilo estava errado.Que exigisse provas.Que interrompesse a sequência absurda de acusações antes que uma vida inteira fosse reduzida a traição.Ninguém interrompera.E Theron...A cicatriz em seu peito ardeu.Ela conhecera aquele castelo antes de conhecer a crueldade que suas paredes podiam abrigar.Conhecera seus jardins antes de aprender que lugares bonitos também podiam testemunhar coisas horríveis.Conhecera Theron antes de descobrir o
Valcrest não cheirava mais como Evelyn se lembrava.Foi a primeira coisa que percebeu enquanto a carruagem avançava pelas ruas da capital.Havia fumaça antiga no ar.Madeira úmida.Poeira levantada pelas rodas.E aquele cheiro difícil de definir que surgia em lugares onde comida deixava de ser abundante e passava a ser calculada.Não era apenas a deterioração das construções.Era a ausência de vida.Evelyn afastou um pouco mais a cortina da janela e continuou observando.As fachadas que um dia exibiram cores vivas estavam escurecidas. Algumas lojas tinham as portas fechadas e placas antigas pendiam tortas sobre entradas que já não recebiam clientes. Outras ainda funcionavam, mas com prateleiras tão pouco abastecidas que era possível enxergar boa parte das paredes por trás delas.Telhados remendados.Janelas vazias.Portões consertados com madeira diferente.Paredes marcadas pela água das antigas inundações e, em outros pontos, escurecidas pelo fogo.Era como se os anos tivessem deixad
Pouco depois das oito, as grandes portas do salão foram fechadas.Não trancadas.Apenas fechadas para marcar o início formal do rito.Do lado de fora continuavam servos, guardas, oficiais de protocolo e homens responsáveis por anunciar qualquer autoridade que ainda chegasse.Dentro, o som das conversas diminuiu.Theron tomou seu lugar na área central.Lyssandra permaneceu alguns passos distante.Malrik foi para a primeira fileira reservada à família dela.Caleb ficou à direita da plataforma, próximo o suficiente para cumprir sua função de Beta e testemunha, mas fora do espaço ritual.O ancião que conduziria a união caminhou até o centro.Não era Malrik.Theron fizera questão disso.O homem era velho, pertencente a uma das Casas menores e conhecido por conhecer as antigas leis matrimoniais de Valcrest melhor do que qualquer pessoa no Conselho.Vestia túnica escura com detalhes prateados e carregava um bastão curto, não o símbolo de autoridade do Ancião-mor, mas o objeto cerimonial usad







