LOGINCapítulo 35: A Coroa de Espinhos e Seda A manhã havia dado lugar a uma tarde vibrante, mas o verdadeiro coração do palácio das Terras Ancestrais pulsava nos salões de preparação para o grande banquete. O anúncio oficial da Luna Suprema era um evento que exigia perfeição absoluta, e o Grande Salão de Banquetes gótico, com seus tetos abobadados e candelabros de cristal que pareciam flutuar como constelações congeladas, estava sendo transformado. No centro dessa engrenagem monumental não estava um mestre de cerimônias da corte, mas a própria Lyra. Com um bloco de notas rústico em mãos e a postura herdada de sua linhagem ancestral — uma elegância inata que nem mesmo os anos de servidão no sul conseguiram apagar —, Lyra caminhava entre as longas fileiras de mesas de carvalho escuro. Ela coordenava os servos com uma voz mansa, mas impregnada de uma firmeza que surpreendia a todos. — Não, por favor, movam os arranjos de lírios brancos para as laterais das mesas dos anciãos — Lyra orientou
A luz suave do amanhecer filtrava-se pelas frestas das pesadas cortinas de veludo carmesim, banhando os aposentos reais em tons de dourado e âmbar. O som reconfortante do fogo que morria lentamente na lareira era o único ruído que quebrava o silêncio sagrado daquele quarto. Para Lyra, o world exterior — com suas intrigas de corte, os olhares venenosos de Gisele e as cicatrizes de um passado de rejeição — parecia ter evaporado por completo. Ela acordou lentamente, sentindo o calor massivo e protetor que a envolvia. Estava completamente aninhada contra o peito rígido e esculpido de Kaelen. O braço musculoso e pesado do Alfa Supremo estava firmemente laçado ao redor de sua cintura, reivindicando-a mesmo no calor do sono. Lyra apoiou o queixo no peito dele, observando as feições dele relaxadas pela primeira vez desde que se conheceram. Sem as defesas rígidas de um governante, Kaelen parecia apenas um homem profundamente apaixonado. Ela sorriu, o coração transbordando de uma paz que nun
O silêncio no escritório do Alfa Philip não era feito de paz, mas da tensão sufocante que precede uma tempestade de sangue. A fragrância pesada de charuto e cera de madeira misturava-se ao odor acre de suor frio e frustração que emanava dos homens reunidos ao redor da imensa mesa de mogno. Sobre a superfície polida, mapas topográficos detalhados das brenhas e das fronteiras territoriais estavam estendidos, as bordas presas por adagas de prata e pesos de bronze. Philip mantinha-se de pé na cabeceira, os braços musculosos escorados na mesa, os olhos injetados de sangue fixos nas linhas que delimitavam as Terras Ancestrais. Desde que rejeitara Lyra, uma engrenagem invisível e maldita parecia ter quebrado em seu peito. Não era arrependimento — sua arrogância jamais permitiria tal fraqueza —, mas uma possessividade doentia, uma fúria cega por ter sido desobedecido. Ela era dele. Havia sido criada para servi-lo. Como ousava desaparecer? Como ousava fazê-lo parecer um tolo diante de toda a
O crepúsculo engoliu as últimas franjas douradas do sol, lançando longas sombras góticas sobre as torres de pedra da fortaleza. O silêncio que se instalou na rampa principal do palácio já não era o mesmo silêncio hostil da manhã; era o peso da expectativa de um povo que começava a ver a fresta de uma nova era. Ao cruzarem os grandes portões de ferro batido, Kaelen não soltou a mão de Lyra. Pelo contrário, ele parou sob o arco de entrada e a puxou suavemente para mais perto, analisando as maçãs do rosto dela com uma intensidade que parecia querer decifrar cada fibra de sua alma. — Você foi perfeita lá embaixo — ele murmurou, o polegar calejado acariciando o dorso da mão dela. — Você não usou garras para rasgá-los, nem fogo para queimá-los. Você usou a verdade. Essa é a postura de uma rainha. — Eu apenas disse o que sinto, Kaelen — Lyra respondeu, com um meio sorriso que misturava o cansaço físico do transe com uma paz recém-descoberta. — Passei tempo demais sendo o alvo dos sussurro
A clareira sagrada das Terras Ancestrais parecia reter a própria respiração do mundo quando Lyra e Kaelen se sentaram lado a lado sobre a rocha rústica que outrora servira de altar. O rolo de pergaminhos antigos estava estendido entre os dois, e a luz pálida de quarta-feira iluminava os desenhos intrincados gravados à tinta. Sob a orientação de Kaelen, Lyra começou a passar os dedos delicados pelas linhas de texto, sentindo uma pulsação magnética que respondia diretamente ao calor em seu peito. — Olhe para esta runa aqui, Lyra — Kaelen disse, sua voz um barítono profundo que ecoava suavemente pelas paredes de pedra. Ele inclinou o corpo para a frente, o ombro rígido roçando o dela. — Ela representa o fôlego da terra. Seu povo não gritava para liberar o poder; eles sussurravam para a natureza. Tente. Lyra respirou fundo, fechando os olhos verdes esmeralda por um instante para se sintonizar com a loba ancestral que andava em círculos em sua consciência. Quando os abriu, a firmeza
O som da porta de madeira maciça de seus aposentos particulares batendo contra o batente ecoou como um estalo violento pela ala norte da fortaleza. Gisele não apenas trancou a fechadura, mas arremessou um vaso de porcelana decorada contra a parede de pedra rústica, assistindo com um prazer doentio e raivoso aos fragmentos se espalharem pelo tapete de veludo. Suas feições aristocráticas, antes perfeitamente controladas, estavam completamente deformadas pelo ódio e por uma humilhação dramática que fazia seu sangue ferver. Suas mãos tremiam, e as unhas perfeitamente lixadas arranhavam o tecido do vestido verde imperial. — Como aquela criada imunda ousa me humilhar?! — Gisele sibilou para o quarto vazio, os dentes trincados com tanta força que o maxilar doía. Suas pupilas escuras estavam dilatadas pela descarga de testosterona e fúria. — Uma serva... uma renegada que limpava a sujeira da mansão dos Vance! Olhar nos meus olhos e falar sobre o meu sangue com aquele tom de realeza... eu vo







